pressmedia logo

GLICOSE: INFARMED ANUNCIOU “RETROCESSO SEM PRECEDENTES” E “PERIGOSO”

AEIOU.pt Online

2026-05-06 21:06:05

Artem Podrez / Pexels Sociedade Portuguesa de Diabetologia critica prescrição genérica de sensores de monitorização contínua da glicose. A circular informativa foi elaborada pelo Infarmed no dia 16 de Abril. A medida é anunciar a prescrição de sensor para determinação de glicose intersticial por descrição. “Foi reforçada a oferta de sensores de determinação da glicose intersticial destinados à monitorização de glicose no sangue, existindo atualmente comparticipadas alternativas”, lê-se no documento. Por isso, justifica o Infarmed, foi preciso “alterar o modelo de prescrição destes dispositivos médicos, passando a prescrição do sensor de determinação da glicose intersticial a ser efetuada por descrição genérica, à semelhança dos medicamentos, em substituição da prescrição por marca comercial, até então em vigor”. Este novo modelo de prescrição por descrição genérica, que já entrou em vigor no dia 13 de Abril, “contribui assim para um maior acesso a estas tecnologias de saúde”. A Sociedade Portuguesa de Diabetologia critica esta circular que “impõe a prescrição de sensores de monitorização contínua da glicose (CGM) por designação genérica”. Para a sociedade, esta medida é um “retrocesso clínico sem precedentes, com potencial para comprometer a segurança e a qualidade de vida de milhares de pessoas com diabetes em Portugal”. A Sociedade Portuguesa de Diabetologia deixa o aviso mais importante: os sistemas CGM não são equivalentes entre si, ao contrário do que acontece com os medicamentos. Cada sensor de monitorização contínua da glicose é único; tem “características únicas e clinicamente relevantes que determinam a sua adequação a cada doente”. As diferenças entre sensores, continua o comunicado enviado ao ZAP, envolvem: precisão analítica, algoritmos proprietários de leitura e interpretação, necessidade de calibração manual, capacidade de integração com bombas de insulina, plataformas digitais de saúde, usabilidade e alarmes configuráveis. Portanto, segundo a sociedade, equiparar sistemas CGM a medicamentos genéricos é uma “simplificação tecnicamente errada e potencialmente perigosa”. A Sociedade Portuguesa de Diabetologia acrescenta que, para escolher o sensor adequado a cada doente, é preciso ter um “conhecimento profundo do doente, do seu contexto de vida, da sua literacia e da sua capacidade de utilização da tecnologia”, numa decisão construída em equipa multidisciplinar. Este processo, avisa, não pode ser resumido a um “ato administrativo” de prescrição indiferenciada; caso isso aconteça, quebra-se a relação de confiança entre o doente e os profissionais de saúde e, mais do que isso, podem acontecer erros terapêuticos graves na administração de insulina, comprometer a continuidade do acompanhamento clínico e desperdiçar anos de investimento em educação terapêutica personalizada. A Sociedade Portuguesa de Diabetologia também lamenta não ter sido consultada sobre esta decisão. Nuno Teixeira da Silva, ZAP // Nuno Teixeira da Silva