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EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA LEVA CICATRIZES DO CANCRO DO OVÁRIO PARA DENTRO DO HOSPITAL

HealthNews Online

2026-05-06 21:06:29

Imagens de mulheres com cancros ginecológicos ocupam Hospital São Francisco Xavier para combater estigmas, aproximar doentes de profissionais e alertar para sintomas inespecíficos da doença Crédito da imagem: Miguel Valle de Figueiredo O corpo fala, mas nem sempre é ouvido. No caso do cancro do ovário, os sinais são tão vagos , inchaço, cansaço, uma dor pélvica que vai e volta , que muitas mulheres demoram a procurar ajuda. E quando o diagnóstico chega, muitas vezes já é tarde. Os números do Globocan, relativos a 2022, dão conta de 682 novos casos e 472 mortes em Portugal. Dados frios que a Associação MOG , Movimento Oncológico Ginecológico quis transformar em rostos, expressões e, sim, cicatrizes. A terceira edição da exposição Cicatrizes na Primeira Pessoa abre no dia 7 de maio, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, e fica até dia 30. É a primeira vez que a mostra entra num espaço hospitalar. Antes, passou pelo Museu da Fundação Oriente e pelo i3S, no Porto. Desta vez, a parceria com a associação Unidas para Vencer permitiu esta mudança de cenário. “A iniciativa aproxima pessoas com doença e profissionais de saúde, num contexto diferente do habitual, em que se dá ênfase a dimensões humanas e emocionais, e não só a aspetos clínicos”, explica Cláudia Fraga, presidente da MOG. As fotografias são assinadas por Miguel Valle de Figueiredo e Sandra Carmo. Nelas, mulheres que enfrentaram ou enfrentam cancros ginecológicos mostram-se sem máscaras. Ou melhor: mostram as marcas que a cirurgia, a quimioterapia ou a radioterapia deixaram. “Quem vê caras, não vê cicatrizes Estas imagens mostram aquilo que, habitualmente, não está à vista de todos. Olhando para os rostos destas mulheres, não vemos cicatrizes”, descreve Cláudia Fraga. E acrescenta, num tom mais pessoal: “É o poder da imagem a mostrar novas camadas de significado e a comunicar uma mensagem que gera empatia, identificação, e suscita uma reflexão sobre o assunto.” Mas a presidente da MOG não esconde a outra face da iniciativa: “constitui uma mensagem para quem vive com a doença, incentivando a não desistir do processo e aceitar um corpo diferente, porque são as cicatrizes que nos mantêm vivas. Estas são marcas de superação e sobrevivência. E muito ânimo alto por estarmos vivas.” A frase sai um pouco desalinhada, quase como se a emoção ultrapassasse o discurso cuidado , e talvez seja mesmo essa a intenção. O desconhecimento à volta do cancro do ovário continua a ser um obstáculo enorme. Os sintomas , inchaço abdominal persistente, dor pélvica, sensação de enfartamento, alterações urinárias e intestinais , são facilmente confundidos com outras condições menos graves. “Quanto mais abordarmos o tema, sob diferentes perspetivas e com diferentes iniciativas, mais as mulheres e os profissionais de saúde estarão atentos e poder-se-á contribuir para o diagnóstico precoce da doença”, reforça. E depois há uma camada mais profunda, que poucos discutem abertamente. “Estamos a falar de cancros que foram secundarizados, durante décadas, por serem doenças de mulheres”, afirma Cláudia Fraga, sem rodeios. “É fundamental alterar essa situação, agilizar o diagnóstico, fazer um encaminhamento célere das mulheres para exames complementares de diagnóstico e consultas de especialidade, garantir o acesso a equipas multidisciplinares e a terapêuticas inovadoras, para que possamos, em conjunto, contribuir para melhorar a qualidade de vida das mulheres com estas doenças.” A exposição Cicatrizes na Primeira Pessoa não promete respostas milagrosas. Mas, ao colocar as imagens no coração de um hospital , onde o olhar clínico tantas vezes se sobrepõe ao humano ,, força um pequeno desassossego. E talvez seja disso que se trata: de olhar para uma cicatriz e ver não apenas uma linha na pele, mas uma história que insiste em continuar. PR/HN/MM Imagens de mulheres com cancros ginecológicos ocupam Hospital São Francisco Xavier para combater estigmas, aproximar doentes de profissionais e alertar para sintomas inespecíficos da doença [Additional Text]: Cicatrizes 01_Miguel Valle de Figueiredo