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ÚLTIMO DIA DE GREVE NA SAÚDE: CONSULTAS E CIRURGIAS PROGRAMADAS CONTINUAM EM RISCO NOS HOSPITAIS

Executive Digest Online

2026-05-05 21:06:20

Ouça este artigo Clique para reproduzir A greve nacional dos trabalhadores da saúde entra esta terça-feira no último dia, prolongando-se até às 24h00. A paralisação, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos, abrange todos os profissionais do setor, independentemente do vínculo, carreira ou filiação sindical, e já afetou consultas externas, cirurgias programadas e outros atos não urgentes em várias unidades hospitalares. O protesto começou na segunda-feira e decorre durante 48 horas. Segundo o presidente do STTS, Mário Rui, a adesão rondava os 60% pelas 10h00 do primeiro dia, embora o sindicato tenha admitido que os números poderiam variar com as mudanças de turno ao longo do dia. O impacto nos hospitais tem sido desigual. Em algumas unidades, foram registados adiamentos de consultas e constrangimentos em serviços programados, como no Hospital de Santo António, no Porto. Noutros locais, como o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, os serviços mínimos têm permitido assegurar parte do funcionamento habitual. Ainda assim, utentes relataram dificuldades no acesso a atos marcados. Uma mulher de 65 anos contou que tinha uma consulta de oftalmologia marcada há um ano e que, ao chegar ao Hospital de Santa Maria, o médico não estava presente. Outro utente, de 78 anos, deslocou-se de Torres Vedras para realizar análises, mas foi informado de que o serviço não estava a funcionar devido à greve. Sindicato exige salários, progressões e contratação urgente Continue a ler após a publicidade A paralisação foi convocada para exigir melhores salários, progressões nas carreiras, pagamento de horas em falta e melhores condições de trabalho. O STTS reclama ainda a reposição dos pontos retirados aos trabalhadores no âmbito do sistema de avaliação e a contratação urgente de profissionais. O sindicato afirma que o reforço de pessoal é necessário para travar o “uso e abuso” de turnos suplementares e de cargas horárias que podem chegar às 14 e 16 horas de serviço contínuo. A estrutura sindical justifica também a greve com a contestação ao pacote laboral apresentado pelo Governo. Para esta terça-feira, último dia da paralisação, está prevista uma manifestação junto ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Continue a ler após a publicidade O STTS diz que os profissionais de saúde vivem uma situação de “exaustão prolongada” e acusa o Governo de falta de resposta. “O silêncio e a indiferença já não são opções”, afirmou o sindicato no pré-aviso de greve. “O STTS não aceita mais que quem cuida dos outros seja tratado com desprezo. Exigimos o que é nosso por direito, valorização, salários justos e condições de trabalho dignas”, acrescentou a estrutura sindical. Serviços mínimos assegurados O tribunal arbitral decretou serviços mínimos para esta greve. De acordo com a decisão, os meios humanos necessários devem corresponder aos que, em cada unidade de saúde e em cada turno, garantem o funcionamento aos domingos e feriados, sem ultrapassar o número de trabalhadores de um dia útil em cada serviço. A greve abrange médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos, assistentes operacionais e restantes trabalhadores do setor. O sindicato sublinha que a paralisação é transversal e não se limita a uma carreira profissional. Continue a ler após a publicidade Queixas de pressões sobre trabalhadores Além das reivindicações laborais, os dirigentes sindicais denunciaram alegadas pressões sobre trabalhadores que pretendiam aderir à greve. Mário Rui afirmou que houve tentativas de “desviar os trabalhadores da greve”, incluindo ameaças de processos disciplinares. Segundo o dirigente, foram sinalizadas situações no Hospital de Braga, no Hospital de São Teotónio, em Viseu, e no Hospital de São José, em Lisboa. “Fomos confrontados com algumas tentativas por parte das administrações e das chefias que estão a tentar desviar os trabalhadores da greve, com ameaças de processos disciplinares. Não os deixaram faltar ao serviço, ligaram-lhes para casa”, afirmou. Cristina Guerreiro, dirigente da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos, que integra o STTS, relatou também casos na Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental. Segundo a responsável, auxiliares, técnicos e enfermeiros terão sido pressionados a manter-se ao serviço nos hospitais Egas Moniz e São Francisco Xavier. Nova greve de enfermeiros marcada para 12 de maio A contestação no setor da saúde não termina com esta paralisação. Para 12 de maio, Dia Internacional do Enfermeiro, está convocada uma nova greve nacional pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Essa greve abrangerá os setores público, privado e social e terá como objetivo exigir ao Governo respostas para problemas que, segundo o SEP, continuam a afetar a profissão há vários anos. Está também prevista uma manifestação em Lisboa, com início no Campo Pequeno e término junto ao Ministério da Saúde. Para o presidente do SEP, José Carlos Martins, trata-se de uma greve pela “dignidade dos enfermeiros e pela dignificação da enfermagem”. A greve desta terça-feira encerra assim dois dias de paralisação no setor, mas não fecha o ciclo de protestos. Entre salários, carreiras, horários, falta de pessoal e condições de trabalho, a pressão sindical sobre o Governo deverá continuar nas próximas semanas. Executive Digest