A GUERRA NO MÉDIO ORIENTE CHEGA À FERRARI: O PROBLEMA INESPERADO QUE ATÉ OS SUPERCARROS SENTIRAM
2026-05-07 21:02:03

Região do Golfo tem sido, ao longo de décadas, um mercado natural para os modelos do Cavallino Rampante, impulsionado por clientes de elevado poder de compra e por uma forte tradição de procura por automóveis de luxo Ouça este artigo Clique para reproduzir A guerra no Irão e a tensão no Estreito de Ormuz estão a criar obstáculos à Ferrari no Médio Oriente, uma região historicamente importante para a marca italiana. O problema está sobretudo no risco associado ao tráfego marítimo, que levou o construtor de Maranello a recorrer a uma solução pouco comum: entregar automóveis por via aérea em vez de marítima, escreve a L Automobile Magazine . A região do Golfo tem sido, ao longo de décadas, um mercado natural para os modelos do Cavallino Rampante, impulsionado por clientes de elevado poder de compra e por uma forte tradição de procura por automóveis de luxo. Mas o agravamento da instabilidade geopolítica no Médio Oriente está a afetar a logística e a obrigar a Ferrari a adaptar a sua estratégia comercial. De acordo com informações citadas pelo Financial Times , a marca já recorre a entregas aéreas para o Médio Oriente há algum tempo, procurando contornar as dificuldades criadas pelo tráfego marítimo na zona. Ao mesmo tempo, a Ferrari tem redirecionado parte do foco comercial para outras regiões, nomeadamente a Ásia e as Américas, onde a procura continua elevada. Entregas caem 4,4% no primeiro trimestre No primeiro trimestre, as entregas globais da Ferrari caíram 4,4% face ao mesmo período do ano passado, para 3463 veículos novos. A queda foi mais acentuada na Europa e no Médio Oriente, onde as entregas recuaram 14%. Continue a ler após a publicidade A Ferrari atribui esta quebra sobretudo à renovação da gama de produtos, numa fase em que tem atualizado alguns dos seus modelos, incluindo o lançamento do Amalfi e da respetiva variante Spider. Ainda assim, o impacto no Médio Oriente é sensível, precisamente por se tratar de uma região tradicionalmente relevante para a marca. A resposta passou por compensar a quebra com outros mercados. Na China e na Ásia, as matrículas aumentaram 7,6%, ajudando a equilibrar a redução observada noutras geografias. Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, assegurou que a situação no Médio Oriente está “sob controlo” e que não há cancelamentos de encomendas. A marca sustenta que a procura global continua suficientemente forte para compensar eventuais dificuldades regionais. Continue a ler após a publicidade Carteira de encomendas cheia até ao final de 2027 Apesar das dificuldades logísticas e da queda nas entregas, a Ferrari mantém um discurso otimista. A empresa afirma ter a carteira de encomendas preenchida em todo o mundo até ao final de 2027, um sinal de resiliência num momento em que o mercado de luxo enfrenta sinais de abrandamento. Os resultados financeiros também continuam sólidos. A Ferrari apresentou um lucro antes de impostos de 722 milhões de euros e receitas acima das expectativas dos investidores. Ainda assim, os mercados financeiros reagiram de forma negativa. As ações da Ferrari caíram mais de 3% após a apresentação dos resultados e acumulam uma descida superior a 11% desde o início do ano. Para os investidores, a quebra nas entregas parece ter pesado mais do que a solidez dos resultados financeiros. A L Automobile Magazine nota que o mercado de luxo como um todo atravessa um período menos favorável, com dificuldades também sentidas por marcas premium alemãs na China. Continue a ler após a publicidade Tarifas nos Estados Unidos podem pesar Além da guerra no Irão e das dificuldades no Médio Oriente, a Ferrari enfrenta outro risco: o aumento das tarifas sobre veículos produzidos na Europa e importados para os Estados Unidos. A marca italiana será diretamente afetada por este agravamento, embora o impacto final nos clientes seja ainda incerto. Tratando-se de uma marca de luxo, com compradores menos sensíveis ao preço do que os clientes de construtores generalistas, a Ferrari poderá ter maior margem para absorver ou repercutir esses custos. Ainda assim, o tema é relevante porque os Estados Unidos continuam a ser um mercado essencial para a marca. Primeiro Ferrari elétrico continua envolto em expectativa Entre os próximos grandes momentos da Ferrari está a chegada do primeiro modelo totalmente elétrico da marca, o Luce, que deverá ser apresentado em breve. A carteira de encomendas para este modelo é vista como uma possível boa notícia para o construtor, que avança para a eletrificação antes de rivais como Lamborghini, Aston Martin ou Bentley neste segmento. O projeto continua, no entanto, envolto em mistério. Para a Ferrari, o desafio passa por entrar no universo elétrico sem perder aquilo que distingue a marca: desempenho, exclusividade, som, emoção e identidade mecânica. Para já, a prioridade passa por manter a estabilidade num contexto internacional mais difícil. A guerra no Irão tornou o Médio Oriente mais complexo para a Ferrari, mas a marca tenta responder com logística aérea, redistribuição da procura e uma carteira de encomendas que continua cheia até 2027. Automonitor