SUPERCOMPUTADOR MAIS RÁPIDO DE PORTUGAL (E COM 26 TONELADAS) VAI SER ALIMENTADO COM ENERGIAS RENOVÁVEIS
2023-10-11 11:41:04

O Deucalion é o supercomputador mais rápido de Portugal e entrou diretamente para o ranking dos 500 supercomputadores mais potentes a nível mundial. É o supercomputador mais rápido de Portugal com capacidade de executar 10 milhões de biliões (dez petaflops) de cálculo por segundo. O objetivo é garantir computação de alto desempenho à academia, empresas e administração pública. Foi alvo de um investimento de 20 milhões de euros e vai ser alimentado à base de energias renováveis produzidas localmente. O Deucalion está instalado em Guimarães na Universidade do Minho e foi inaugurado no início de setembro. "Capaz de realizar simulações e modelação nos mais variados domínios científicos, da medicina personalizada ao design de fármacos e novos materiais, da observação da Terra e oceanos ao combate às alterações climáticas e fogos, passando pela criação de smart cities ou pelos veículos autónomos, o novo supercomputador contribuirá também para acelerar a análise de grandes volumes de dados no domínio dos mais recentes algoritmos da Inteligência Artificial", segundo o comunicado do Governo quando o projeto foi inaugurado. Os números do projeto são impressionantes: o Deucalion ocupa duas filas de 26 armários de dois metros de altura, 1.900 metros de cabos de fibra ótica e 2.360 cabos de alta velocidade, "que garantem a rapidez de processamento e um sistema de armazenamento de dados de alto desempenho, a par de uma alta eficiência energética". Até agora, as instituições de ensino superior e investigação tinham computadores, mas com menor capacidade, para uso interno. O Deucalion entrou diretamente para o ranking dos 500 supercomputadores mundiais. O Conselho de Ministros aprovou no início de julho um envelope de sete milhões de euros para que o Deucalion seja alimentado com energias renováveis. O dinheiro vem do Fundo Ambiental (FA) que herdou o projeto dos entretanto extintos Fundo de Apoio à Inovação (FAI) e o Fundo de Eficiência Energética (FEE). A ideia partiu do "Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESCTEC), em parceria com o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI)" que "apresentou junto do FAI e do FEE uma candidatura para obtenção de apoio financeiro com o objetivo de desenvolver um projeto inovador denominado Sustainable HPC - Supercomputador Deucalion, que visa criar uma solução técnica que permita o funcionamento do supercomputador, instalado na Universidade do Minho, Campus de Azurém, em Guimarães, com um consumo tendencialmente baseado exclusivamente em energia de origem renovável e localmente produzida, conduzindo, assim, a uma operação livre de carbono". A resolução do Conselho de Ministros do início de julho, e hoje publicada em DRE, sublinha que a "realização deste projeto pode tornar-se num caso de estudo de referência mundial no âmbito da supercomputação, capaz de agregar a possibilidade de recurso tendencialmente exclusivo a fontes renováveis de energia e simultaneamente aproveitar energeticamente o excedente de calor resultante para utilização comunitária. Trata-se, assim, de um projeto de vanguarda, com uma elevada componente de inovação tecnológica, que irá permitir avaliar tecnologias alternativas e criar uma solução de gestão do sistema com características pré-industriais com um elevado potencial de exploração, nos mercados nacional e internacional". O documento explica que "por motivos vários, o projeto não teve execução financeira em 2021. Com efeito, apesar de o contrato com o consórcio ter sido assinado em junho de 2021, verificaram-se atrasos na entrega de componentes necessários à montagem e funcionamento do supercomputador Deucalion, o que implicou igualmente atraso na execução financeira. Ultrapassados estes constrangimentos, estão garantidas todas as condições para a execução física e financeira do projeto, competindo agora ao FA efetuar a reprogramação temporal e financeira do projeto, de forma a atualizar o prazo necessário para a execução do mesmo, bem como para integrar o apoio financeiro de (euro) 3 174 233,50 que tinha sido assumido pelo FAI". Inicialmente, estava previsto que o supercomputador ficasse instalado no Ave Park em Guimarães, mas "verificou-se a indisponibilidade do edifício previsto para a sua instalação (...) sendo necessário alterar a localização da instalação do supercomputador para o Campus da Universidade do Minho em Azurém". O Deucalion em números 10 milhões de biliões de cálculo por segundo 1900 metros de fibra ótica 2359 cabos High-Speed Interconnect 26 armários de dois metros cada 26 toneladas 20 milhões de euros de investimento André Cabrita-Mendes