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SPOMMF ALERTA PARA A DISCREPÂNCIA ENTRE SETORES PÚBLICO E PRIVADO

Diário do Distrito Online

2026-05-06 21:06:21

A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal deixou um alerta que volta a colocar a obstetrícia no centro do debate público: os hospitais privados em Portugal estarão a realizar cesarianas em número excessivo. A posição surge num momento em que aumentam as dúvidas sobre as diferenças entre o parto no setor privado e no Serviço Nacional de Saúde. Segundo a responsável, é “muito difícil” compreender a distância entre as taxas de cesarianas praticadas nos hospitais privados e nos hospitais públicos, onde este procedimento tende a ser aplicado com critérios clínicos mais restritos. O tema ganha peso porque a cesariana, embora seja uma intervenção essencial em muitos casos, não deve substituir o parto vaginal quando não existe indicação médica clara. A preocupação da SPOMMF prende-se precisamente com a possibilidade de o recurso à cirurgia estar a ser condicionado por fatores organizacionais, escolhas programadas ou práticas clínicas que merecem escrutínio. Dados recentes da Entidade Reguladora da Saúde apontam para uma taxa média de cesarianas de 38,7% em 2024, com maior peso das cesarianas programadas nas unidades privadas e sociais. A Pordata indica também que, em 2023, os hospitais privados registaram 9.881 cesarianas em 15.485 partos. A discussão não é apenas médica. É também ética, regulatória e social. Em causa está como as grávidas são acompanhadas, informadas e encaminhadas para uma decisão que deve proteger, acima de tudo, a saúde da mãe e do bebé. A SPOMMF defende que o país deve olhar para esta discrepância com rigor, sem demonizar profissionais ou instituições, mas exigindo transparência. O objetivo passa por garantir que a cesariana continua a ser usada quando é necessária, e não como solução de conveniência. Tagscesarianas hospitais privados Obstetrícia SPOMMF [Additional Text]: fertagus palmela Duarte Godinho