FORD VENDE FÁBRICA ESPANHOLA AOS CHINESES DA GEELY
2026-05-07 21:09:03

A Ford está a vender uma fábrica europeia a um construtor chinês. O alvo é as instalações do gigante norte-americano em Valência e o comprador é a Geely, o maior construtor privado chinês. A Ford atravessa um período complexo, pois se as vendas no seu mercado doméstico continuam a registar resultados razoáveis, na Europa e na China têm mergulhado consideravelmente. Como se isto não bastasse, não tem funcionado a aposta da marca norte-americana nos veículos eléctricos, através dos Mustang Mach-E, Capri e Explorer no mercado europeu e da F-150 Lightning nos EUA, a versão a bateria da pick-up que é há décadas a mais vendida no mercado norte-americano. Daí que não seja de estranhar que o construtor queira se desfazer de mais uma unidade fabril no Velho Continente, pois é agora que os chineses estão a comprar. A há muito forte aposta no mercado europeu da Ford tem vindo a esmorecer nas últimas décadas, a ponto de as duas fábricas em Espanha, em Barcelona e Valência, terem sido reduzidas a apenas esta última, com Barcelona a ter sido vendida (em 1954) à Nissan. Isto aconteceu um pouco à semelhança dos 50% que o construtor detinha na fábrica portuguesa da Autoeuropa, em Portugal, que foram vendidos à Volkswagen (1999). A unidade fabril de Valência, inaugurada em 1976, tem sido alvo de contínuas remodelações, o que não impediu o corte de 1600 postos de trabalho em 2024 numa fábrica que hoje apenas produz o Kuga, uma vez que os Mondeo, S-Max e Galaxy já foram descontinuados. O EX2 é um SUV eléctrico pequeno, mas habitável 2 fotos De acordo com o periódico espanhol La Tribuna de Automación, a Ford chegou a um acordo com a Geely, visando a venda da fábrica de Valência. Os chineses precisam de instalações para produzir os seus modelos, principalmente aqueles que desejam evitar as taxas impostas pela União Europeia, destinadas a compensar as ajudas atribuídas pelo Estado chinês aos construtores locais e que foram consideradas ilegais pela Organização Mundial do Comércio, enquanto a Ford abrirá mão (com agrado) de uma das suas fábricas mais antigas no Velho Continente e a necessitar de grandes investimentos para se manter actualizada. A Geely é muito mais do que apenas mais um construtor chinês, pois o grupo privado criado por Li Shufu é proprietário de 10% da Mercedes, 50% da Smart, a totalidade da Volvo Cars e dos Táxis Londrinos, 51% da Lotus, 48,5% da Polestar, 45% da Horse (juntamente com a Renault) e 17% da Aston Martin, entre outras participações. De acordo com a imprensa espanhola, a Geely pretende produzir em Valência modelos como o seus Galaxy A7 e Geely E5. Não obstante, tudo indica que a Geely pretende utilizar a fábrica espanhola para gerar o EX2, um modelo eléctrico com estilo crossover que possui um comprimento de 4,135 m, 1,805 m de largura e 1,570 m de altura, com uma distância entre eixos de 2,650 m. O veículo, que já existe na China, é proposto com duas capacidades da bateria, uma mais pequena com 30,1 kWh e outra ligeiramente maior, com 40,1 kWh. Os motores ao serviço do EX2 também são dois, um com 79 cv e outro mais generoso com 116 cv. Com esta capacidade de bateria, o Geely EX2 anuncia 310 km de acordo com o método de medição chinês CLTC (China Light-Duty Vehicle Test Cycle), que é particularmente optimista. Segundo o método europeu WLTP, esse valor deverá corresponder a 254 km de autonomia. O alcance entre visitas ao posto de carga subirá para os 410 km (CLTC) com o acumulador de maior capacidade, sendo que, de acordo com o protocolo europeu WLTP, deverá ficar-se pelos 336 km. Resta agora conhecer o preço pelo qual o crossover será proposto, sendo que tudo aponta para que seja competitivo. O EX2 é um SUV eléctrico pequeno, mas habitável Alfredo Lavrador