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UM PASSO QUE PODE SER UM RISCO

Interior (O)

2026-05-07 21:09:07

António José Seguro foi a minha escolha durante muitos anos e foi a minha desilusão pelo completo silêncio de dez anos. Eu estava errado e ele regressou em triunfo e ganhou, tornou-se Presidente da República, também com o meu voto. Fiz o meu apoio público e transparente. António José Seguro representa um modo sereno e pausado de estar na coisa pública. Não grita, não vocifera, não perde o controle. O novo Presidente veste bem, é elegante, tem um percurso ideológico de décadas e representa este país de modo clássico. As Presidências Abertas parecem-me uma ideia interessante, a sua presença próxima parece uma inevitabilidade, a condução de estratégia e logística num tempo de ruído sem fundamento pode trazer benefícios. O tempo dos dedos em riste sossega com Seguro. Há, no entanto, um sinal de perigo que se levanta. Nomear alguém para um cargosombra do executivo é uma ideia pequena. Adalberto Campos Fernandes é palavroso, que rima com vaidoso. É ambicioso, que rima com venenoso, e vai tentar um pacto na saúde, onde ninguém se entende. No fundo, António José Seguro, o Presidente, atira uma pedra para o caminho de Ana Paula Martins. Este é o primeiro sintoma de uma doença no magistrado de Seguro. Não deve e não tem que imiscuir-se no trabalho executivo. Não é necessário, e não parece bem, nomear um ex-ministro para desenhar um caminho na saúde. Vigiar o trabalho do Executivo, pedir para ouvir as estratégias da ministra, chamar a sua presença à Presidência, isso tudo é da função, isso tudo é um caminho indiscutível. Em conversa com a ministra Ana Paula Martins, pode e deve sugerir, pode e deve interpelar. Adalberto é pedra no sapato, Adalberto é micose entre os dedos do pé. Claro que o homem não recusou. oPiNião Diogo Cabrita