EMPRESAS MARÍTIMO-TURÍSTICAS DO DOURO EXIGEM PLANO PARA TURISMO FLUVIAL
2026-05-07 21:02:05

No âmbito das suas posições estratégicas para o futuro do turismo fluvial na via navegável do Douro, sustentadas nos dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), a Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) alerta, em comunicado de imprensa, que um setor que vale 400 milhões de euros por ano, emprega mais de oito mil pessoas de forma direta, registou 1.388.646 passageiros em 2025, o que represente um crescimento contínuo pelo oitavo ano consecutivo e um impacto económico estimado entre 350 e 450 milhões de euros, “não pode continuar a crescer sem um enquadramento estratégico que assegure a sua sustentabilidade, competitividade e capacidade de planeamento a longo prazo”, ou seja, “precisa de um plano nacional”. Dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo avançam a existência de 113 operadores, 252 embarcações, 16.974 eclusações e mais de 31.500 escalas registadas em 2025. O setor atrai anualmente centenas de milhares de turistas oriundos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Austrália, ou seja, mercados de alto valor e longa distância, com elevado impacto nas economias locais de todo o Vale do Douro. Por outro lado, a AAMTD alerta para o risco de estrangulamento das infraestruturas críticas da via navegável do Douro. Com 16.974 eclusações realizadas em 2025, mais 9% do que no ano anterior, e episódios de avaria documentados nas eclusas de Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo, a associação exige ao Estado português um plano de investimento urgente nas infraestruturas fluviais. A associação considera ainda que a capacidade atual das eclusas representa já um limite estrutural ao crescimento do setor, e que sem intervenção imediata corre-se o risco de comprometer a experiência dos turistas e a competitividade dos operadores nacionais face à concorrência europeia, para destacar que Portugal deve usar a sua posição competitiva única para afirmar o Douro como o destino de turismo fluvial de referência da Europa do Sul, em competição direta com o Reno e o Danúbio. A AAMTD, segundo o seu presidente, Mário Ferreira, “existe para garantir que este ativo seja gerido com a inteligência, a ambição e a seriedade que ele merece”, por isso, sublinha que “exigimos do Estado português que esteja à altura desta responsabilidade”. A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro foi fundada em 2018 e representa cerca de 33 operadores do turismo fluvial na via navegável do Douro, incluindo a Douro Azul, a CroisiEurope, a Tomaz do Douro, a Rota Ouro do Douro e a Viking Cruises, entre navios-hotel, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local que, em conjunto, são responsáveis pela esmagadora maioria dos passageiros registados em 2025. A sua missão é defender os interesses do setor, promover a sustentabilidade da atividade e assegurar um diálogo institucional permanente com as autoridades competentes. A AAMTD antecipa um crescimento contínuo do setor até 2030, com o aumento do número de operadores e da frota, e pretende que esse crescimento seja orientado por critérios de sustentabilidade ambiental, planeamento territorial e qualidade da experiência turística. Publituris