URGÊNCIAS DE OBSTETRÍCIA DA PENÍNSULA DE SETÚBAL ESTIVERAM UM TERÇO DO TEMPO FECHADAS
2026-05-06 21:06:31

Regulador analisou período entre Outubro de 2024 e Novembro de 2025 e diz que constrangimentos são restrições efectivas As urgências de ginecologia-obstetrícia da península de Setúbal foram as que apresentaram maiores constrangimentos no país entre Outubro de 2024 e Novembro de 2025. Se a percentagem de dias com constrangimentos nessa região foi estimada em 76,2%, a nível nacional foi de 15,3%. Quando se considera o encerramento total, o retrato não é melhor: a percentagem na península de Setúbal foi de 34,9%, sendo “substancialmente superior à das restantes regiões”, aponta uma monitorização da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Há muito que a falta de recursos humanos, nomeadamente médicos em número suficiente para fazer escalas, tem limitado o funcionamento de várias urgências de ginecologia-obstetrícia. A monitorização da ERS, a que o PÚBLICO teve acesso, recai sobre o período entre 1 de Outubro de 2024 e 30 de Novembro de 2025. O retrato é traçado com informação recolhida junto das unidades locais de saúde (ULS) e Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. No período em análise, em determinadas zonas do país, aceder a uma urgência de ginecologia-obstetrícia já se mostrava para muitas mulheres um desafio complicado e, por vezes, com muitos quilómetros pela frente. “Os constrangimentos decorrentes de limitações dos prestadores, designadamente por insuficiência de recursos humanos e/ou por condicionantes de capacidade instalada, reflectem-se em restrições efectivas ao acesso”, aponta a ERS, que usou duas métricas para apurar a existência de constrangimentos e que avaliam nove regiões estatísticas organizadas por NUTS II. Uma, mais alargada, que teve em conta a classificação de “urgência referenciada INEM/ CODU” e/ou “fechada” e o encerramento durante uma ou mais horas em dias em que a urgência se pressupunha abertura. Os resultados evidenciam que as áreas da península de Setúbal (76,2%), Oeste e Vale do Tejo (33,2%) e Grande Lisboa (16,2%) “apresentaram percentagens de SU/dia [serviço de urgência/dia] com constrangimento superior ao valor nacional, estimado em 15,3%”. Já o Norte e Alentejo “registaram as menores percentagens”: 0,7% e 0,4%. O regulador foi mais longe e usou uma segunda métrica, mais restritiva, para avaliar os constrangimentos. Nesta, foi considerado exclusivamente os SU/dia em que o estado observado da urgência foi “fechado”. A percentagem na península de Setúbal “reduz-se para 34,9%”, mas mesmo assim “substancialmente superior às restantes regiões”. A segunda percentagem mais alta foi a NUTS II Oeste e Vale do Tejo com 15,6%, enquanto a média nacional foi de 6,2%. Nas áreas com valores acima do nacional, a ERS destaca os hospitais com maior percentagem de SU/dia no estado “fechado”. Na península de Setúbal foi o Hospital do Barreiro com 55,2%; no Oeste e Vale do Tejo o de Santarém com 23%; e na Grande Lisboa o de Vila Franca de Xira com 23,9%. Para avaliar a procura, a ERS estimou os rácios do número de episódios de urgência por 100 mulheres em idade fértil. As regiões centro (24,2), Grande Lisboa (24,8) e Algarve (23,7) apresentaram os rácios de utilização do SU por mulheres em idade fértil superiores. Em contraste, Oeste e Vale do Tejo (11,5) e península de Setúbal (15,2) “registam os rácios mais baixos, face à procura potencial, regiões onde houve maiores constrangimentos na disponibilidade do SU”. No que respeita à percentagem de episódios de urgência que resultaram em internamento, “península de Setúbal, Algarve e Alentejo apresentam os valores mais elevados”. Mais salas de parto a norte A monitorização da ERS identificou 40 hospitais com urgências de ginecologia-obstetrícia. A nível regional, a maior proporção de salas de parto situava-se na região norte (38,5%), “em consonância com a maior concentração” de urgências nesta região, seguindo-se a Grande Lisboa (22,0%) e a área centro (16,5%). Padronizando este número por 100 mil mulheres em idade fértil, “verifi# ca-se que a península de Setúbal apresentava o rácio mais elevado (11), enquanto as regiões norte e centro registavam, ambas, um rácio de 10,9, valores superiores à média nacional (10,3)”. Já o “Alentejo apresentava a menor proporção de salas de parto (2,8%) e o rácio mais baixo (6,7)”. Perante estas dificuldades de resposta, o Governo implementou inicialmente na região de Lisboa e Vale do Tejo o acesso referenciado à urgência (foi posteriormente alargado a todo o país). Além de outros mecanismos que procuraram garantir que em determinadas regiões existisse “pelo menos um ponto de acesso a esta valência de cuidados”. Face à falta de profissionais, este ano o Governo avançou com duas urgências regionais de ginecologiaobstetrícia. A primeira entre os hospitais de Loures e Vila Franca de Xira, ficando este último com partos programados e consultas e a urgência em Loures. A segunda na península de Setúbal, com a urgência a funcionar no Garcia de Orta, em Almada. Península de Setúbal, Oeste e Vale do Tejo e Grande Lisboa tiveram constrangimentos superiores ao valor nacional Urgência regional da Margem Sul está sediada no Garcia de Orta Ana Maia