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DIAGNÓSTICO DO SNS? É COMPLICADO

Expresso Online

2026-05-06 21:06:30

Bom dia. Se a análise do SNS à qual o Expresso teve acesso fosse um boletim de análises clínicas, não faltariam aquelas setinhas a negrito que indicam colesterol a subir ou ferro a descer, alertando o utente para a necessidade de cuidar da sua saúde. Feito pela Administração Central do Sistema de Saúde, o documento apresenta valores preocupantes: no último ano, a prestação assistencial aos doentes diminuiu nas consultas, nas cirurgias e nos doentes com alta hospitalar. Também os tempos de espera aumentaram: há mais inscritos para cirurgia e maior demora para quem está na lista, escreve Vera Lúcia Arreigoso, que leu o relatório a ser publicado no Portal da Transparência. Outros dados a ter em conta: mais de 84.500 doentes que aguardam cirurgia têm já uma demora além do que é clinicamente indicado - um aumento de 15% face a 2025. Nem tudo é negativo: o SNS tem agora mais profissionais e nos centros de saúde também se registam melhorias, com 85,1% dos utentes com médico atribuído , uma subtil mas bem-vinda subida de 0,1% em relação ao ano passado. Mais pagamentos em atraso e o aumento da dívida total a fornecedores ajudam a pintar um retrato desanimador, compensado pelas melhoras na afluência às urgências hospitalares. São números que Adalberto Campo Fernandes, o novo coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde, levará com certeza para as quase 50 reuniões que tem marcadas com representantes do governo, dos partidos e do setor. O primeiro encontro aconteceu esta segunda-feira, com a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e foi conhecido através de uma publicação daquela tutela nas redes sociais. O plano de Belém, soube o Expresso, passa por ouvir vários agentes do setor de forma “intensa e não publicitada”, ou seja, não será a Presidência da República a dar conhecimento dos encontros, mas sim os seus interlocutores, assim o entendam. Os encontros terão lugar até março do próximo ano, isto é, até ao final do primeiro ano do mandato de António José Seguro, que durante a campanha prometeu dar prioridade à saúde e direcionar a cultura política para o diálogo e os consensos. Parente pobre da já remediada saúde em Portugal, a saúde mental é cada vez mais discutida, mas continuam a falar meios para acautelá-la. Num estudo promovido pela Associação Académica da capital, mais de metade dos estudantes da Universidade de Lisboa dizem que já ponderaram desistir da faculdade por se sentirem “psicologicamente esgotados”. Entre os bolseiros, a proporção chega quase aos 80%, o que sugere “maior vulnerabilidade emocional ou pressão acumulada” entre os estudantes que recebem apoio social. Dos ouvidos, numa amostra maioritariamente feminina e composta sobretudo por estudantes das faculdades de Letras e de Direito, apenas 5% dizem nunca ter tido crises de ansiedade; 41% confessam ter problemas de sono e 44% admitem que sentem vontade de se isolar. A preocupação com a situação financeira é citada por mais de metade como nociva à sua saúde mental, valor que entre os bolseiros sobe para 66%. “Não podemos dissociar a problemática habitacional e do custo de vida da questão psicológica”, alerta Gonçalo Osório de Castro, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, ao Expresso. O apoio psicológico que 66% dos inquiridos dizem já ter recebido foi prestado sobretudo pelo setor privado, ignorando a maioria dos estudantes a existência do “cheque-psicólogo”, que garante consultas gratuitas a alunos do ensino superior. Também notícia esta terça-feira, e também sinal de doença, eventualmente social, é a existência de mais 15 polícias detidos no caso de tortura na Esquadra do Rato, em Lisboa. No inquérito, escreve Hugo Franco, investiga-se a eventual prática de crimes de “tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas”. O único agente acusado de violação está preso preventivamente na prisão de Évora. À época dos crimes de que é suspeito, que incluem abuso de poder, tortura, posse de arma proibida e roubo, tinha apenas 21 anos. Despeço-me com um convite para continuar a acompanhar o trabalho que a redação do Expresso está a desenvolver, esta semana, a partir de Leiria. Assinalando o marco de 100 dias sobre a passagem da Tempestade Kristin pela zona centro do país, muitas das notícias são por estes dias enviadas da região que no final de janeiro ficou parcialmente destruída , mas onde a esperança, que pode ir da cultura ao desporto, também grassa. Se foi afetado pela tempestade e o seu problema continua por resolver, conte-nos tudo. OUTRAS NOTÍCIAS Tropa O PSD e o CDS querem atrair jovens para a vida militar, oferecendo em troca de seis semanas de experiência um valor de 439 euros e a carta de condução.Os custos estimados são de 4,5 milhões de euros por cada dois mil jovens, escreve o Expresso. SIRESP O novo Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal só estará operacional dentro de 10 anos e poderá custar 800 milhões de euros. Nacionalidade Promulgada no domingo, a nova Lei da Nacionalidade aperta os critérios de aquisição e concessão de cidadania aos estrangeiros residentes em Portugal. Está tudo aqui. Entretanto, foi chumbada a lei do Governo para expulsão de estrangeiros. Guerra Trump afirmou que vai suspender temporariamente a “Operação Liberdade”, lançada para escoltar navios comerciais no estreito de Ormuz, abrindo espaço às negociações com o Irão. Stones Chegou In the Stars , primeiro single do novo álbum dos Rolling Stones, “Foreign Tongues”. O disco sai em julho e tem convidados como Robert Smith, dos The Cure, e Sir Paul McCartney. Campeões Depois de eliminar o Sporting, o Arsenal está na final da Liga dos Campeões. Ontem bateu o Atlético de Madrid e a 30 de maio jogará em Budapeste com o PSG ou o Bayern de Munique. FRASES "Além do absurdo e irrealismo - que mostra populismo em excesso -, eu que tanto tenho defendido que o PSD procure a maioria que não tem, com a IL e com o Chega, que são partidos não socialistas Quando as coisas assumem este caráter, eu pergunto: são não socialistas? Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma", Pedro Passos Coelho comenta a proposta do Chega, numa intervenção à porta fechada para estudantes da Nova SBE “E se o país ficar sem governo, acaba? Há experiências prometedoras na Bélgica e em Itália; aí, pelo contrário, os países progrediram porque não tinham a burocracia às costas. Se o Governo não fizer nada, já sabemos que não há problema, mas a minha tese é mais profunda; baseia-se na ideia de que para não fazer nada, não faz falta ninguém; nem um Governo. Pense-se nisso. Sem antolhos nem preconceitos”, Henrique Monteiro, colunista do Expresso “Não me vou excluir para sempre”, Mariana Vieira da Silva, sobre possibilidade de vir a disputar liderança do PS, à RTP Antena 1 “Não conseguimos ir a lado nenhum, privacidade zero. Quando entramos no quarto do hotel, benzemo-nos todos os dias”, David Mendonça, da banda Vizinhos, autora do êxito Por do Sol , no podcast Posto Emissor PODCASTS Expresso da Manhã Já a pensar nas férias? Pior do que ser caro será se o seu voo não existir. Paulo Baldaia ouve António Moura Portugal, Director Executivo da RENA - Associação das Companhias Aéreas em Portugal O Prazer é Todo Meu A médica e sexóloga Mafalda Cruz conversa com o pediatra Hugo Rodrigues sobre um dos maiores desafios da parentalidade: quando e como falar com os filhos sobre sexualidade. O que ando a ver “Quem tem medo de Zurita de Oliveira?”, filme de Francisca Marvão (Indie Lisboa, 10 de maio, no Cinema Ideal) Tão fértil em grandes estrelas como em ilustres desconhecidos, a história do rock continua, décadas após a sua eclosão, a surpreender-nos com figuras improváveis. É o caso de Zurita de Oliveira, a quem o epíteto de “mãe do rock português” parece cair bem, ainda que, até à estreia do documentário que a realizadora Francisca Marvão lhe dedicou, poucos conhecessem o seu nome. Nascida em Alcanena em 1931, meia-irmã do ator Camilo de Oliveira, Zurita era, concordam aqueles que dão o seu testemunho no filme, uma mulher à frente do seu tempo. Gostava de caçar, lembra um antigo companheiro de banda; queria usar calças e praticar boxe, acrescenta uma familiar. Mas o que a imortalizou, ainda que de forma discreta, foi o papel pioneiro no rock feito em Portugal: terá sido dela o primeiro registo do género, um EP de título “O Bonitão do Rock”, lançado em 1960. Também escreveria vários fados para Ada de Castro, assinando com os apelidos, Costa de Oliveira. “Não seria bem aceite ou credível que uma mulher, naquela altura, assinasse várias canções. Era uma área eminentemente masculina”, explica à BLITZ o investigador Carlos Callixto, que ajudou Francisca Marvão a fazer um documentário que, perante a escassez de imagens da época, recorre à criatividade , e a um punhado de artistas contemporâneas, d A Garota Não às Anarchicks , para imaginar quem foi Zurita de Oliveira, e porque é que a história quase apagou o seu legado na arte elétrica portuguesa. Estreado numa sala cheia e entusiasta no passado dia 1, o filme pode ser visto novamente no próximo domingo, 10 de maio, no Cinema Ideal, em Lisboa. Tenha um ótima quarta-feira e continue a acompanhar toda a atualidade no site do Expresso, da SIC Notícias, da BLITZ e da Tribuna.