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GOVERNO DAS CANÁRIAS REJEITA ESCALA DE CRUZEIRO COM SURTO DE HANTAVÍRUS E PEDE "REUNIÃO URGENTE" COM SÁNCHEZ

Diário de Notícias Online

2026-05-06 21:06:29

Susete Henriques A ministra da Saúde espanhola afirmou esta quarta-feira, 6 de maio, que o navio cruzeiro MV Hondius, onde foi detetado um surto de hantavírus, deverá atracar em Tenerife "dentro de três dias", depois de o presidente do Governo das Canárias ter rejeitado a escala no arquipélago, tendo pedido uma "reunião urgente" ao primeiro-ministro Pedro Sánchez. O Ministério da Saúde espanhol já tinha informado na terça-feira que as Canárias iriam receber a embarcação, mediante um protocolo definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC). Fernando Clavijo, presidente do Executivo das Canárias considerou, no entanto, que a decisão de Madrid não se baseia em "nenhum critério técnico". Carece de "informações suficientes para manter a calma e garantir a segurança da população das Ilhas Canárias", afirmou em declarações à rádio Onda Cero. Nesse sentido, pediu uma "reunião urgente" com o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez. “Não posso permitir que entre nas Canárias”, reforçou, citado pelo El País. Clavijo criticou o governo espanhol por “deslealdade institucional” e falta de profissionalismo por não o ter mantido informado sobre a situação. Afirmou ainda que a ministra da Saúde, Mónica García, não lhe deu explicações sobre os critérios seguidos pela OMS. O Ministro da Política Territorial, já veio, porém, assegurar que o Governo tem estado em "contacto permanente" com o presidente do executivo das Canárias. Ángel Víctor Torres, citado pelo El País, afirmou que estava previsto que o navio fosse transferido para os Países Baixos, "mas as circunstâncias mudaram na sequência de uma comunicação oficial vinculativa da OMS", que "transmite ao Governo de Espanha a necessidade de esse navio ser encaminhado para o porto mais próximo do nosso país", e que o mais próximo de Cabo Verde, "que, neste caso, são as Canárias". Passageiros que continuam a bordo do Hondius estão assintomáticos, diz ministra da Saúde espanhola Após reunião de urgência, convocada por Pedro Sánchez, a ministra da Saúde informou que os 14 espanhóis a bordo do cruzeiro vão ser "avaliados e examinados assim que chegarem às Canárias e serão transportados num avião militar para a base militar de Torrejón e, de lá, para o hospital militar Gómez Ulla, em Madrid". Mónica García disse, em conferência de imprensa, que todos os passageiros que continuam a bordo do Hondius estão assintomáticos. A ministra explicou que os cidadãos espanhóis serão submetidos aos "protocolos sanitários necessários". "Vamos ter um cuidado especial com a segurança, vamos proteger não só as pessoas que chegarem, mas também tomar as medidas de saúde pública necessárias, de modo a que, se houver alguma pessoa com sintomas, esta não possa transmitir a doença à população e fique em quarentena no hospital Gómez Ulla, em Madrid", informou. O presidente das Ilhas Canárias lamentou a ausência do governo do arquipélago na reunião do Executivo de Sánchez. O povo das Canárias "merece respeito, informação e lealdade institucional", disse Clavijo, citado pelos media espanhóis, voltando a pedir uma reunião urgente com o primeiro-ministro. Clavijo voltou a considerar que “não faz sentido” que Hondius faça escala no arquipélago. Antes, o Partido Popular (PP), pela voz de Carmen Fúnez, já tinha exigido "informações corretas e constantes" do Governo sobre a situação. "Numa crise sanitária, a clareza é essencial. A confusão em torno do hantavírus é inaceitável. Partilhamos com o Governo a necessidade de transmitir tranquilidade, mas exigimos informações concretas e constantes. O nosso apoio aos afetados, especialmente aos 14 espanhóis", escreveu Fúnez, secretária adjunta de Saúde e Política Social do PP, nas redes sociais. En una crisis sanitaria la claridad es esencial. La confusión sobre el hantavirus es inaceptable. Compartimos con el Gobierno la necesidad de trasladar tranquilidad, pero exigimos información concreta y constante. Nuestro apoyo a los afectados, especialmente a los 14 españoles. - Carmen Fúnez (@carmenfunezdg) May 6, 2026 Segundo a informação do Ministério da Saúde espanhol, divulgada na terça-feira, o navio de cruzeiro iria ser recebido pelas Canárias, dando conta que "o porto de chegada exato" ainda não tinha sido determinado. Em comunicado, o Ministério da Saúde afirmou que aceitou receber o navio nas Canárias "em conformidade com o direito internacional e no espírito do humanitarismo", dando conta que o ECDC estava "a realizar uma inspeção minuciosa ao navio para determinar quais as pessoas que precisam de ser retiradas com urgência de Cabo Verde". "Os restantes seguirão para as Canárias, onde a previsão é de chegada em três ou quatro dias. O porto específico ainda não está definido", explicou o Ministério da Saúde. Uma vez no porto espanhol, a tripulação e os passageiros "serão devidamente examinados, receberão os cuidados necessários e serão transferidos para os respetivos países", indicou Madrid. "Tanto o atendimento médico como as transferências serão realizados em espaços e transportes especiais, especificamente preparados para esta situação, evitando qualquer contacto com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde em todos os momentos", garantiu ainda o Ministério da Saúde. De acordo com o Governo espanhol, a OMS explicou que Cabo Verde não pode realizar esta operação e que as Canárias são "o local mais próximo com as capacidades necessárias". "A Espanha tem a obrigação moral e legal de prestar assistência a estas pessoas, entre as quais se encontram vários cidadãos espanhóis", acrescentou o Governo. Hantavírus detetado em navio é a estirpe transmissível entre humanos A estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou esta quarta-feira o Ministro da Saúde sul-africano numa comissão parlamentar. Dois dos passageiros do navio de cruzeiro afetado com um surto de hantavírus foram transferidos para Joanesburgo, um faleceu e o outro permanece hospitalizado. “Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi. Suíça confirma que passageiro infetado com hantavírus está a ser tratado no Hospital Universitário de Zurique O Departamento Federal de Saúde Pública da Suíça confirmou esta quarta-feira que "uma pessoa infetada com hantavírus está a ser tratada no Hospital Universitário de Zurique". "O paciente é do sexo masculino e regressou à Suíça após viajar no navio de cruzeiro onde houve vários casos de hantavírus", lê-se no comunicado. Explicam as autoridades helvéticas que o homem testou positivo para hantavírus na Suíça, depois de ter regressado de uma viagem à América do Sul com a sua mulher, no final de abril. Apercebendo-se dos sintomas, contactou o seu médico e dirigiu-se ao Hospital Universitário de Zurique para avaliação. Foi "imediatamente colocado em isolamento", tendo testado positivo para hantavírus. "Trata-se do vírus Andes, um hantavírus que ocorre na América do Sul", explicou o Departamento Federal de Saúde Pública, que considerou, no entanto, "improvável a ocorrência de novos casos na Suíça". "O risco para o público suíço é baixo", refere. A mulher que o acompanhou na viagem ainda não apresentou sintomas, mas está "em isolamento domiciliário por precaução". De acordo com a OMS, "até 6 de maio, foram registados oito casos, dos quais três foram confirmados como hantavírus" através de "testes laboratoriais". Swiss authorities have confirmed a case of #hantavirus identified in a passenger from the MV Hondius cruise ship. He had responded to an email from the ship s operator informing the passengers of the health event, and presented himself to a hospital in Zurich, Switzerland, and pic.twitter.com/4mmBd7qSA4 - World Health Organization (WHO) (@WHO) May 6, 2026 Três passageiros, suspeitos de estarem infetados com hantavírus, retirados do navio para os Países Baixos A agência da Saúde da ONU confirmou também que três passageiros, suspeitos de terem contraído o hantavírus, foram retirados do navio e foram encaminhados para os Países Baixos. De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros neerlandês, as três pessoas são dos Países Baixos, do Reino Unido e da Alemanha. "Três pacientes com suspeita de hantavírus acabaram de ser retirados do navio e estão a caminho para receber cuidados médicos nos Países Baixos, em coordenação com a OMS, a operadora do navio e as autoridades nacionais de Cabo Verde, do Reino Unido, de Espanha e dos Países Baixos", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus numa mensagem nas redes sociais, onde publicou imagens da operação da retirada dos passageiros.   Three suspected #hantavirus case patients have just been evacuated from the ship and are on their way to receive medical care in the Netherlands in coordination with @WHO, the ship s operator and national authorities from Cabo Verde, the United Kingdom, Spain and the Netherlands. pic.twitter.com/olQBk6tdGk - Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) May 6, 2026 A OMS está a trabalhar com "os operadores do navio para monitorizar de perto a saúde dos passageiros e da tripulação, colaborando com os países para apoiar o acompanhamento médico adequado e a evacuação, quando necessário", afirmou o responsável. "A monitorização e o acompanhamento dos passageiros a bordo e dos que já desembarcaram foram iniciados em colaboração com o operador do navio e as autoridades nacionais de saúde", acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus, reiterando que, "neste momento, o risco global para a saúde pública continua baixo". "Os três encontram-se em estado estável e um deles é assintomático", informou a representante da OMS em Cabo Verde, Ann Lindstrand. O transporte de emergência incluiu dois tripulantes com sintomas leves, que aguardam resultados de análises ao sangue, e um passageiro assintomático, mas que partilhou a cabina com uma das três vítimas mortais durante a viagem de cruzeiro que partiu da Argentina e atravessou o Atlântico Sul durante abril. Dois aviões ambulância aterraram na terça-feira na Praia, Cabo Verde, para levar para os Países Baixos três pessoas do navio Hondius. A embarcação deverá deixar o arquipélago de Cabo Verde após as autoridades médicas retirarem estas três pessoas, segundo a OMS. A operação de transporte “está a ser preparada com a máxima segurança", referiu, reiterando que “não existe qualquer risco para a população em terra", ou seja, o risco sanitário é considerado "baixo”.  “Até ao momento, não foi registada qualquer nova ocorrência envolvendo outros ocupantes da embarcação”, que permanecem em quarentena, disse, acrescentando que, “concluído o processo, o navio deverá retomar a viagem”, em direção às ilhas Canárias ou Países Baixos. Francês investigado como possível caso de contágio fora do navio Um cidadão francês está a ser investigado como um possível caso de contágio fora do cruzeiro, uma vez que contactou com um passageiro suíço, que testou positivo, durante viagem de avião. Foi identificado entre os passageiros de um voo em que um dos doentes viajou antes da sua hospitalização, em Zurique, informou o Ministério da Saúde saúde à BFMTV. De acordo com a estação de televisão, o governo francês mobilizou várias entidades para preparar os mecanismos de acompanhamento e tratamento que possam ser necessários. A OMS reportou no domingo três mortes ligadas a um possível surto de hantavírus, que pode causar síndrome respiratória aguda, a bordo do navio. Na segunda-feira, 4 de maio, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou à Lusa que há um cidadão português a bordo, tratando-se de um membro da tripulação que, até ao momento, não requereu nenhum pedido de ajuda diplomática. O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 6 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque. A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco. Com Lusa Espanhacruzeirohantavírus People Experience Lead da KWAN (empresa portuguesa de outsourcing e nearshoring de perfis tecnológicos) Susete Henriques