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SURGE SEMPRE NA INFÂNCIA? PIORA NO INVERNO? 7 MITOS E VERDADES SOBRE A ASMA

Sapo Online

2026-05-05 21:06:19

Tópicos hide A asma surge sempre na infância? Pode passar com a idade? Só as pessoas com alergias é que podem desenvolver asma? As pessoas com asma podem praticar exercício físico? A medicação só é necessária quando surgem sintomas? Os inaladores podem causar dependência? A asma pode piorar no inverno? A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas. Caracteriza-se por uma dificuldade em respirar devido a episódios frequentes de pieira, falta de ar, tosse e dor no peito. Apesar de ser uma doença comum e bastante estudada, persistem algumas dúvidas e ideias erradas sobre a asma. Surge sempre na infância? Pode piorar no inverno? Os inaladores podem causar dependência? PUB A propósito do Dia Mundial da Asma, que se assinala esta terça-feira, Diana Silva, imunoalergologista na Unidade Local de Saúde (ULS) São João, professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e vice-presidente regional norte da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), esclarece 7 mitos e verdades sobre a asma. A asma surge sempre na infância? É um mito. Diana Silva explica que “a asma surge frequentemente na infância, mas pode aparecer em qualquer idade, inclusive na idade adulta”. Esta ideia também já tinha sido desmontada pela pneumologista Aurora Carvalho, noutro artigo do Viral. Na idade adulta, “a asma pode surgir associada a exposições profissionais, como poeiras, fumos, produtos químicos ou agentes sensibilizantes”, refere Diana Silva. Além disso, “há perfis de asma que aparecem mais frequentemente em adultos, principalmente em mulheres”. São formas de asma tipicamente não alérgicas, “de maior gravidade e requerem doses mais elevadas de medicação anti-inflamatória” (ver também aqui). Pode passar com a idade? Por definição , e tal como se refere, também, no site do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24) , “a asma é uma doença respiratória crónica, na qual os sintomas variam ao longo do tempo e da intensidade”, adianta Diana Silva. Por vezes, “as pessoas com asma podem permanecer completamente assintomáticas por longos períodos, mesmo sem medicação”. Apesar disso, “não estão curadas, mas sim numa fase de remissão da doença”, esclarece a imunoalergologista (ver também aqui). PUB Mesmo depois de longos períodos sem sintomas, “a sintomatologia pode voltar, pelo que a asma não deve ser apresentada como uma doença curável no sentido clássico”. Segundo Diana Silva, “a ideia de que a asma pode passar com a idade vem, sobretudo, da infância”. Algumas crianças pequenas “têm episódios de pieira transitória, muitas vezes, associados a infeções virais, que não persistem ao longo da vida”, mas, noutros casos, “os sintomas persistem e evoluem para asma”. Só as pessoas com alergias é que podem desenvolver asma? Não é verdade. De facto, “a alergia está frequentemente associada à asma, e muitas pessoas com asma alérgica também têm rinite alérgica”, refere Diana Silva. Contudo, “nem toda a asma é alérgica” (ver também aqui). A professora explica que “a asma não é uma doença única e igual em todos os doentes” e “apresenta várias manifestações clínicas e mecanismos biológicos subjacentes, sendo que alguns deles não se associam à presença de sensibilização a aeroalérgenos” (alergénios ambientais), “como é o caso de algumas asmas que surgem mais na idade adulta”. As pessoas com asma podem praticar exercício físico? Sim, “as pessoas com asma controlada podem e devem ter uma vida ativa, sem restrições à atividade física”, defende Diana Silva. “O exercício físico, nomeadamente a corrida, pode desencadear sintomas em algumas pessoas com asma, sobretudo quando a doença não está controlada, mas não está contraindicado”, avança a especialista. Com o tratamento adequado, “que permita o controlo da doença, a pessoa com asma pode praticar exercício físico sem limitações”. PUB A prática regular e moderada de exercício físico tem “benefícios globais para a saúde” e, “na asma, de forma específica, parece ter um efeito modelador da inflamação e de melhorar o controlo” (ver também aqui, aqui e aqui). Por este motivo, nas recomendações europeias recentes, propõe-se que a prática de exercício esteja incluída no plano de tratamento individualizado da pessoa com asma. A medicação só é necessária quando surgem sintomas? Por norma, não. Como a asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas, “o tratamento com terapêutica anti-inflamatória inalada regular associa-se a maior eficácia no controlo dos sintomas”. Segundo Diana Silva, “os sintomas são, muitas vezes, um sinal de que a inflamação já está ativa e de que a doença não está suficientemente controlada”. Nos doentes com sintomas persistentes, “a medicação deve ser usada com regularidade para prevenir sintomas e exacerbações”. Por outro lado, “em alguns casos de pessoas com asma que estão assintomáticas durante longos períodos, podem apenas necessitar de medicação apenas de alívio”, mas, atualmente, as recomendações dizem que essa estratégia deve incluir “também tratamento anti-inflamatório, e não apenas broncodilatador”. Os inaladores podem causar dependência? Esta ideia não passa de um mito. Diana Silva sublinha a importância de saber distinguir necessidade de dependência. “A necessidade de usar inalador não significa dependência, significa que há uma doença inflamatória das vias respiratórias que precisa de ser controlada”, explica. Aliás, “quando a medicação de controlo é usada de forma adequada, é muitas vezes possível reduzir sintomas, prevenir crises e, ao longo do tempo, ajustar a dose para a menor necessária para que a pessoa com asma fique assintomática”. PUB Importa ainda referir que “a medicação inalada usada na asma, quando aplicada com a técnica correta e nas doses recomendadas, apresenta um perfil de segurança muito favorável”. A asma pode piorar no inverno? Sim, pode. Em declarações anteriores ao Viral, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Jorge Ferreira, já tinha esclarecido que a asma pode piorar no inverno. PUB “No inverno, há vários fatores que podem agravar os sintomas de asma, sobretudo as infeções virais, nomeadamente as por rinovírus”, esclarece Diana Silva. Além disso, “a permanência em espaços interiores pode aumentar a exposição a alergénios, como os ácaros do pó doméstico, ou até a exposição a fungos/bolores, que são relevantes sobretudo em pessoas sensibilizadas”, prossegue. “O frio, as mudanças bruscas de temperatura e a maior circulação de vírus respiratórios” também podem contribuir “para um pior controlo da doença”. Por isso, na perspetiva da imunoalergologista, “nesta altura do ano, é particularmente importante manter o plano de tratamento estabelecido”. Maria Malhado Lopes 5 Mai 2026 - 08:00 Partilhar: PUB [Additional Text]: link whatsapp