pressmedia logo

DEFESA - GOVERNO DUPLICA GASTOS E BATE FASQUIA DOS MIL MILHÕES

Jornal de Notícias

2026-04-12 06:00:06

Governo duplicou investimento em Defesa e há cada vez menos para O SNS Montante aplicado no ministério liderado por Nuno Melo disparou 83% no ano passado. Verba destinada ao setor público de saúde recuou 18% abilio.ribeiro@jn.pt MODERNIZAçâO O investimento público em Defesa disparou 83% ôno ano passado, ultrapassando os mil milhões de euros. O Goverôno destinou a esta área mais 594 milhões do que em 2024, um montante superior aos orçamentos dos ministérios do Ensino Superior, Saude, Agricultura, Finanças, Segurança Social ou Justiça juntos. Já o Serviço Nacional de Saúde (SNS) viu a rubrica de investimentos recuar 17,9%. A aplicação do dinheiro reflete-se essencialmente na compra de aeronaves, navios e carros de combate (ler texto ao lado) e em habitação. “o Governo decide, o Governo executa”. A frase foi dita pOr Luís Montenegro num vídeo publicado recentemente nas redes sociais para assinalar os dois anos do Executivo da AD. E o reflexo dessas decisões está plasmado nos númeIOS agora consultados pelo JN. Em 2025, o investimento ônos organismos do Estado aumentou 1,7 mil milhões, mais 22% do que em 2024. E um dos principais impulsionadores é o Ministério da Defesa, que duplicou a verba disponível, de acordo com o relatório da Direção-Geral do Orçamento sobre a síntese da execução orçamental até dezembro. Face aos conflitos internacionais que se vão de-sencadeando e com a NATO a pedir mais esforços aos países, o Governo cumpriu e aumentou o investimento de 708,3 milhões para 1,3 mil milhões para capacitar as Forças Armadas. E mais dinheiro do que qualquer outro destinado a um organismo da Administração Central (Governo) e foi aplicado na sua quase totalidade em plataformas de combate médias, modernização de fragatas, novos meios de patrulha e aeronaves. Para se encontrar uma rubrica acima dos mil milhões de euros, é preciso olhar, por exemplo, para a Administração Local as autarquias onde foram aplicados 3 ,6 mil milhões face aos 2,8 mil milhões de 2024. O relatório explica que esses investimentos estão relacionados com “habitação e outras construções”. MARCHA ATRâS NO SNS Quem não acompanha esta evolução é o SNS. Segundo a execução financeira consolidada do organismo, presente ôno mesmo relatório, o investimento no sistema de saúde recuou 17,9% entre 2024 e 2025, passando de 412 milhões de euros para 338,9 milhões. A última vez que o montante foi tão baixo ocorreu em 2022, durante a governação de António Costa e com o país a desconfinar da pandemia. o financiamento do SNS provém na sua maioria do Estado, mas as contas estão fora da despesa relativa a investimento das administrações públicas. “A guerra na Ucrânia, a evolução da dinâmica geopolítica da NATO, O rearmamento europeu, tudo isso colocou o investimento em capital na área da Defesa com uma prioridade muito elevada. Temos compromissos internacionais que se tornaram mais importantes de respeitar, nomeadamente a regra de 2% do PIB”, explica o economista Pedro Brinca. Depois do ministério tutelado POr Nuno Melo, é o da Saúde que concentra a maior fatia da aplicação de dinheiro na Administração Central: foram 456 milhões executados em 2025. Segue-se o Ensino Superior, com 396,7 milhões de euros: só o alojamento estudantil a custos acessíveis absorveu 139 milhões. Mas até que ponto é que este investimento leva ao aumento da competitividade da economia? Pedro Brinca realça que tudo depende das opções tomadas. A modernização da Administração Pública é um desafio importante a vencer. Se o dinheiro for empregado na melhoria da capacidade do Estado português conseguir assegurar a proteção de determinados bens jurídicos com menos meios e de forma mais eficiente, traduzindo-se num menor ónus de encargos para as empresas, naturalmente que aumenta a competitividade”, diz. MEIOS Os milhões de investimento do Ministério da Defesa são muitos e a maioria destina-se a aquisição de meios para capacitar a frota dos diferentes ramos das Forças Armadas. Aviões, navios ou modernização de carros de combate são alguns exemplos. ção, a Marinha vai contar nos próximos anos com seis novos navios patrulha oceânicos da 3.a série. O investimento é de 110,6 milhões de euros. O primeiro começou a ser construído há um ano, nos estaleiros West Sea, em Viana do Castelo, onde também serão projetados e construídos os restantes. Capacitados para várias atividades de natureza militar, os navios poderão atuar em ambientes de guerra de minas, projeção de forças, vigilância submarina e ono apoio a operações especiais. O salvamento marítimo, a fiscalização da pesca ou o apoio ao combate a atividades ilegais são outras atividades que podem desenvolver. 2 MODERNIZAçáO DAS FRAGATAS milhões de euros Outra rubrica detalhada no relatório prende-se com a modernização de meia-vida das fragatas, com 76,1 milhões de euros investidos. Segundo a Marinha, há cinco fragatas a operar. São navios de 1500 a cinco mil toneladas de deslocamento e entre 75 e 150 metros de comprimento. Estão equipadas com armamento antissuperficie, antiaéreo e antissubmarino e normalmente funcionam como escoltas oceânicas. As fragatas Vasco da Gama e álvares Cabral são as mais antigas e já fazem parte do efetivo da Armada desde 1991. Em fevereiro, a Marinha anunciou que OS estaleiros portugueses Navalrocha ganharam um contrato até 16,3 milhões de euros para modernizar duas embarcações. Os trabalhos vão incidir precisamente na adaptação da fragata Vasco da Gama e na Corte Real, acontecerão ono Arsenal do eeee Alfeite e a sua conclusão está prevista para 2028 e 2029. O objetivo passa pOr “assegurar que a Esquadra se mantém operacional e tecnologicamente alinhada com OS compromissos de Portugal no âmbito da NATO”, adiantou esta força ao jornal económico “Eco”. 3 AERONAVE A-29N SUPER TUCANO TIT milhões de euros Produzidos pela Embraer, já estão em Portugal os primeiros cinco de 12 aeronaves A-29N Super Tucano. Estes aviões são reconhecidos pela sua versatilidade e eficiência, bem como pela capacidade para operar em ambientes distintos. Atingem uma velocidade máxima de 590 km/h e um alcance de 1398 km. As características do motor e a hélice de cinco pas permitem operar com mais peso e transportar até 1550 kg de carga extena. Também já iniciaram a fase de voO OS primeiros seis pilotos da Esquadra 101 “Roncos”, que, no futuro, vão operar estas aeronaves. Estão sediadas na Base Aérea N.C11, em Beja. O investimento observado ono ano passado foi de 74 milhões de euros. 4 AERONAVE KC-390 +o FO milhões de euros Entre os investimentos militares feitos no ano passado, a maior fatia foi para a aeronave KC-390, num total de 192,7 milhões de euros. Estamos a falar do sexto destes aviões para a Força Aérea e o Estado tem o direito de opção para aquisição até dez aeronaves adicionais a países terceiros. “são muitas as empresas portuguesas que cresceram, são muitos os postos de trabalho que foram criados e são muitos os milhões que entraram nos cofres do Estado por causa do projeto KC-390. Ora, isto é investimento, é bom para a indústria, é bom para a economia e é bom para Portugal”, disse Nuno Melo, durante a cerimónia de assinatura que concretizou a compra da aeronave. Os KC-390 são capazes de desempenhar várias missões, nomeadamente o transporte de tropas e veículos, lançamento de paraquedistas e carga, transportes aeromédicos, missões de busca e salvamento ou reabastecimento aéreo. Esta aeronave está entre as escolhas de várias forças aéreas mundiais, nomeadamente a brasileira e a hungara, que foram das primeiras a operar. 5 PLATAFORMAS DE COMBATE MéDIAS milhões de euros Dos 1,2 mil milhões executados em investimentos militares, cem milhões vão capacitar e modernizar as Pandur II 8x8, as viaturas blindadas do Exército. A frota é composta POr 188 carros, mas apenas 65 vão beneficiar das alterações. Estes Pandur, cuja modernização estará concluída até 2032, vão ver o ciclo de vida estendido, as capacidades técnicas reforçadas e os sistemas de simulação atualizados. As obsolescências tecnológicas também serão mitigadas. As viaturas ao serviço do Exército encontram-se projetadas em vários teatros de operações, como a República Centro-Africana, a Roménia e a Eslováquia. BILIOT.RIBEIRO Aposta no orçamento militar supera a de vários ministérios juntos P. 22 23 NO PARLAMENTO Número de efetivos O PS pediu anteontem, ao Ministério da Defesa, informação detalhada sobre o número de entradas e saídas das Forças Armadas desde 2022. Desvalorização O CDS acusou, na semana passada, os socialistas de terem desvalorizado as Forças Armadas a0 longo de oito anos. O PS refutou e afírmou que o atual Governo benefcia do contexto internacional. Aproximar jovens os deputados do PSD, Chega e PS concordaram na necessidade de debater novas formas de aproximar jovens às Forças Armadas e de estudar o modelo atual do Dia da Defesa Nacional. As novas aquisições das Forças Armadas "A modernização da Administração Pública é sem dúvida um desafio importante a vencer (.) tudo depende de que opções são feitas e como e que o dinheiro é gasto” Pedro Brinca Economista 1 NAVIOS PATRULHA OCEáNICOS (NPO) DA 3.a SéRIE milhões de euros Para aumentar a capacidade de patrulha e fiscaliza- Abílio T. Ribeiro