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PS PEDE DEMISSÃO DA MINISTRA DA SAÚDE: "É TEMPO DE PARAR DE ENCONTRAR DESCULPAS"

Expresso Online

2026-05-06 21:06:16

Para os socialistas, a perda de capacidade de resposta do SNS é particularmente “incompreensível” quando se sabe que tem mais dinheiro e mais pessoal médico Face aos últimos dados sobre consultas, cirurgias e tempos de espera, dados que indicam uma “deterioração muito significativa” no SNS, os socialistas deram o passo em frente exigindo, de forma mais clara do que nunca, a demissão da ministra da pasta, Ana Paula Martins. “Aquilo que os portugueses não compreendem e não podem compreender é como é que o primeiro-ministro ainda não desistiu da ministra da Saúde, Ana Paula Martins”, disse esta tarde no Parlamento a coordenadora dos deputados do PS na comissão de Saúde, Mariana Vieira da Silva (que também representa o partido no Pacto Estratégico da Saúde que o Presidente da República está a tentar dinamizar). Questionada sobre se isto significava um pedido de demissão da ministra, a parlamentar socialista dificilmente poderia ter sido mais clara: “Sim, é isso que eu estou a dizer.” No entender do PS, mais do que um problema de políticas, o que acontece é um problema de inoperância pessoal de Ana Paula Martins, "uma ministra que já desistiu do SNS”. Desta inoperância, a deputada socialista deu um exemplo: nos últimos anos, as ULS (Unidades Locais de Saúde) recebiam em novembro “as propostas de contratualização” (de recursos humanos, nomeadamente) que podiam fazer no ano seguinte, tendo em conta as listas de espera. Ora “este ano chegaram em 21 de abril” e portanto as unidades de saúde ficaram “sem nenhuma capacidade de fazer o seu trabalho de planeamento e de organização”. “Quando um hospital [ou] uma ULS não têm indicações daquilo que é suposto fazer num ano, isso não pode deixar de ter consequências e é isso que nós temos para ver nos dados recentemente conhecidos”, afirmou a deputada do PS. Segundo acrescentou, “isto não é uma deterioração pontual”. “Já no final do ano passado chamamos a atenção que tínhamos pela primeira vez na história mais de um milhão de portugueses à espera de uma consulta. E estes dados não são só números, embora sejam apresentados assim: são pessoas concretas que não tiveram acesso à sua primeira consulta e que por isso vão ter um diagnóstico mais tardio e vão ficar à espera mais tempo de uma eventual cirurgia de que necessitem”. Assim, concluiu, “é tempo de parar de encontrar desculpas, ora porque é verão ou ora porque é gripe, e olhar para a evolução da situação e mostrar, com os dados que são públicos, que neste momento o SNS responde pior e gasta muito mais dinheiro”. “É incompreensível como é que com mais recursos há menos resposta e na verdade isso só se pode explicar por incapacidade de organização, que é o que nós neste momento temos no SNS”, insistiu. No início da conferência de imprensa, Mariana Vieira da Silva elencou os números que, no entender do PS, significam a tal “deterioriação muito significativa” do SNS: “Falamos de quebras de 6% das consultas nos cuidados de saúde primárias”, representando isto, em números absolutos, “menos 400 mil consultas”, ou seja “menos 400 mil momentos de resposta ao cidadão”. Ao mesmo tempo, está identificada “uma quebra de mais de 3,8% nas consultas hospitalares”, sendo que esse valor se torna “muito significativo nas primeiras consultas hospitalares” que são “muitas vezes o momento do diagnóstico” e “o início de um caminho de resposta de tratamento e de acompanhamento para o cidadão". Ao mesmo tempo, junta-se a isto “uma deterioração muito significativa da capacidade de resposta” das cirurgias, “com menos 10 mil realizadas face ao ano passado”. João Pedro Henriques Jornalista João Pedro Henriques