BRAGA DESCOBRE ESTE SÁBADO O SEU NOVO MUZEU
2026-04-25 10:07:03

Novo equipamento cultural de Braga quer ser um fórum aberto, onde se pense, se reflita e se construa futuro. Artista plástico alemão Anselm Kiefer tem uma sala permanente no novo Muzeu. Exposição \ Ao longo de todo o sábado há performances da Oficina Arara + Dr. Urânio, na Praça do Município, em frente ao Muzeu. Fotos: Miguel Pereira Fotos: Miguel Pereira Fotos: Miguel Pereira Fotos: Miguel Pereira É o primeiro museu do Mundo com a palavra "pensamento" no seu título. Criado pelo grupo bracarense DST, o novíssimo Muzeu abre ao público com a exposição "Sejamos realistas, exijamos o impossível", a marcar o 25 de Abril. Cinco andares, três mil metros quadrados de área expositiva e centenas de artistas nacionais e estrangeiros - Picasso, Paula Rego ou Anselm Kiefer -, o Muzeu é concebido como um espaço de encontro, debate e reflexão: a partir deste sábado abre portas para despertar consciências e inquietar. Ontem decorreu a inauguração com a presença do presidente do República, António José Seguro. Instalado no centro de Braga, num antigo palacete reabilitado, nasceu pela mão de José Teixeira, do grupo empresarial DST, que investiu 40 milhões de euros, entre a obra física de requalificação do edifício e o engrossar da coleção artística. "A diversidade, a inquietação, a curiosidade, o movimento e a energia são vitais para a própria cidade", diz o empresário. O olhar de José Teixeira vai sempre para o mesmo ponto: a arte como instrumento para algo, não apenas como objeto terapêutico ou de consolo, mas para fazer evoluir. "A arte não existe, como os trabalhadores, como as populações de todos os países, para ser obediente", assegura. Serve, sim, para despertar, inquietar, provocar - e é isso que o Muzeu quer fazer. "A arte, a literatura, a poesia, são essas ferramentas que facilitam o caminho, esse caminho de partida e que não tem chegada", garante o mecenas, que deseja criar em Braga o "efeito Bilbau" - ou seja, "a partir da cultura, transformar o mundo num lugar mais belo para mais gente". Sublinha: "Um homem livre faz mal aos ditadores". Aliás, não é à toa que o nome oficial é Muzeu - Pensamento e Arte Contemporânea DST, já que este novo equipamento cultural quer ser um fórum aberto, onde se pense, se reflita e se construa futuro. "Este não é apenas um museu de arte contemporânea. É o primeiro museu do Mundo que inscreve a palavra pensamento no seu título", salienta a curadora e diretora-geral Helena Mendes Pereira. 1500 obras em 40 anos De frente para a Praça do Município, a fachada do Muzeu, projeto do arquiteto bracarense Carvalho Araújo, apresenta uma escultura permanente de José Pedro Croft e, desde as portas de bronze até à escada infinita do 5.° andar, vai mostrar a extensa coleção que José Teixeira construiu nos últimos 40 anos. Hoje, o empresário possui mais de 1500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais, que ali têm espaço para ser descobertas. Um quadro de Picasso é um "pequeno tesouro", diz Mendes Pereira, mas dentro da coleção há também Nan Goldin, Richard Long, Candida Höfer, André Butzer, Sue Webster & Tim Noble, Caio Reisewitz, Jason Martin, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis ou Julião Sarmento. Um dos núcleos centrais é dedicado ao alemão Anselm Kiefer, um predileto de José Teixeira, que tem sala permanente. O novo Muzeu terá uma programação contínua de conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas. O objetivo é que seja um espaço de confluência das "várias tribos" das artes e da cultura. Um dos destaques do arranque acontece já na terça-feira, às 17.30 horas, com uma homenagem a José Mário Branco (1942-2019). "Sejamos realistas, exijamos o impossível" "Abril Abril" é o primeiro ciclo de programação do Muzeu, que abre oficialmente este sábado, data escolhida propositadamente para celebrar os 52 anos da Revolução dos Cravos. Entre as 11 e as 19 horas, poderá ser visitada a exposição "Sejamos realistas, exijamos o impossível", que conta com mais de cem obras de 96 artistas, 40 portugueses e 56 internacionais, provenientes da coleção de José Teixeira. Ao longo de todo o sábado haverá também performances da Oficina Arara + Dr. Urânio, na Praça do Município, junto ao novo equipamento cultural. Até ao fim do mês, a entrada no Muzeu é grátis. Ricardo Reis Costa