MÉDICOS DENUNCIAM GESTÃO NA ULS DE BRAGA COM DOENTES “PERDIDOS” NO SISTEMA E CIRURGIAS CANCELADAS
2026-05-06 21:06:30

Carta aberta recebida pelo Sindicato dos Médicos do Norte relata utentes sem consulta, exames caducados e pressões sobre autonomia técnica; falhas informáticas e gestão de recursos humanos na mira Não é propriamente novidade que os sistemas informáticos no SNS andam a dar dores de cabeça, mas o que chegou agora ao conhecimento do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) ultrapassa o mero contratempo. Uma carta aberta, subscrita por clínicos da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, descreve um cenário onde utentes simplesmente “se perdem” na transição para o programa SClínico. Lançado em julho de 2025, o novo software terá gerado uma autêntica debandada de informação clínica: há pedidos de exames que caducaram à espera de agendamento, relatórios que ninguém consegue recuperar e agendas duplicadas. E depois há consultas que até constam no sistema, mas que na realidade não existem, o que atira os doentes para um insólito vai-e-vem sem qualquer assistência efetiva. A questão, para quem assina o documento, não é apenas logística. A autonomia técnica dos especialistas estará também ameaçada, com a direção clínica dos cuidados primários a meter-se em decisões que, teoricamente, pertencem aos chefes de serviço hospitalar. Isto quando, ao mesmo tempo, se assiste a uma saída de médicos de áreas sensíveis como a Dermatologia, Radiologia e Gastrenterologia. E depois há o problema das cirurgias: doentes oncológicos viram os seus procedimentos cancelados, alegadamente devido a uma gestão caótica das camas de internamento. No que toca à chamada cirurgia adicional, a carta aponta para possíveis irregularidades , redução da atividade eletiva, um empurrão para o setor privado que deixa má impressão, e ainda diferenças de remuneração entre especialidades que levantam questões de equidade e até de legalidade. Acresce a falta de transparência em concursos públicos, com processos e vagas por concluir. Perante a gravidade das situações relatadas, o SMN decidiu não ficar de braços cruzados. Já enviou pedidos de esclarecimento formal ao Conselho de Administração da ULS de Braga e requereu a marcação urgente de uma reunião. O objetivo é apurar os factos e discutir soluções que garantam o cumprimento dos princípios de legalidade, equidade e respeito pelos profissionais e pelos utentes. A Comissão Executiva do Sindicato dos Médicos do Norte, liderada por Joana Bordalo e Sá (também vice-presidente da FNAM), reafirma o compromisso com a defesa do Serviço Nacional de Saúde, dos seus profissionais e da qualidade dos cuidados prestados à população. NR/HN/Lusa Carta aberta recebida pelo Sindicato dos Médicos do Norte relata utentes sem consulta, exames caducados e pressões sobre autonomia técnica; falhas informáticas e gestão de recursos humanos na mira [Additional Text]: dados_female-doctor-holding-notepad-with-blue-background-2026-01-09-14-58-23-utc_por ESBBasics_ENVATO