CONTINUAM A DIZER QUE NÃO HÁ VIOLÊNCIA NA EXTREMA-ESQUERDA?
2026-05-06 21:06:30

A PSP (que investiga os seus agentes), Mariana Vieira da Silva (que nunca teve uma ideia autónoma) e os que não querem ver (e ignoram a violência da extrema-esquerda) são o Bom, o Mau e o Vilão. Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. O Miguel Pinheiro já está conosco para mais um Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador. Olá, Miguel, bom dia. Bom dia. Miguel, o teu bom é a PSP? É a PSP porque, como se sabe, está a ser investigado um caso grave que envolve suspeitas de tortura, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa. É obviamente inaceitável e assustador que policías possam ter feito isto. Eu queria notar um ponto importante: a PSP denunciou este caso ao Ministério Público, a PSP participou na investigação e ontem a PSP executou os mandados de busca e de detenção de mais 15 policías que fazem parte da PSP. E esta é a melhor mensagem que se poderia passar à sociedade portuguesa neste momento. É a própria PSP que faz questão de fazer parte destas ações. Sabendo disso, aliás, é ainda mais estranho ver André Ventura torcer a coluna todinha para, a propósito deste caso, vir dizer que o grande problema é os policías não terem meios pra atuar no dia a dia. Aquilo que André Ventura tem pra dizer num dia destes e num tema sobre estes é algo que não tem nada a ver com o assunto. Os policías de bem sabem perfeitamente que têm a missão de tornar claro que não têm nada a ver com os agentes que fizeram estas coisas e, por isso, os policías de bem só podem ficar com vergonha alheia ao ouvirem André Ventura, porque na verdade aquelas declarações só os prejudicam. Dão a entender que é preciso falar de outro assunto rapidamente, porque de alguma forma isto pode manchar a própria polícia. Bem, o que é preciso é que isto não manche a polícia e que seja um assunto que fique com quem fez estas coisas. Daí a importância de ser a própria PSP, como começaste, a liderar a investigação e tudo aquilo que houver a fazer neste caso. Sim, é mostrar que não tem nenhuns problemas em investigar os seus próprios agentes e que o fará sempre que isso for necessário. É a melhor defesa que se pode ter. É uma tranquilidade pra todos. E depois vemos André Ventura a fazer estas coisas. Enfim. Miguel, o teu mau tem ambições. Muitas ambições. Mariana Vieira da Silva, atual deputada, antiga ministra de António Costa, deu uma entrevista à Antena 1 onde recusou afastar a hipótese de um dia se candidatar à liderança do PS. E a frase foi esta: "Não me vou excluir para sempre desse caminho." Ora, vamos ver. Qualquer pessoa que tenha uns quantos anos de militância e que tenha as quotas em dia pode, em tese, candidatar-se a líder do PS. Por isso, claro que Mariana Vieira da Silva pode um dia ter esse desvario. Mas honestamente, eu acho que as pessoas devem conhecer-se a si próprias. Eu não tenho nada contra Mariana Vieira da Silva, não é nada disso. Acho que fez ali uns disparates politicamente, não a conheço, penso que já nos cumprimentamos, já nos cruzamos, não tenho nada contra, mas vamos ver. Mariana Vieira da Silva foi uma das pessoas mais influentes dos governos em Portugal entre 2015 e 2024. Primeiro foi secretária de Estado do primeiro-ministro e depois foi ministra. Esteve no centro do poder durante estes anos todos, mas ninguém sabe verdadeiramente o que ela pensa, porque durante todos esses muitos anos, Mariana Vieira da Silva limitou-se a executar tudo aquilo que António Costa lhe pedia. Nunca teve um pensamento próprio. Quer dizer, terá tido nas reuniões lá entre eles, mas isso não interessa, o que interessa é o país. Para o país, nunca teve um pensamento próprio, nunca teve uma ideia original, nunca se atravessou por uma convicção forte. Eu suspeito que quando saia à rua, por um lado, pouca gente a reconhecerá, mas mesmo que a reconheçam, não sabem seguramente o que ela pensa. E, portanto, neste momento ela não afasta a hipótese de ser líder do PS, tal como eu não afasto a hipótese de ser campeão mundial de snooker. Lá está. Olha, olha. Este ano foi o, como é que ele se chama, Paulo? O chinês, o Wu Yze. O Wu Yze. E por outro pode ser eu, com certeza. Aquilo é só pegar, bater numa bola e depois a bola acho que tem que bater noutra, tem que entrar num sítio qualquer. É uma coisa que anda à volta disto. Parece fácil, não é? Não, mas ó Paulo, podemos dizer que eu não sou capaz? Não podemos. Em tese, é possível, mas depois quando olhamos pra realidade, somos forçados a reconhecer que há coisas que se calhar não fazem muito sentido. E portanto, acho que Mariana Vieira da Silva, que teve aqueles anos todos pra brilhar e pra se apresentar ao país e pra se transformar numa figura incontornável da política portuguesa, se não fez isso naqueles anos todos, entre 2015 e 2024, são muitos anos, se não fez isso naquela alturaQuero dizer, é agora de repente que vai começar a ganhar jogos de snooker? Pois, não construiu a sua própria personalidade política. Certo. Portanto, ser líder do PS. Foi estar à sombra de uma outra pessoa. Certo, com certeza. Pronto. Quem é o teu vilão de hoje, Miguel? São os que não querem ver, porque esta semana houve uma conferência sobre violência que juntou pessoas da PJ e do SIS, e aí foi lembrada uma conclusão do último relatório anual de segurança interna. O Expresso até fez uma notícia sobre isto. E essa conclusão é a seguinte: existe um agravamento dos atos de violência antissemita levados a cabo por organizações de extrema-esquerda. Isso vem acontecendo em Portugal e tem como alvos entidades oficiais com alguma ligação a Israel, empresas e também cidadãos. E o combustível para esta violência é a Palestina, claro, que serve de desculpa para tudo. E este é um alerta para aqueles que dizem que não existe violência política na extrema-esquerda, só existe violência política na extrema-direita. Aliás, nós temos hoje no Observador um artigo sobre como as autoridades alemãs estão agora finalmente preocupadas com o terrorismo de extrema-esquerda. Depois de anos de negligência, eles próprios admitem que durante anos só estiveram preocupados com o terrorismo de extrema-direita e o terrorismo islâmico, e que agora, de repente, percebem que têm ali um grande problema. Isto é também um aviso para todos aqueles que acham que a violência da extrema-esquerda não é antissemita, é apenas, estou aqui a pôr umas aspas, antissionista, ou não é contra os judeus, mas é apenas, mais umas aspas, contra Netanyahu. A verdade é que a violência não faz essas distinções. E se a PJ não estiver muito atenta, um dia nós vamos ter uma desgraça. E eu só me espanto como é que depois disto continua a haver quem defenda que não há violência na extrema-esquerda. Acho que não estás a ver bem. Não é violência de extrema-esquerda, é ativismo. Pois. Há conceitos que temos que interiorizar. É verdade, peço imensa desculpa. Vamos começar do início e eu substituo as palavras. Miguel, quarta-feira é dia de Realpolitik, do que vais falar com o Sérgio Sousa Pinto? Vamos falar um pouco sobre este pacto para a saúde que o presidente da República quer agora pôr em prática, tentar perceber se isto é a solução para os nossos problemas no SNS ou não. Queremos também falar um pouco sobre esta medida conhecida esta semana de oferecer aos jovens uma carta de condução e 400 EUR para eles irem passar três semanas num quartel, se isto é a solução para os nossos problemas de defesa. E também talvez dê para falarmos um pouco sobre o código laboral. Quinta-feira é a reunião supostamente decisiva. Realpolitik para ouvir logo a seguir ao jornal do meio-dia. Quanto ao Bom, Mau e o Vilão desta quarta-feira, o bom é a PSP, o mau é Mariana Vieira da Silva e o vilão são os que não querem ver. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos fica disponível em podcast. Miguel Pinheiro