FNAM ACUSA GOVERNO DE "FALTA DE SERIEDADE" NEGOCIAL E DE EMPURAR MÉDICOS PARA EXAUSTÃO
2026-05-07 21:09:06

Federação Nacional dos Médicos reuniu-se com Ministério da Saúde na 3ª. feira, mas só teve acesso a documento depois. Horas extraordinárias acima do limite legal podem valer incentivos de 40% a 80%. A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusou esta quinta-feira o Governo de “falta de seriedade” negocial quanto aos incentivos a pagar nas urgências e diz que as propostas não resolvem o problema e empurram os médicos para a exaustão. Em declarações à Lusa, Joana Bordalo e Sá, da FNAM, explicou que a federação teve uma reunião na terça-feira com o Ministério da Saúde sem conhecer previamente o documento, que apenas lhe foi enviado após este encontro. Diz que a FNAM ainda está a analisar o documento, mas alerta: “De qualquer forma, sendo muito semelhante àquilo que já tinha sido publicado para 2024, nós já sabemos que não vai resolver o problema da falta de médicos no SNS [Serviço Nacional de Saúde], nomeadamente a nível hospitalar e da urgência”. O diploma que vai esta quinta-feira a Conselho de Ministros, a que a Lusa teve acesso, prevê que as horas extraordinárias dos médicos nas urgências acima do limite legal anual possam valer um incentivo entre os 40% e 80% do salário base. O regime para os médicos que exerçam funções em entidades integradas no SNS prevê que este valor seja calculado em grupos de 48 horas. Joana Bordalo e Sá explicou que, em 2024, foi publicada uma medida semelhante a este “pacote de bloco de horas” e “continuaram a encerrar serviços de urgência por todo o país”. “O que deveria acontecer era dar condições de trabalho dignas, há toda uma panóplia de soluções que estão em cima da mesa neste momento, ( ) e também [olhar para] a questão do salário base, porque aí não iam faltar médicos”, afirmou. [Additional Text]: Joana Bordalo e Sá da Federação Nacional dos Médicos , FNAM fala com os jornalistas durante um protesto contra o encerramento da Maternidade do Barreiro, convocada pelas comissões de utentes e pela União de Sindicatos de Setúbal, Barreiro, 25 de setembro de 2025. RUI MINDERICO/LUSA Agência Lusa