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ATRACAGEM DO NAVIO COM HANTAVÍRUS EM TENERIFE CAUSA MAL-ESTAR COM ESPANHA

Jornal de Notícias Online

2026-05-06 21:06:17

O MV Hondius está no centro de um alerta internacional desde sábado, quando a OMS foi informada da morte de três passageiros, cuja causa suspeita era o hantavírus Foto: AFP Foto: Nicolas Tucat/AFP Foto: Javier Lizon/EPA O navio de cruzeiro atingido por um surto de hantavírus vai atracar "dentro de três dias", no sábado, em Granadilla, na ilha de Tenerife, disse a ministra da Saúde espanhola esta quarta-feira, apesar da oposição do Governo regional das Canárias. "Será implementado um sistema conjunto de avaliação de saúde e evacuação para repatriar todos os passageiros, a menos que o seu estado de saúde o impeça", declarou a ministra da Saúde, Monica García Gómez, numa conferência de Imprensa em Madrid. Os 14 cidadãos espanhóis a bordo do MV Hondius, incluindo um membro da tripulação, serão transferidos para o Hospital Militar Gómez-Ulla, em Madrid, onde vão ficar em quarentena "durante o tempo que for necessário", referiu, acrescentando que o Governo está a monitorizar o alerta internacional "minuto a minuto" para tomar todas as medidas necessárias para evitar qualquer possível propagação do vírus. Segundo a governante, todos os que permanecem a bordo não apresentam sintomas. A evacuação em Tenerife "evitará o contacto" com os cidadãos das Canárias, assegurou, insistindo que "não há risco" para as ilhas. Leia também Hantavírus detetado em navio é a única estirpe transmissível entre humanos "Total falta de informação" No início da manhã, o chefe do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, opôs-se a qualquer retirada de doentes para o arquipélago, alegando "total falta de informação" por parte do Executivo central. Mais tarde, em declarações aos jornalistas em Bruxelas, o líder das Canárias acrescentou não saber qual a situação dos passageiros e não compreender porque é que o Governo espanhol aceitou permitir que o navio atracasse e porque é que os passageiros não podem desembarcar em Cabo Verde em vez de serem enviados para as Canárias. "Se os passageiros estiverem seguros e saudáveis, não faz sentido que tenham de vir para as Canárias para serem repatriados. Poderiam fazê-lo a partir do aeroporto internacional de Cabo Verde. Se pensarmos no interesse geral dos passageiros, o que faz sentido é começar a fazê-lo agora", apontou, citado pela emissora britânica BBC. "Não temos novas informações e a única coisa que sabemos é que houve um pedido para que um navio ancorasse no porto de Tenerife a 9 de maio". O presidente das Canárias, Fernando Clavijo (Foto: Nicolas Tucat/AFP) Questionado sobre se o Hospital Universitário Candelaria, em Tenerife, tem um protocolo para lidar com os passageiros desembarcados, Clavijo foi categórico: "Não, não há um protocolo para isso, é uma situação extremamente extraordinária", respondeu. Até ao momento, acrescentou, não receberam qualquer pedido para ativar este tipo de protocolo. Nega contacto com Governo espanhol Por seu lado, o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que há mais de 140 pessoas a bordo do navio que precisam de ajuda. Segundo o governante, as Canárias são o porto mais adequado para a evacuação e foi a Organização Mundial da Saúde (OMS) que solicitou ao Executivo espanhol a utilização do porto. Segundo a OMS, as Canárias são o porto mais próximo do local onde está agora o cruzeiro com todas as capacidades técnicas e de segurança de saúde pública necessárias para esta operação. Além disso, as Canárias são território da União Europeia e conta por isso com o quadro legal europeu e o mecanismo que garante o repatriamento das pessoas a bordo do navio "com condições de maior segurança". "É uma situação complexa, mas temos meios para responder a este tipo de situação com o músculo próprio do nosso país e também da União Europeia", acrescentou. Grande-Marlaska afirma ainda que, para além das questões éticas, também existem considerações legais envolvidas. "Não podemos esquecer que a nossa própria Constituição estabelece que as autoridades devem auxiliar todos os nossos cidadãos", declara. A ministra da Saúde espanhola Monica García Gómez e o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska (Foto: Javier Lizon/EPA) A ministra da Saúde espanhola assinalou que tem estado em "contacto constante" com Clavijo, algo que o presidente das Canárias nega. "Não deviam ter excluído uma região que tem algo a dizer", afirmou, em Bruxelas, acrescentando que desconhece o acordo com a OMS. "A ministra da Saúde não me ligou. Devia ter havido pelo menos uma conversa com o primeiro-ministro Pedro Sánchez ou com um representante do Governo espanhol. O povo das Canárias merece respeito e transparência", continuou. Três casos suspeitos foram retirados da embarcação, esta quarta-feira, e estão a caminho dos Países Baixos. Dois dos casos são sintomáticos e encontram-se em "estado grave", mas até ao momento não testaram positivo para hantavírus. O terceiro caso, atualmente assintomático, teve "contacto próximo" com o cidadão alemão que morreu a bordo a 2 de maio. O MV Hondius está no centro de um alerta internacional desde sábado, quando a OMS foi informada da morte de três passageiros, cuja causa suspeita era o hantavírus. O navio, de bandeira neerlandesa, partiu de Ushuaia, na Argentina, a 1 de abril, numa viagem pelo Oceano Atlântico. Está fundeado perto de Cabo Verde desde domingo. A bordo seguiam 88 passageiros e 59 tripulantes, de 23 nacionalidades. Maria Campos