GREVE NA SAÚDE TERÁ TIDO ADESÃO ENTRE 70% E 75%
2026-05-06 21:06:29

A greve nacional dos trabalhadores da saúde, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (Stts), terminou hoje e terá registado uma adesão entre 70% e 75%, segundo dados avançados pela estrutura sindical. O dirigente do Stts, Diogo Mina, adiantou à Lusa cerca das 16:00 que a taxa de participação na paralisação de dois dias se situou nesse intervalo. A greve começou na segunda-feira e prolongou-se até às 24:00 de terça, abrangendo profissionais de diferentes áreas do setor da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e assistentes operacionais. De acordo com o sindicato, os serviços mais afetados foram os blocos operatórios, as cirurgias programadas e as consultas externas, estando assegurados os serviços mínimos. As unidades mais impactadas incluem as ULS de Santa Maria, Amadora/Sintra, São João, Santo António e os hospitais de São Francisco Xavier e Egas Moniz, todos na área de Lisboa, bem como outras instituições no país. Segundo Diogo Mina, os enfermeiros e os técnicos auxiliares de saúde foram os grupos com maior adesão, enquanto os médicos terão sido os que menos participaram na paralisação. O dirigente sindical afirmou ainda que a adesão não foi mais elevada devido a alegadas pressões sobre os trabalhadores, tendo o sindicato recebido cerca de 30 queixas escritas e várias dezenas de contactos telefónicos. Entre as situações relatadas, o sindicato refere ameaças de processos disciplinares, faltas injustificadas e despedimentos. Segundo o Stts, terão ocorrido também instruções divergentes sobre a definição de serviços mínimos, com algumas chefias a indicarem que os próprios serviços definiam os mínimos e a obrigatoriedade de comparência dos trabalhadores. Quanto às reivindicações, o presidente do sindicato, Mário Rui, destacou problemas no pagamento de horas extraordinárias e a necessidade de valorização profissional. Referiu ainda a falta de progressão nas carreiras, com situações pendentes desde 2023, e a exigência de criação de uma nova carreira para os técnicos auxiliares de saúde. “O trabalhadores estão cansados”, afirmou, acrescentando que muitos continuam sem receber horas extraordinárias em dia. LUSA/SO Sílvia Malheiro