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SERVIÇO DE APOIO DOMICILIÁRIO: CUIDAR COM PROXIMIDADE, INOVAÇÃO E DIGNIDADE

Comarca de Arganil (A)

2026-05-07 21:09:04

Numa sociedade cada vez mais envelhecida, torna-se essencial refletir sobre as Respostas Sociais que garantem qualidade de vida às pessoas mais vulneráveis. Entre essas respostas, o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD) assume um papel fundamental, muitas vezes discreto, mas profundamente transformador na vida de quem dele beneficia O SAD permite que pessoas idosas, doentes ou em situação de dependência permaneçam nas suas casas, junto das suas memórias e rotinas. Mais do que um conjunto de tarefas, este serviço representa uma resposta integrada que alia cuidado, proximidade e respeito pela individualidade de cada pessoa. No quotidiano, o SAD concretiza-se através do apoio nas atividades básicas da vida diária, como a higiene pessoal, a alimentação, a organização do espaço habitacional. No entanto, a sua verdadeira essência vai muito além dessas funções. Para muitos utentes, a visita do profissional é também um momento de companhia, escuta ativa e ligação ao mundo exterior um combate silencioso à solidão. Importa ainda destacar que, atualmente, o SAD integra respostas complementares que reforçam a segurança e o bem-estar dos utentes. Entre elas, a Teleassistência assume particular relevãncia, permitindo uma vigilância permanente e uma resposta rápida em situações de emergência, contribuindo para que as pessoas se sintam mais seguras nas suas próprias casas e para que as famílias tenham maior tranquilidade. No caso da SCMA, esta Resposta Social tem vindo a afirmar-se também pela sua capacidade de inovação e adaptação às necessidades do território. Adstrita a esta Resposta Social existe uma Equipa de Ação Paliativa, cuja criação resultou do Projeto “Dar Sentido aos Dias”, desenvolvido na sequência da aprovação no Concurso BPI Fundação “la Caixa” Rural 2019, destinado ao financiamento de iniciativas promotoras de qualidade de vida e igualdade de oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Dada a relevância desta intervenção, a SCMA decidiu assegurar a continuidade da equipa mesmo após o término do financiamento, garantindo assim um acompanhamento mais humanizado, próximo e especializado a pessoas em situação de doença avançada e às suas famílias. Enquanto assistente social, é possível testemunhardiariamente o impacto desta resposta não Só Onos utentes, mas também nos seus cuidadores informais Na minha perspetiva, o SAD continua a ser, muitas vezes, subvalorizado face a outras Respostas Sociais, quando na verdade é um dos pilares mais importantes para garantir a permanência das pessoas no seu meio habitual de vida. O SAD não substitui a família complementa-a, apoia-a e, em muitos casos, evita ruturas que poderiam lerainstitucionalizaçõesprecoees.Ao longo da prática profissional, torna-se evidente que a confiança depositada nas equipas e a relação de proximidade construída com os utentes fazem toda a diferença no sucesso da intervenção. Contudo, persistem desafios que não podem ser ignorados. Considero que o envelhecimento da população, aliado à dispersão geográfica do território e à crescente complexidade das situações sociais e clínicas, exige uma aposta mais consistente neste tipo de resposta. e fundamental valorizar os profissionais do SAD, não só ao nível das condições de trabalho, mas também no reconhecimento social do seu papel. De igual modo, e perante a clara alteração do perfil de beneficiários deste serviço, importa reconhecer que estamos hoje perante situações cada vez mais complexas, não só do ponto de vista social, mas também clínico. Neste contexto, a incorporação de cuidados de saúde no domicílio deixa de ser apenas uma mais-valia para se afirmar como uma necessidade incontornável. Esta integração representa um caminho inevitável e desejável, na medida em que permite não só melhorar a qualidade de vida dos utentes, mas também retardar a institucionalização em respostas mais pesadas. Paralelamente, contribui para aliviar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente ao nível do recurso aos Serviços de Urgência, muitas vezes utilizados por falta de alternativas de proximidade. Consciente desta realidade e da necessidade de adaptação às novas exigências, a Misericórdia de Arganil deu mais um passo significativo ao desenvolver uma candidatura no âmbito do Projeto-Piloto, de abrangência nacional, denominado SAD + Saúde”, enquadrado pela Portaria n.® 324/2025/1, de 3 de outubro. Trata-se de uma iniciativa que visa precisamente reforçar a articulação entre a área social e da saúde no contexto domiciliário, e que se espera que, em breve, possa vir a ser implementada neste território, constituindo uma resposta mais ajustada, integrada e eficaz às necessidades reais da população. Cuidar no domicílio implica exigência fisica, emocional e técnica, muitas vezes em contextos isolados e com poucos recursos. Se queremos uma sociedade mais justa e inclusiva, é essencial investir seriamente neste sector, garantindo meios, formação e estabilidade às equipas que estão, todos os dias, na linha da frente do cuidado. Falar sobre o apoio domiciliário é, acima de tudo, falar de humanidade. e reconhecer o valor de um cuidado que chega a casa, que respeita histórias de vida e que promove a dignidade até aos momentos mais frágeis. Num tempo em que se discute o futuro das Respostas Sociais, importa dar visibilidade ao trabalho que, todos os dias, faz a diferença , de forma silenciosa, mas profundamente significativa. INÊS XAVIER