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PÓVOA DE VARZIM ADERE À REDE DE CIDADES EUROPEIAS PARA A SAÚDE MENTAL

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2026-05-07 21:09:07

A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim aprovou, na terça-feira, por unanimidade, a adesão do município à Rede de Cidades Europeias para a Saúde Mental, numa deliberação que mereceu o voto favorável de todos os partidos com assento no executivo, PSD, Aliança Poveira e Chega Em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara, Andrea Silva, sublinhou a importância estratégica desta decisão, considerando que a saúde mental é hoje uma das grandes preocupações sociais a nível local, nacional e europeu. “A adesão a esta rede vai permitir promover a integração da saúde mental nas políticas públicas locais, através da cooperação intermunicipal, da partilha de boas práticas e do desenvolvimento de estratégias baseadas em evidência”, afirmou a autarca, e explicou que esta rede envolve vários municípios europeus, como permitirá à Póvoa de Varzim aprender com experiências já consolidadas. Andrea Silva revelou ainda que o município dispõe de um diagnóstico que indica que os problemas de saúde mental no concelho são mais significativos do que o anteriormente conhecido. “Os números são superiores àquilo que tínhamos conhecimento”, reconheceu, acrescentando que esta realidade obriga o município a atuar de forma concreta para minimizar os impactos destas problemáticas na vida de “muitas centenas, e até milhares de pessoas”. Questionada sobre as respostas na área da saúde mental ao nível hospitalar, a presidente confirmou que estava prevista a criação de um piso dedicado à saúde mental no futuro edifício da ULS de Vila do Conde/Póvoa de Varzim, manifestando expectativa quanto ao arranque da obra. “Estamos ansiosos que nos digam alguma coisa sobre o desenvolvimento do novo edifício”, referiu, ao adiantar que têm existido contactos recentes no sentido de viabilizar o início da construção. “Há muito a aprender com Barcelos” Também o vereador João Trocado, da Aliança Poveira, interveio sobre o tema, explicando que a adesão resultou de um convite dos municípios de Barcelos e Braga, já integrantes da rede, com o objetivo de alargar a sua escala de intervenção. Apesar do voto favorável, João Trocado defendeu que a Póvoa de Varzim tem “muito a aprender com Barcelos”, município que chegou a ser capital mundial da saúde mental. O vereador alertou para as listas de espera superiores a três meses nas áreas da Psicologia Clínica e da Psiquiatria, tanto no concelho como no vizinho município de Vila do Conde, e sublinhou que o número de atendimentos é manifestamente insuficiente. Para além da dimensão clínica, João Trocado defendeu uma abordagem mais abrangente da saúde mental, incluindo problemas que muitas vezes ficam fora do radar institucional, como comportamentos aditivos (álcool, jogo, drogas), a sobrecarga dos cuidadores informais e situações de violência doméstica que só entram no sistema quando atingem fases mais graves. “Muitos destes fenómenos não aparecem nos diagnósticos porque não há trabalho no terreno. Se não houver trabalho feito, eles não entram nos circuitos formais e parecem não existir”, alertou. Nesse sentido, o vereador reforçou o papel das autarquias locais e juntas de freguesia como agentes fundamentais na prevenção e deteção precoce destes problemas. “Não podemos ficar à espera de que os problemas cheguem ao SNS. É preciso andar atrás do problema, estar perto das pessoas e agir de forma proativa”, afirmou. A adesão à Rede de Cidades Europeias para a Saúde Mental surge, assim, como um primeiro passo para o reforço das políticas municipais nesta área, alargando a cooperação, o conhecimento técnico e a capacidade de intervenção local num dos maiores desafios sociais da atualidade.