“NECESSIDADE URGENTE” DE INVESTIMENTO NA DEFESA TRAZ OPORTUNIDADES PARA INDÚSTRIA, MAS NEM TODAS AS EMPRESAS VÃO LÁ CHEGAR
2026-05-06 21:06:31

Presidente da IdD Portugal Defence explica que planos de investimento querem incluir empresas portuguesas, mas nem todas conseguirão beneficiar destes programas. Depois de ter feito história no ano passado, ao cumprir, pela primeira vez, a meta de um investimento mínimo de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, Portugal vai continuar a reforçar este investimento. Apenas no âmbito do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE), o país candidatou-se com um plano de 5,8 mil milhões de euros para reequipar as suas Forças Armadas. Investimentos avultados nos quais os organismos públicos querem incluir as empresas portuguesas, para deixar parte deste dinheiro no país, e que surgem como uma “oportunidade” única para a indústria. Mas nem todas as empresas serão capazes de ganhar com esta aposta na defesa. O empréstimo europeu SAFE “é um programa que responde a uma necessidade urgente dos países recuperarem a falta de investimento que houve nas últimas décadas“, destaca Ricardo Pinheiro Alves, presidente da idD Portugal Defence em declarações ao ECO/eRadar, à margem do Fórum Económico Famalicão Made IN, sob o tema “A Melhor Defesa é a Inovação”. “Há projetos de investimento nos vários domínios e o que estamos a fazer no IdD, em coordenação com o Ministério da Defesa, é, na medida do possível, integrar ao máximo as empresas portuguesas nestes programas“, explicou Ricardo Pinheiro Alves. Falando concretamente sobre as negociações para substituir os F-16 da Força Aérea, o presidente da idD afirma que “não há nada fechado”, mas “o aspeto de colocar a produção em Portugal deve ser sempre levado em conta, isso não há dúvida alguma em qualquer aquisição que o Estado português faça”. Dito isto, Pinheiro Alves realça que “há equipamentos completamente diferentes, há muitos que são produzidos em Portugal”. A fabricante sueca Saab é um das empresas que se está a posicionar para a venda de caças a Portugal, para renovar a atual frota de F-16 em fim de vida, e admitia incluir fornecedores nacionais na sua cadeia de fornecimento, tendo fechado memorandos de entendimento com a Critical Software, com a OGMA, bem como a idD Portugal Defence - entidade que agrega as participações do Estado português nas empresas de defesa nacionais - e com a AED Cluster, associação que reúne empresas do setor de defesa e aeroespacial. Apesar de a empresa destacar que “Portugal já está a participar na construção do [caça] Gripen” - além da Critical Software (que está a desenvolver um simulador com IA para treinar os pilotos dos caças), as empresas Thyssenkrupp em Portugal, Kristaltek e a Vangest já fecharam contratos ou estão prestes a fechar para integrar cadeia de fornecimento da fabricante sueca - ainda nada está decidido sobre qual será a escolha do país nesta matéria. Mas, as compras militares de Portugal serão muito mais abrangentes, incluindo fragatas, drones, satélites ou veículos médios de combate. Aquisições que poderão contemplar a indústria nacional de variadas formas. Seja nos caças, seja na Marinha, seja no Exército, seja no ciber, seja no espaço, é claramente uma oportunidade para a indústria portuguesa se desenvolver. Ricardo Pinheiro Alves Presidente da idD Portugal Defence “Uma das formas que temos de ajudar a indústria é, além das compras diretas a produtores portugueses - que pode ser feito também - via investimento direto estrangeiro. Aproveitando as compras que Portugal faz, as empresas que nos vendem os equipamentos virem investir e virem produzir em Portugal, e dessa forma integrarem fornecedores portugueses“, esclarece o presidente da idD. “E mesmo nas próprias compras dos equipamentos, mesmo que não haja investimento, há sempre alterações que têm que ser feitas nos equipamentos para responder às necessidades dos ramos, e essas alterações serem feitas com base em empresas portuguesas“, reforça. “Seja nos caças, seja na Marinha, seja no Exército, seja no ciber, seja no espaço, é claramente uma oportunidade para a indústria portuguesa se desenvolver e participar mais”, destaca o presidente da idD Portugal Defence, destacando que “o ano passado foi o melhor ano de desempenho da indústria portuguesa [na defesa], o que é normal, porque está-se a recuperar uma fase em que não houve investimento”. Apesar de esta ser uma oportunidade única, o presidente da idD Portugal Defence esclarece que não vai dizer que “todas as empresas vão participar para não estar a criar-se grandes falsas expectativas”. “Agora, há empresas que têm capacidade claramente de participar e estão a participar nos projetos, ou vão participar nos projetos“, remata. À conquista dos EUA De regresso de uma visita com 22 empresas aos EUA, Ricardo Pinheiro Alves mostrou-se muito satisfeito com o interesse da indústria em participar nesta promoção, reconhecendo que “o mercado americano é muito grande: É uma vez e meia o mercado europeu de todos os países da Europa”. “Por razões óbvias, os Estados Unidos investem muito em defesa, o cliente final é sempre os Estados Unidos“. “Há várias empresas portuguesas que já estão nos Estados Unidos, já têm instalações nos Estados Unidos. A ideia era levar essas empresas, que já lá estão, já conhecem alguma coisa do mercado, e levar outras para ver se tinham a possibilidade de aproveitar o potencial do mercado norte-americano”, adianta, acrescentando que o objetivo é facilitar esse contacto, para que possam perceber como funciona o mercado. Embora não se tenham fechado negócios, Ricardo Pinheiro Alves admite que o “feedback” das empresas “é que fizeram contactos muito bons“. Patrícia Abreu