MONTENEGRO PROMETE QUE O GOVERNO "NÃO VAI DESISTIR" DE REFORMAS: PORTUGAL NÃO PODE FICAR "REFÉM DE IMOBILISMOS"
2026-05-06 21:06:14

Marcelo Rebelo de Sousa voltou aos eventos do seu PSD, depois de 10 anos na Presidência, mas ainda não foi desta que falou sobre a atualidade política. A festa dos 52 anos do PSD serviu para homenagear Conceição Monteiro e para Montenegro desfiar elogios à sua governação Nas vésperas da reunião "decisiva" da Concertação Social sobre o pacote laboral, Luís Montenegro aproveitou a festa dos 52 anos do PSD, para dar o recado: país não pode ficar refém de imobilismo e "não vai desistir", garante, como se já antevisse o desfecho. "Um Governo que já chegou a mais de 42 acordos com os sindicatos da administração pública, um Governo que já chegou a mais de cinco acordos estruturais com o setor social, um Governo que tem compromissos com a valorização salarial, um Governo que tem tido o reconhecimento internacional por conjugar a baixa dos impostos sobre os rendimentos do trabalho com o aumento dos salários, é um Governo que, obviamente, não vai desistir. Obviamente vai continuar concentrado e focado em dar ao país mais instrumentos para o país ser produtivo e competitivo", garantiu. Apontando a atitude do Governo em outras áreas como a reforma do Estado, a fiscalidade ou a Saúde, anunciou ainda que esta qiuinta-feira serão aprovadas, em conselho de ministros, alterações no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Nós já demos muitas mostras de cedência, muitas mostras de transigência. Nós o que não podemos é ficar reféns da intransigência ou ficar reféns do imobilismo. Para isso, ai para isso, vão contar com um PSD muito ativo, um PSD muito proativo e um PSD muito combativo”, atirou ainda, antes de subir ao andar de cima para soprar as velas dos 52 anos do partido. Na plateia da fábrica de "unicórnios", no Beato, estavam vários ministros, mas ficou vazia a cadeira reservada à ministra do Trabalho, Rosário da Palma Ramalho. Ao lado, o ministro da Administração Interna Luís Neves, que não é militante, não faltou. No fim do discurso, vestindo o fato de líder do partido que se confunde com o de primeiro-ministro, Montenegro antecipou que o atual "período governativo vai marcar tanto a história de Portugal como os grandes períodos governativos dos nossos 52 anos".“Podem ter a certeza. E vai marcar... E vai marcar porque foi isso que o povo português quis e é isso que o povo português quer”. Numa parte considerável da intervenção, deixou um lamento sobre o facto de Portugal ser mais bem visto fora do que dentro de portas: "Devo dizer-vos, efetivamente que em Portugal não se tem a noção exata daquilo que os outros pensam de nós lá fora. Nós valemos muito mais de fora para dentro do que de dentro para dentro ou de dentro para fora. É talvez uma sina portuguesa, é talvez um destino português", lamentou, para depois falar sobre a viagem que fez esta terça-feira à Alemanha. “Eu não sei medir, mas sei dizer-vos, vai haver, está a haver, efeitos muito positivos da imagem que nós temos de Portugal espalhada pela Europa e espalhada pelo Mundo. Vai haver mais do que nunca, não há dúvida, e há muitos exemplos que eu podia aqui dar de investimentos que já estão projetados e outros que serão anunciados oportunamente, mas até há um que está no perímetro da decisão também do Governo, que é a privatização da nossa companhia aérea”, afirmou o primeiro-ministro. Esta quarta-feira, a Lufthansa garantiu que mantém o interesse na TAP apesar da crise no Médio Oriente. “Não nos deixem ficar mal” - o pedido da militante nº2 do PSD Marcelo Rebelo de Sousa voltou aos eventos partidários, depois de 10 anos como Presidente da República, mas sem quebrar a jura de não falar sobre a atualidade política. “Não foi hoje ainda que ganhei a aposta que fiz consigo”, disse Montenegro, referindo-se à aposta que fizeram antes de Marcelo deixar a Presidência da República. “Não podendo expressar as suas opiniões, mas vamos contar consigo”, acrescentou. No aniversário dos 52 anos do PSD, apenas dois ex-líderes marcaram presença na Fábrica de Unicórnios do Beato, em Lisboa: um ex-Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e um ex-candidato a Presidente, Luís Marques Mendes. Marcelo teve direito a palco, mas só contou histórias do passado, da fundação do partido, para homenagear a convidada de honra. Conceição Monteiro, militante número dois, a antiga secretária de secretária de Francisco Sá Carneiro, que ganhou um lugar próprio na história do partido, testemunha de várias lideranças e que provou que, aos 92 anos, continua atenta. Quando subiu ao palco, ladeada por Luís Montenegro e Marcelo Rebelo de Sousa, contou que continua a enviar mensagens aos líderes quando acha que “vão pelas linhas certas”, mas quando está “triste”, nada diz. “Não nos deixem ficar mal”, pediu. "O partido não merece”. Montenegro, que diz ser destinatário das mensagens de Conceição Monteiro há vários anos prometeu “continuar a fazer bem”. Francisco Pinto Balsemão, militante número um do partido, também foi lembrando na intervenção do líder do partido: "Não está pela primeira vez connosco", mas - garantiu Montenegro - "o seu exemplo e legado constam das páginas douradas do PSD". Paula Caeiro Varela Jornalista Paula Caeiro Varela, Nuno Fox