HYUNDAI IONIQ 6 N LET ME ENTERTAIN YOU
2026-04-04 21:09:14

Novo desportivo totalmente eléctrico do construtor sul-coreano, superequipado ao estilo Fast and Furious, chega ao mercado português no Verão, por 81.500 euros. Maria Lopes a Há carros feitos para a estrada e carros com ADN de pista. Quem é que olha para um puro eléctrico de mais de duas toneladas e não sente os lábios torcerem-se num esgar de dúvida ao imaginá-lo num autódromo? O novo Hyundai Ioniq 6 N consegue facilmente desmistificar a ideia de que não existem verdadeiros desportivos eléctricos. O atelier desportivo da marca sul-coreana vitaminou a berlina Ioniq 6 no design e debaixo do capot e tornou um carro de estrada, tipicamente para condutores de gravata e com filhos que já não precisam que os vão buscar à discoteca de madrugada, num “pedaço de mau caminho” para quem tem de cumprir limites do Código da Estrada. Não sendo o Hyundai com mais força de sempre porque partilha o motor com o SUV Ioniq 5 N, consegue extrair até 650cv de potência combinada dos dois motores no modo NGB - N Grin Boost (sem ele, são 609cv). Trata-se de um sistema activado por uma patilha no volante que maximiza a aceleração e a resposta dos dois motores durante dez segundos sobretudo para efeitos de ultrapassagem o motor do eixo traseiro aumenta o débito de 383cv para 412cv (303kW) e o do dianteiro de 226cv para 238cv (175kW) , e que depois só pode ser usado novamente daí a outros dez segundos (uma espécie de injecção digital de óxido nitroso). O tempo de aceleração dos zero aos 100 km/h baixou de 3,4 para 3,2 segundos (registe-se que o Ioniq 6 demora mais do dobro, uns calmos 7,4s) com o uso do denominado N Launch Control, e a velocidade máxima é agora de 257 km/h. A autonomia combinada anunciada pela marca é de 487 km (será muito menos para quem aproveitar todo o potencial de performance), com uma bateria de 84 kWh, que a potências de 350 kW consegue carregar de 10% a 80% em 18 minutos. De onde vem o N? É o símbolo da divisão desportiva da marca sul-coreana, cujo centro de desenvolvimento está em Namyang, e que faz as validações para o mercado europeu no circuito alemão de Nür-burgring. A risca vermelha do logótipo branco denuncia este ADN desportivo: é a chicane de uma curva num circuito automóvel. O Ioniq 6 N tem toda uma panóplia de sistemas N, novos ou optimizados em relação ao 5, para aguçar o desempenho desportivo do carro, que pode ser preparado ainda antes do arranque: o N Battery adapta a temperatura e comportamento da bateria para o tipo de condução que se tenciona fazer (Drag/Sprint/Endurance). Se o prazer da força está à distância de um pé no acelerador, a experiência nunca é a mesma sem som por se tratar de um carro eléctrico. Por isso, a marca trabalhou a sono-ridade para simular digitalmente o ruído do motor de combustão através do N Active Sound+, desde o roncar de um V8 até ao que parece o som de uma nave espacial (recomenda-se que se fique pela inspiração Fast and Furious, em vez de Star Wars...). Se se somar o N e-Shift, nas patilhas no volante, é optimizada a sensação de condução de um superdesportivo de combustão. Na apresentação ao mercado europeu, a Hyundai levou os jornalistas para uma pista numa serra na Catalunha, incluindo uma actividade de drifting para mostrar todas as potencialidades do modelo, sobretudo as tais ao estilo Fast and Furious. Sejamos claros: é impossível percebê-las num ritmo de meia dúzia de voltas. Sim, percebe-se perfeitamente a “patada” de dez segundos do NGB - N Grin Boost, mas precisávamos de mais umas (muitas) voltas para assimilar sistemas como o N Pedal e o NBrake Regeneration, que optimizam as funções de aceleração e travagem e que, no limite, permitem conduzir o carro apenas com o pedal do acelerador. Para quem queira aproveitar todo o potencial do 6 N (e não se importe com a factura dos pneus), nada como usar o N Drift Optimizer, em que o condutor pode definir, por exemplo, o ângulo, a derrapagem e a velocidade da manobra, ou o N Torque Distribution, que coloca a tracção toda à frente ou atrás e torna o drift mais “manual”. O Ioniq 6 N tem um ar muito mais desportivo do que o 5 N, desde logo por ser berlina ou seja, mais baixo, mais longo (e mais elegante, embora isso seja uma questão de gosto pessoal) , sendo que, mesmo em rela-ção ao 6, foi rebaixado, ganhou uma nova suspensão, amortecedores de controlo electrónico e um diferencial traseiro autoblocante. Esteticamente, recebeu novos guarda-lamas e pára-choques rematados por um friso vermelho, um capot quase sem “ombros”, faróis estreitos a parecer um par de olhos semicerrados, um enorme aileron swan neck fixo(em estilo pescoço de cisne, que melhora a eficiência e a estabilidade aerodinâmica e lhe confere a imagem característica dos desportivos, mas aqui, em preto, com um charme aguçado), jantes de 20 polegadas e cores da carroçaria específicas, adoptando um bonito azul pérola como imagem de marca do modelo. No interior, impera o negro, que vai dos bancos em estilo baqueta (muito confortáveis, que parecem que se adaptam ao nosso corpo, ajustáveis manualmente) ao tecido Alcantara dos assentos e do tecto, assim como é de realçar a sensação de espaço nada comum num carro de natureza tão desportiva , tanto à frente como para quem viaja atrás (o chão liso permite espaço igual para todos). A profusão de botões e comandos no volante e na consola central somada ao enorme ecrã que também controla quase tudo no carro pode ser ligeiramente assustadora e demora algum tempo até se intuir a sua organização. Sobretudo porque ali se concentra toda uma bateria de informação, desde os sistemas de infotainment até aos dados específicos do comportamento do veículo. A assinatura da linha desportiva N “never just drive” (traduzível por “nunca apenas conduza”) assenta como uma luva neste Ioniq: divertido de conduzir, desafiante, provocador, sedento de mais estrada. A pergunta directa é: quem, em Portugal, está disponível para pagar 81.500 euros por um Hyundai eléctrico? Se houve 50 clientes que o fizeram pelo 5Nemdoisanos performance que surpreendeu o importador , a marca acredita que o 6 N, que chega ao mercado nacional no início do Verão, consiga feito parecido. Maria Lopes