INOVAÇÃO NO FEMININO
2026-05-05 21:06:20

Inovação (no feminino) redesenha saúde e On ustentabilida O De diagnósticos ultrarrápidos para infeções respiratórias a passaportes digitais blockchain para cadeias globais e adesivos médicos que previnem lesões cutâneas, três empreendedoras ligadas a Portugal, Neide Vieira, Ella Frances Cullen e Sónia Ferreira, mostram como a tenacidade lusa está a redesenhar saúde e sustentabilidade a escala europeia. Ha histórias que começam muito antes de serem reconhecidas. Nascem em laboratórios, em longas horas de investigação, em problemas reais que persistem sem resposta. Histórias que contam alguns avanços e muitos (demasiados?) retrocessos. E este o dia-a-dia da inovação que, menos vezes do que gostaríamos, se traduz em finais com reconhecimento. Para tornar o caminho menos “penoso”, o European Prize for Women Innovators, uma iniciativa promovida pelo European Innovation Council (EIC) e pelo European Institute of Innovation and Technology (EIT, distingue mulheres fundadoras e lideres a impulsionar soluções inovadoras com impacto económico e social na Europa. Na edição de 2026, a Comissão Europeia anunciou nove finalistas, entre elas duas empreendedoras com ligação a Portugal: Neide Vieira, co-fundadora e chief operating officer da Iplexmed, e Ella Frances Cullen, cofundadora e chief marketing officer da Minespider, ambas finalistas na categoria EIT Women Leadership, que premeia mulheres com papel de liderança em projectos do ecossistema EIC e impacto significativo na inovação europeia. A estas duas finalistas junta-se Sónia Ferreira, fundadora da BestHealth4U e semifinalista nacional, completando um trio de inovadoras que está a colocar o pais no mapa da deep tech europeia. No entender destas pioneiras, os desafios que enfrentam desde diagnósticos fragmentados em saúde a cadeias de abastecimento opacas e lesões cutâneas silenciosas em dispositivos médicos encontram respostas em tecnologias disruptivas que combinam rigon cientifico, escalabilidade global e impacto humano concreto. Neide Vieira lidera, na Iplexmed, o desenvolvimento de uma plataforma portátil de diagnóstico rápido de doenças infecciosas baseada em biossensores de grafeno, a Nexaguard, que entrega resultados com qualidade laboratorial em cerca de 20 minutos, revolucionando a resposta dos sistemas de saúde. Ella Frances Cullen, na Minespider, impulsiona soluções digitais com blockchain e inteligência artificial para criar passaportes digitais de produtos e baterias, promovendo transparência e sustentabilidade nas cadeias de abastecimento globais. Já Sónia Ferreira, com a BestHealth4U, redefine os adesivos médicos através da plataforma Bio2Skin, prevenindo lesões cutâneas associadas a dispositivos eintegrando-se em cadeias industriais globais via licenciamento asset-light. O prémio, dividido em três categorias , EIC Women Innovators, EIC Rising Innovators e EIT Women Leadership , avalia as candidatas pela inovação disruptiva das suas empresas, pelo impacto das soluções e pelo papel inspiradon para novas gerações de mulheres na ciência e tecnologia. Como referem as próprias protagonistas, estas nomeações não são apenas distinções: representam validações independentes que aceleram trajectórias, abrem portas a investidores e parceiros, e reforçam a capacidade de Portugal em gerar deep tech com ambição global. As vencedoras serão anunciadas durante o EIC Summit, em Junho de 2026, em Bruxelas. Da fragmentação ao diagnóstico instantâneo Imagine um hospital onde um doente com infecção respiratória aguda espera horas por um resultado laboratorial que poderia guiar o tratamento em meros 20 minutos, E este gargalo que Neide Vieira, cofundadora e chief operating officer da Iplexmed, identifica como central no combate às infecções respiratórias, que continua a ser uma das principais causas de hospitalização e mortalidade global, especialmente grave em pacientes crónicos respiratórios. Ño seu entender, apesar das tecnologias avançadas disponíiveis, o diagnóstico permanece fragmentado: métodos centralizados cobrem muitos agentes mas são lentos, dependem de infra-estruturas dedicadas e técnicos especializados, criando «bottlenecks que atrasam a triagem e a decisão clínica». Já as soluções rápidas no ponto de cuidado pecam por fiabilidade limitada e cobertura reduzida de agentes por amostra. Esta lacuna leva frequentemente ao tratamento empírico, com impactos directos na mortalidade, comorbilidades, infecções hospitalares, custos e agravamento das resistências antimicrobianas (RAM). Foi nesta paisagem que nasceu a disrupção da Iplexmed: a plataforma portátil Nexaguard, desenhada para aliar qualidade laboratorial a detecção rápida e multiplex de virus e bactérias. Como referiu Neide Vieira, o sistema explora a especificidade do DNA combinada com a elevada sensibilidade de sensores de grafeno (GFET), alojados em cartuchos descartáveis «inteligentes» que automatizam o pré-tratamento da amostra. A detecção electrónica directa, sem necessidade de amplificação, entrega resultados em cerca de 20 minutos no ponto de cuidado, ou seja, 20 vezes mais rápida que as tecnologias actuais, garante a especialista. Nas suas palavras, o resultado e uma redução de custos e melhoria do bem-estar dos doentes, aproximando o diagnóstico do momento da decisão. A conectividade dá o toque final. Neide Vieira sublinha a arquitectura hlbrida processamento local aliado a cloud 3 que assegura reporting em tempo real, integração com sistemas clínicos, monitorização remota e vigilância epidemiológica, particularmente de RAM. «Assim, aproximamos o diagnóstico do momento da decisão e criamos um caminho claro para, no futuro, o tornar progressivamente mais acessível também fora do hospital, nomeadamente pela exploração do mercado at-home ». Mas como se constrói uma deep-tech assim num sector onde a ciência colide com a urgência clínica? No entender de Neide Vieira, tudo passa por um roadmap claro, faseado e orientado por risco, onde tecnologia, evidência clínica e estratégia regulatória avançam em paralelo, convergindo em momentos de inflexão definidos. Desde o inicio, explica a coo, o trabalho divide-se em três linhas interligadas: maturação tecnológica dos sensores, cartucho e leitor; validação clínica progressiva, de pré-clínica a estudos comparativos; industrialização e preparação regulatória, incluindo sistema de gestão da qualidade e requisitos de usabilidade. Cada fase sustenta-se em critérios objectivos = desempenho analitico, repetibilidade, workflow 73 gerando dados reutilizáveis. Algo que, no seu entender, acelera o processo sem sacrificar o rigor. O motor humano é crucial. Neide Vieira descreve uma equipa de cofundadores e técnicos multidisciplinares, com papéis distribuídos entre ciência, engenharia e negócio, apoiada por conselheiros que mitigam riscos. A formação académica confere, no seu entender, tenacidade para iterações, com prioridades revistas via feedback clínico. O foco, diz, permanece num diagnóstico in vitro pronto para adopção massiva. ? financiamento é o maior obstáculo, reconhece, «sobretudo quando o caminho até ao mercado implica desenvolver hardware, consumíveis e software, gerar evidência clínica e mitigar risco tecnológico e regulamentar». No caso da Iplexmed, «estruturamos o crescimento combinando, desde cedo, financiamento competitivo com investimento privado, de forma a garantir continuidade de desenvolvimento e capacidade real de execução e, ao mesmo tempo, ir reduzindo risco com dados e validação». Os apoios não dilutivos foram adjectivados de «essenciais» pela coo, sobretudo para acelerar etapas críticas do desenvolvimento e para reduzir risco. «Não só pela capitalização, mas também pelo acesso a redes e acompanhamento». Em particular, a especialista focou o Empowomen, que teve um impacto muito concreto: «permitiu nos ganhar tracção, reforçar a estratégia de internacionalização e de propriedade intelectual, consolidar parcerias e acelerar a resolução de desafios técnicos e operacionais com mentoria e rede europeia». Em paralelo, reforçou a ronda pre-seed que deu capacidade de execução e foco ao projecto, «reforçando equipa e acelerando decisões estruturantes. Em conjunto, estes instrumentos colocaram-nos numa posição mais sólida para a fase seguinte, maturar mais ainda a tecnologia, completar testes de performance, reforçan recursos humanos e avançar no caminho regulatório, preparando de forma estruturada a entrada no mercado». A ambição a cinco anos? Levar a plataforma Nexaguard ao mercado e afirmar a Iplexmed como uma referência europeia em diagnóstico descentralizado, com impacto real na gestão de infecções. «Fazemos isto com uma visão muito clara de conceito de plataforma: a Nexaguard foi desenhada para ser modular e escalável, permitindo adaptar o mesmo sistema (leitor, analítica) a outros cartuchos que detectem diferentes condições clínicas, como doenças sexualmente transmissiveis, sépsis, infecções nosocomiais e painéis de diagnóstico personalizados à medida que expandimos o menu de testes», A odisseia da Minespider Num sector onde as cadeias de valor das matérias-primas, particularmente na mineração, foram durante décadas sinónimo de opacidade, Ella Frances Cullen, cofundadora e chief marketing officer da Minespider, identifica na tecnologia o catalisador para uma revolução profunda. Ño seu entender, o cerne da actividade da empresa reside nos Digital Product Passports, que capturam e estruturam dados em cada etapa da cadeia de abastecimento, transformando radicalmente o nível de visibilidade em todo o sistema. Como referiu, os intervenientes antes ocultos por papelada fragmentada ou bases de dados isoladas passam a fazer parte de um fluxo contínuo de informação rastreável e verificável. «No fundo, o que fazemos com OS Passaportes Digitais de Produto é capturar e estruturar dados em cada etapa da cadeia de abastecimento, o que muda realmente o nivel de visibilidade em todo o sistema». Ella Frances Cullen reconhece que a mineração, apesar da imagem de sector opaco, conta com muitas empresas que desenvolvem trabalho sólido em padrões ambientais, envolvimento comunitário, saúde, segurança e governação. Nas suas palavras, a dificuldade não está na falta de esforço, mas na incapacidade de o provar de forma credível e estruturada. «A mineração tem sido tradicionalmente vista como opaca, mas muitas empresas estão a fazer um trabalho genuinamente forte em matéria de padrões ambientais, envolvimento comunitário, saúde e segurança e governação. A dificuldade é muitas vezes não fazerem o esforço, mas sim prová-lo de forma credível e estruturada». As empresas com quem a Minespider colabora querem diferenciar-se, «querem mostrar a origem de forma clara, demonstrar conformidade com os requisitos de due diligence e tornar os seus esforços de sustentabilidade visíveis em vez de presumidos». ño entender de Ella Frances Cullen, há também vantagens operacionais muitas vezes subestimadas. Quando as empresas digitalizam e organizam adequadamente a informação da sua cadeia de abastecimento, «ganham uma melhor percepção de como os materiais se movem dentro da sua organização e para além dela. õsso pode melhorar a eficiência, apoiar o acesso a mercados regulados e fortalecer a confiança com clientes e investidores». Acredita que, a longo prazo, isto pode até suportar um posicionamento premium para materiais de origem responsável. Mais amplamente, diz, avizinha-se um futuro em que todos os produtos serão expectáveis carregar informação sobre a sua origem e modo de fabrico. Não só minerais, mas eventualmente a maioria dos produtos. Aqueles que não fornecerem dados transparentes sobre origem e processamento, garante a especialista, arriscam ser tratados quase como mercado negro, pois sem informação verificavel não há forma de avaliar as reivindicações. «A transparência está rapidamente a tornar-se uma expectativa base, em vez de um diferenciador». A pressão regulatória europeia em torno de ESG e due diligence é, para Ella Frances Cullen, simultaneamente um motor de inovação e um custo adicional, uma complexidade que importa reconhecer abertamente. Como referiu, a regulação impulsiona claramente a inovação. «Uma parte significativa da procura pela nossa tecnologia vem de empresas a responden a novos requisitos ESG e de due diligence». ?o mesmo tempo, a Europa é por vezes criticada por sobre regulação, mas Ella Frances Cullen não concorda inteiramente com essa caracterização. Em muitos casos, a regulação europeia proporciona clareza e frameworks como o Al Act ou o MiCA definem expectativas claras, dando ãs empresas uma noção mais precisa dos limites dentro dos quais podem inovar. «Essa certeza legal pode ser uma vantagem, porque as empresas podem construir com mais confiança em vez de se preocuparem com execuções imprevisíveis mais tarde». ? verdadeiro desafio emerge no volume e na sobreposição de requisitos. Regulamentos europeus como o CBAM, que impõe um ajustamento carbónico nas fronteiras, a CSRD, centrada no reporte de sustentabilidade corporativa, e a CSDDD, que reforça o dever de diligência das empresas em matéria de sustentabilidade, exigem quantidades substanciais de dados, com sobreposições significativas que levam as empresas a recolher informação similar múltiplas vezes em formatos diferentes, criando ineficiências e frustrações. é aqui que OS Digital Product Passports se revelam particularmente valiosos, nas palavras de Ella Frances Cullen: ao criarem uma base de dados estruturada e auditável que abrange toda a cadeia de abastecimento, as empresas podem usar o mesmo conjunto central de dados para satisfazer múltiplos requisitos regulatórios. «Isto não remove completamente o onus regulatório, mas pode reduzir a duplicação e tornar o cumprimento mais estratégico e menos reativo». Como responsável pelo marketing numa empresa tecnológica, Ella Frances Cullen constrói credibilidade a partir da substância e garante que a Minespider beneficiou de uma equipa com profunda expertise em sustentabilidade, blockchain, cadeias de abastecimento mineiras e tecnologias de rastreabilidade, sendo o seu papel traduzir essa expertise em comunicação clara e honesta. Desde o inicio, focaram-se na publicação de conteúdo reflexivo que explica temas complexos: sustentabilidade na mineração, desenvolvimentos regulatórios, aplicações de blockchain em cadeias de abastecimento e realidades práticas da rastreabilidade. «âo longo do tempo, essa consistência constrói confiança, porque as pessoas vêem que entendemos os detalhes técnicos e regulatórios e estamos dispostos a envolver , nos abertamente com eles». Parcerias foram essenciais, tendo a empresa colaborado com players industriais fortes e parceiros tecnológicos, showcasing activamente essas colaborações. «Implementações no mundo real têm muito mais peso do que reivindicações abstractas». A transparência é outro pilar: participaram em inúmeras entrevistas mediáticas, discussões académicas, eventos industriais e podcasts, vendo a partilha de conhecimento como responsabilidade no ecossistema. Como uma das representantes portuguesas entre as nomeadas, Ella Frances Cullen considera a Europa muito forte no apoio a empreendedores em fase inicial. Há quase oito anos, quando lançaram a Minespider, sentiram-se muito apoiadas por competições de pitch, ecossistemas universitários fortes, aceleradoras, incubadoras e uma cultura que apoia a experimentação inicial. «o ecossistema de financiamento a fundo perdido e também extremamente importante para deep tech». Foram apoiadas pela Horizon 2020 da Comissão Europeia e pelo EIT Raw Materials, financiamento que faz uma diferença real ao construir tecnologia complexa que exige tempo e investigação antes da comercialização plena. «Somos muito gratas por esse suporte fundamental». ? calcanhar de Aquiles europeu reside no scalings no seu entender: apoiar startups é uma coisa, mas ajudá-las a crescer para players globais gigantes é outra. Os EUA têm mais profundas de capital em fases tardias, e rondas de crescimento substanciais são mais dificeis na Europa. «Construir uma empresa de 100 milhões de euros aqui e absolutamente possível, mas o caminho e muitas vezes um pouco mais duro». Ainda assim, nota um momentum crescente em torno de autonomia estratégica, competitividade e a necessidade de campeões globais europeus, uma consciencialização de que o scaling é a próxima fronteira. Pessoalmente, adora estar sedeada em Portugal: há um misto forte de fundadores locais e empreendedores internacionais, uma cultura vibrante de coworking e uma cena activa de meetups. «Portugal tem sido visto como um hub de blockchain há muitos anos, e agora há uma energia similar à volta da IA e outras tecnologias emergentes. Para mim, Lisboa é um lugar dinâmico para construir uma empresa, experimentar ideias e aceder a talento forte». Da dor silenciosa à revolução adesiva Num sistema de saúde onde os dispositivos médicos salvaram milhões de vidas, mas ao preço de um problema silencioso e massivo, Sónia Ferreira, fundadora da BestHealth4U, identificou uma falha estrutural que vai além do plano clínico. «é industrial e sistémica». Ño seu entender, o mercado global de adesivos médicos foi concebido há mais de 60 anos e, desde então, os dispositivos evoluiram drasticamente, mas os materiais adesivos estagnaram. ? resultado são as MARSI , lesões cutâneas associadas ao uso de adesivos médicos ? que afectam milhões de doentes em todo o mundo. Como referiu, isto não e mera questão de conforto: gera complicações clínicas, custos adicionais e, não raras vezes, dor no uso dos dispositivos. A BestHealth4U não surge para melhorias incrementais, mas para redefinir o paradigma, deslocando o modelo tradicional de cuidados de reactivo para preventivo e tecnologicamente integrado. Sónia Ferreira descreve a plataforma proprietária Bio2 2Skin, que combina biocompatibilidade, desempenho técnico e sustentabilidade, actuando na causa em vez de reagir à lesão. Mais importante, estruturaram a tecnologia para integração em cadeias de valor globais via um modelo de licenciamento industrial asset-light, permitindo escala internacional sem capex pesado. «Não estamos a desenvolver um adesivo, estamos a construir estrategicamente uma plataforma adesiva para os dispositivos médicos do futuro». A ambição, diz, é criar tecnologia em Portugal com impacto global. A inovação em saúde enfrenta bar. reiras regulatórias e culturais significativas, mas, para Sónia Ferreira, o principal obstáculo em Portugal não foi regulatório, foi estrutural e cultural: financiar DeepTech fora do contexto académico. Não sendo uma spin-off universitária, tiveram de provar desde o primeiro dia que eram uma empresa tecnológica com modelo escalável, e não um mero projecto de investigação. Razão pela qual assumiram desde o inicio um posicionamento disciplinado de DeepTech, investindo fortemente em propriedade intelectual, validação técnica rigorosa, estruturação de modelo asset-light e integração em cadeias industriais já certificadas. «Do ponto de vista regulatório, não tentámos reinventar o sistema. Estruturámos a tecnologia para ser integrada em fabricantes que já operam sob frameworks regulatórios robustos, conhecedores de toda a cadeia de valor, até à entrada no mercado». Este modelo é deliberadamente capital-efficient, com foco em protecção tecnológica, parcerias industriais e licenciamento estruturado, permitindo forte alavancagem operacional e maximização do retorno sobre capital investido. Ño seu entender, uma lição retida em cada conversa com quem lida com MARSI e que a inovação de impacto nasce da intersecção entre experiência real e ciência rigorosa. «A possibilidade que tenho de falar na primeira pessoa sobre o problema, como ostomizada, e em simultâneo sobre a tecnologia, como engenheira biomédica, eleva o nosso conhecimento de toda a cadeia de valor e a empatia para com quem sofre do problema ou cuida de alguém». O European Prize for Women Innovators distingue impacto economico e social, e Sónia Ferreira vê no modelo da BestHealth4U uma convergência perfeita entre ambos. ?o melhorar a integridade cutânea e reduzir complicações associadas a dispositivos médicos, contribuem para a redução de custos indirectos no sistema de saúde, menor necessidade de intervenções correctivas e maior qualidade de vida e conforto. Como referiu, o modelo combina três dimensões: impacto clínico com redução de lesões e melhoria da qualidade de vida; eficiência sistémica com poupança de custos indirectos; e escalabilidade económica via licenciamento global com margens confortaveis. «Sustentabilidade financeira e equidade não são conceitos opostos, quando a tecnologia resolve problemas estruturais, cria poupança sistémica e gera valor economico. ê exactamente essa intersecção que procuramos explorar». Estar entre as semifinalistas de um prémio promovido pelo European Innovation Council altera substancialmente o posicionamento, na visão de Sónia Ferreira. ? EIC e um dos mecanismos mais exigentes de validação DeepTech na Europa, e ser semifinalista não é só reconhecimento da qualidade da equipa da BestHealth4U, mas um sinal de que a inovação portuguesa compete ao mais alto nível europeu. A dedicação da Agência Nacional de Inovação (ANI) às DeepTech coloca-as nesse patamar. Receber O EIC Accelerator e esta nomeação vai além de distinções institucionais: são, no seu entender, validações independentes da robustez tecnológica e potencial económico do Bio2Skin, reduzindo a percepção de risco tecnológico. Do ponto de vista dos investidores, reforça credibilidade, demonstra validação independente e encurta ciclos de decisão. Para parceiros industriais, aumenta confiança na robustez científica e facilita acordos estratégicos. Nos mercados internacionais, posiciona-as como tecnologia europeia validada, facilitando entradas. «Estamos a levantar 2,6 milhões de euros de capital, ja com o compromisso de reinvestimento da Lince Capital, o que demonstra confiança na execução e trajectória da empresa». A BestHealth4U esta numa fase de inflexão, convertendo validação técnica em receitas recorrentes via licenciamento. Esta visibilidade actua como catalisador, acelerando negociações, encurtando ciclos e abrindo portas estratégicas. «Mas visibilidade só cria valor quando acompanhada de execução disciplinada». De diagnósticos ultra-rápidos para infecções respiratórias a passaportes digitais blockchain para cadeias globais e adesivos médicos que previnem lesões cutâneas: três empreendedoras ligadas a Portugal, Neide Vieira, Ella Frances Cullen e Sónia Ferreira, mostram como a tenacidade lusa esta a redesenhar saúde e sustentabilidade ã escala europeia. De diagnósticos ultrarrápidos para infecções respiratórias a passaportes digitais blockchain para cadeias globais e adesivos médicos que previnem lesões cutâneas, três empreendedoras ligadas a Portugal mostram como a tenacidade lusa está a redesenhar saúde e sustentabilidade à escala europeia. Deep tech feita em Portugal já está a redesenhar a saúde a sustentabilidade à escala europeia. Grafeno, blockchain e biomateriais mostram que a inovação no feminino vai muito além das apps e do software. Plataformas escaláveis, modelos asset-light e licenciamento global tornam-se a nova linguagem das startups de saúde e indústria. Diagnósticos em 20 minutos, cadeias de abastecimento transparentes e adesivos que previnem lesões deixam de ser futuro e passam a prática. Entre prémios europeus, investimento de risco e validação tecnológica, a deep tech com ligação a Portugal ganha tração além-fronteiras.