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CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS PREVINEM, TRATAM E PROMOVEM A SAÚDE E O BEM-ESTAR AO LONGO DA VIDA

Diário de Viseu

2026-05-06 21:06:13

Proximidade Os cuidados de saúde primários asseguram que as pessoas recebem cuidados completos, desde a promoção e prevenção ao tratamento, reabilitação e cuidados paliativos, tão perto quanto possível do seu ambiente diário. Os cuidados de saúde primários são o primeiro nível de contacto com o sistema de saúde (SNS), focados na prevenção, tratamento e promoção da saúde ao longo da vida. Incluem consultas de medicina geral e familiar, enfermagem, saúde infantil, materna e planeamento familiar, maioritariamente prestados em centros de saúde/ USF e são, por isso mesmo, a primeira porta que se abre a cada pessoa quando se trata de saúde. E não apenas no acompanhamento e tratamento das doenças, algumas delas ficadas neste trabalho por onde vão surgindo novas respostas e outras esperanças. Mas também e, sobretudo, na sensibilização dos utentes para a importância de um conjunto de ações ou, de pequenos gestos, que podem salvar-lhes a vida ou contribuir para que a vivam de forma mais saudável. Com base nesse reconhecimento a OMS define estes cuidados e a sua importância com base em trêscomponentes: “satisfazer as necessidades das pessoas em matéria de saúde, através de cuidados promotores, protetores, preventivos, curativos, reabilitativos e paliativos completos durante toda a vida, atribuindo prioridade estratégica aos principais serviços de cuidados de saúde destinados às pessoas e famílias, através dos cuidados primários, e às populações através das funções da saúde pública como elementos centrais de serviços de saúde integrados; “abordar de forma sistemática os determinantes da saúde mais vastos (incluindo sociais, económicos e ambientais, assim como as características e comportamentos das pessoas), através de políticas e acções públicas informadas por evidências, em todos os sectores; e “capacitar as pessoas, famílias e comunidades para optimizarem a sua saúde, como defensores de políticas que promovam e protejam a saúde e o bem estar, como co-criadores de serviços de saúde e sociais e como autocuidadores e prestadores de cuidados a terceiros. Os cuidados de saúde primários é uma abordagem de toda a sociedade à saúde e bem-estar, centrada nas necessidades e preferências das pessoas, famílias e comunidades. Aborda os determinantes da saúde mais vastos e incide sobre os aspetos completos e interrelacionados da saúde física, mental e social e do bem-estar. Cuidados para toda a vida e segundo as necessidades Prestam cuidados completos às pessoas, de acordo com as suas necessidades de saúde durante toda a vida e não só para um conjunto de doenças específicas. E asseguram que as pessoas recebem cuidados completos, desde a promoção e prevenção ao tratamento, reabilitação e cuidados paliativos, tão perto quanto possível do seu ambiente diário. Portugal integrou a elaboração de um inquérito internacional que ouviu utentes e profissionais de saúde e onde se pede uma “transformação estrutural” nos cuidados de saúde primários para melhorar a coordenação com os hospitais, sobretudo nos doentes crónicos, e se sublinha a importância dos planos individuais de cuidados. O que aponta a necessidade de se investir em renovar os cuidados primários e colocá-los no centro dos esforços p ara melhorar a saúde e o bem-estar. Porquê? Como responde a OMS, “os cuidados de saúde primários estão bem colocados para dar resposta às rápidas alterações económicas, tecnológicas e demográficas que ocorrem no mundo e que exercem, todas elas, impacto sobre a saúde e o bem-estar das pessoas”. Uma análise recente revelou que, aproximadamente, metade das conquistas obtidas na redução da mortalidade infantil entre 1990 e 2010 se ficou a dever a fatores externos ao setor da saúde (nomeadamente, água e saneamento, educação, crescimento económico). A abordagem dos cuidados de saúde primários atrai uma vasta gama de partes interessadas, para examinarem e alterarem as políticas destinadas a abordar os determinantes sociais, económicos, ambientais e comerciais da saúde e bem estar. Tratar as pessoas e as comunidades como atores-chave na produção da sua própria saúde e bem estar é crucial para compreender e dar resposta às complexidades de um mundo em mudança. Os cuidados de saúde primários são, comprovadamente, uma forma altamente eficaz e eficiente de abordar as principais causas e riscos da falta de saúde e bem estar nos nossos dias, assim como de lidar com os desafios emergentes que irão ameaçar a saúde o bemestar no futuro. Os cuidados de saúde primários incluem igualmente os principais elementos necessários para melhorar a segurança sanitária e evitar ameaças à saúde, designadamente, epidemias e resistência antimicrobiana, através de medidas como o envolvimento e educação das comunidades, prescrições racionais e um conjunto básico de funções essenciais de saúde pública, incluindo a vigilância. O reforço dos sistemas a nível da comunidade e das unidades de saúde periféricas contribui para construir resiliência, que é crucial para resistir aos impactos sofridos pelo sistema de saúde. Cuidados de saúde primários mais fortes são essenciais para atingir os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados com a saúde e a cobertura universal de saúde. Contribuem também para a consecução de outros objetivos, para além dos da saúde (ODS3), incluindo os relativos à pobreza, fome, educação, igualdade de género, água potável e saneamento, trabalho e crescimento económico, reduzindo as desigualdades e o impacto climático. No Artigo 25.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem pode ler-ser que: “ Todas as pessoas têm direito a um nível de vida adequado à sua saúde e bem-estar próprios e da sua família, incluindo alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e serviços sociais necessários (...). ? Pelo menos, metade dos 7,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo ainda não beneficiam da cobertura total dos serviços essenciais de saúde. Dos 30 países para os quais existem dados disponíveis, apenas 8 gastam, pelo menos, 40 USD por pessoa e ano em cuidados de saúde primários. Pelo menos, metade dos 7,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo ainda não beneficiam da cobertura total dos serviços essenciais de saúde. Uma força de trabalho dedicada é essencial para prestar cuidados de saúde primários e, no entanto, estima-se que faltem 18 milhões de profissionais de saúde em todo o mundo.