LUÍSA SOUSA: “A PRIMEIRA PROPOSTA DE UMA CICLOVIA EM LISBOA FOI FEITA EM 1901, PARA A AVENIDA DA LIBERDADE. E AINDA HOJE NÃO A TEMOS”
2026-04-27 21:06:17

Será Lisboa uma cidade para bicicletas? No Mobi Boom, Luísa Sousa e Diego Cavalcanti, investigadores e co-autores do livro “Cycling Cities: The Lisbon Experience”, desconstroem o mito das sete colinas e apontam para a ambição de seguir o modelo de Amesterdão. Oiça aqui o podcast assinado por Luís Costa Branco Para Luísa Sousa e Diego Cavalcanti, a história da bicicleta em Lisboa é muito mais rica do que o senso comum sugere - e está repleta de mitos por desconstruir. “Lisboa não tinha passado ciclável”, era o que se dizia, mesmo entre académicos. O livro “Cycling Cities: The Lisbon Experience”, do qual são co-autores, veio mostrar o contrário. Não só mais de 70% das ruas de Lisboa têm menos de 5% de declive, como em 1901 foi apresentada a primeira proposta de uma ciclovia - para a Avenida da Liberdade. “Ainda hoje não a temos”, nota Luísa Sousa. Os registos históricos de licenças de velocípedes traçam um retrato surpreendente dos utilizadores de bicicleta: serralheiros, funcionários públicos, militares, trabalhadoras domésticas, estudantes. Só em meados dos anos 60 do século XX é que o número de licenças de automóveis ultrapassou o de bicicletas. "O INE decide não publicar esses dados a partir de 70, porque a ideia era que a bicicleta estava dedicada à obsolescência", explica Luísa Sousa. Em 1950, as bicicletas representavam 40% de todos os veículos em circulação no país. A tensão entre automóvel e bicicleta não é nova, mas foi-se agravando com décadas de planeamento urbano centrado no carro. “Como é que se muda uma política e uma infraestrutura urbana se não se mudam também as ideias e os conceitos que fazem com que se produza esse espaço urbano?”, questiona Diego Cavalcanti. Sobre Lisboa hoje, o diagnóstico é cauteloso. A rede ciclável cresceu, mas de forma inconsistente e o passado recente é um pouco preocupante. “Temos uma manta de retalhos numa série de sítios, houve ciclovias que foram desmontadas, como na Avenida de Berna”, critica Luísa Sousa, que apela a uma visão política clara. “Há coragem para fazer o que Amesterdão fez nos anos 70?” No horizonte, as bicicletas partilhadas e a intermodalidade surgem como alavancas de mudança. “À medida que se oferecem alternativas, não é preciso ser só a bicicleta. A necessidade do carro foi gerada a posteriori - também podemos projetar um futuro em que haja bicicletas”, conclui Diego Cavalcanti. Oiça o episódio na íntegra no topo desta página. Eis a foto mencionada durante a conversa, com D. Maria Pia de Sabóia a andar de bicicleta no Palácio de Queluz Além disso, ha também este registo na Serra de Sintra. A forma como nos movemos define como vivemos. Mobi Boom é um podcast semanal sobre mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades. Dos carros elétricos aos bairros inteligentes, exploramos as ideias, tecnologias e tendências que estão a transformar a malha urbana e a nossa qualidade de vida. Se acredita em cidades mais verdes, humanas e práticas, este podcast é para si. Novo episódio todos os domingos. Mobi Boom é um podcast Expresso, com produção Tale House, e a primeira temporada tem o apoio da Kinto. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa Expresso Expresso