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ORDEM DOS MÉDICOS ALERTA PARA IMPACTO DOS TAREFEIROS NO AUMENTO DAS CESARIANAS

HealthNews Online

2026-05-07 21:09:09

A Ordem dos Médicos alertou que o recurso a médicos tarefeiros é atualmente necessário para assegurar o funcionamento das urgências de obstetrícia e ginecologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas considera que esta prática é disruptiva para os serviços e pode ter impacto no aumento da taxa de cesarianas. “Esta política dos tarefeiros neste momento é necessária, mas é disruptiva para os serviços”, afirmou Carlos Veríssimo Batista, presidente do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, numa audição na comissão parlamentar de Saúde, onde foi ouvido sobre o aumento das cesarianas no SNS, a pedido da Iniciativa Liberal. O responsável indicou que, no Algarve, cerca de 65% da atividade é assegurada por médicos prestadores de serviço, sublinhando que esta elevada dependência afeta a organização das equipas, a aplicação de protocolos e a realização de reuniões clínicas. “Sem dúvida nenhuma que as equipas desfalcadas, as equipas jovens, as equipas, por exemplo na região do Algarve, em que 65% são asseguradas por tarefeiros ( ). Tudo isto impacta seguramente na taxa de cesarianas”, afirmou. Segundo Carlos Veríssimo Batista, esta situação tem motivado alertas sucessivos à tutela para a necessidade de encontrar “algum outro mecanismo” que permita garantir maior estabilidade das equipas. Ainda assim, assinalou “uma certa melhoria nos últimos tempos” com a criação das urgências regionais de obstetrícia e ginecologia na Península de Setúbal e no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, que contribuíram para maior previsibilidade na resposta. O responsável destacou também que a pressão médico-legal e o aumento da litigância podem levar ao afastamento de profissionais do SNS e incentivar práticas defensivas, reduzindo a tolerância ao risco clínico, sobretudo em equipas menos experientes, o que pode estar associado a uma maior opção por parto cirúrgico em determinados contextos. Entre os fatores que influenciam a prática obstétrica, apontou ainda o aumento da idade materna e a presença de mulheres migrantes provenientes de países com taxas historicamente mais elevadas de cesariana, referindo que estas podem chegar ao SNS com antecedentes de cesariana ou com práticas obstétricas distintas, condicionando a decisão clínica. Carlos Veríssimo Batista referiu também o aumento de comorbilidades associadas à idade materna e à evolução dos perfis reprodutivos, alertando para situações de grávidas que recorrem à urgência sem vigilância adequada, incluindo casos inicialmente classificados como de baixo risco, apesar de alguma melhoria recente. O responsável sublinhou ainda a importância dos médicos de família na vigilância das gravidezes de baixo risco, lembrando que estes profissionais são insuficientes. Para reforçar o acompanhamento, indicou que está a ser desenvolvido trabalho conjunto com a Ordem dos Enfermeiros, envolvendo enfermeiros especialistas em saúde materna. Em 2025, o SNS registou mais de 22 mil cesarianas, um aumento de 5% face ao ano anterior, elevando para 33,2% o peso deste tipo de parto no total realizado no serviço público, com os hospitais das regiões Norte e Alentejo a apresentarem os valores mais elevados. De acordo com o especialista, a taxa de cesarianas em Portugal tem vindo a crescer cerca de 0,5% ao ano, acompanhando tendências observadas em outros países desenvolvidos, apesar de o país manter indicadores favoráveis de mortalidade neonatal, entre os melhores a nível internacional. Carlos Veríssimo Batista alertou ainda que a falta de uniformização dos sistemas de informação entre hospitais limita a análise nacional dos dados, defendendo a criação de uma base de dados nacional que permita consolidar a informação clínica. lusa/HN A Ordem dos Médicos alertou que o recurso a médicos tarefeiros é atualmente necessário para assegurar o funcionamento das urgências de obstetrícia e ginecologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas considera que esta prática é disruptiva para os serviços e pode ter impacto no aumento da taxa de cesarianas. [Additional Text]: urgência_obstretricia_ginecologia_HN