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PRODUTIVIDADE - EX-MINISTROS DENUNCIAM FALTA DE AMBIÇÃO DOS EMPRESÁRIOS

Negócios

2026-03-19 06:00:05

Indústria da defesa nacional tem de “perceber o que pode dar à Europa” A produtividade em Portugal continua abaixo da europeia e três antigos ministros da Economia juntaram-se para discutir a problemática. Não há uma razão única para explicar o atraso nacional, mas a falta de ambição do tecido empresarial e a mentalidade conservadora são candidatas. Três antigos ministros da Economiasentaram-se à mesa para discutirem o estado do país e o diagnóstico foi unânime: existe um problema de falta de produtividade em Portugal e não há apenas uma razão para a explicar nem uma solução milagrosa. As posições dos sintervenientes pouico divergiram, com todos a apontarem para a falta de ambição dos empresários e uma mentalidade de “medo do sucesso” que acaba por limitar a expansão das empresas, mas a atribuírem diferentes pesos a outras razões. Para Pedro Siza Vieira, antigoministro da Economia de António Costa, a qualidade da gestão das empresas é um dos principais entraves ao crescimento da produtividade. e um cenário quie, admite, estáse a ralterar com as novas gerações, mas afirma que ainda vivemos num país em que “os nossos gestores têm menores qualificações do qule a sua força laboral”. “Nós temos, dentro da economia portuguesa, empresas que são muito bem geridas o problema aqui é da qualidade média”, refere. Já António Pires de Lima, ministro da Economia de Pedro Passos Coelho, aponta o dedo ao Estado , um “devorador de empresas”. “Um dos grandes arrependimentos quie tenho como político é não termos conseguido inverter a tendência de impostos demasiado progressivos para as empresas e pessoas”, explica, referindo ainda que há uma “cultura antimeritocrática contra as empresas, em especial, grandes empresas” no país, que tem limitado o crescimento. “Existe medo do suIcesSO em Portugal. Acho que isso no final explica todo um conjunto de outros aspetos, desde o sistema fiscal à burocracia e à falta de senti-“Temos de perceber o que conseguimos dar à Europa e escolher onde podemos aplicar a capacidade e o talento que temos”. O retrato é feito por Pedro Petiz, diretor de desenvolvimento estratégico da Tekever, um dos elementos do painel sobre defesa que decorreun no congresso. Para Ricardo Pinheiro Alves, “chairman” da idD Portugal Defense, “é muito importante que os projetos tenham interesse nacional” e, para isso, “a indústria tem de saber o que os ramos militares precisam”. Nuno Coutinho, “head of Institutional do deurgência, que levam aestes problemas de eprodutividade”, ,refere ainda. António Costao e Silva, antigo ministro da Economia de António Costa, converge, falando também de um “problema de mentalidade” num país de microempresas, onde existe uma “hostilidade contra os lucros”. “Portugal tem um problema de autoimagem. Não somos os melhores do mundo, mas podemos vir a ser”, ,remata. Os três antigos ministros da Economia apontam ainda baterias aos elevados custos de contexto em Portugal. Siza Vieirarefere que mexer nesta área “é das coisas mais difíceis de fazer” em termos de escolhas políticas, mas, ao mesmo tempo, das mais importantes , até porque é um grande entrave ao investimento. “Nós temos um problema de investimento privado e público, porque é quase impossível investir em Portugal”, explica. Já Pires de Lima fala de uima faltadesentidoo leurgência”, ,que está bastante interligada a estes custos de contexto. “Isto traduzsenumsistemadejustiçaemque o tempo não é uma variável, sistemas de licenciamento e burocraciaqueo criamuma situação de impotênciae levamadificuldades Affairs” da OGMA, indica que a indústria deve trabaIhar “com aquilo que tem, e não o que falta”, até porque “não existe capacidade das empresas cumprirem o ciclo de produção completo”. Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite, relembra que “entrar no mundo da defesa é complexo”. “Não vamos conseguir desenvolver o setor se não tivermos cá os OEM”, diz, referindo-se às empresas que produzem componentes ou produtos finais utilizados por outras. “ A defesa não é ir a uma feira e vender, isso não acontece", atira. em tomar riscos”, acrescenta o antigoministrode Passos Coelho. Olhando para o papel do Estador no fomento da produtividade, Siza Vieira não tem dúvidas quie esedevedeixari mercado fincionar, mas não retira o apoio público laequação. No entanto, refere, “háqueserseletivo” eperceber quie o Estado "não pode ir a tudo”. “Temos osdeescolheras presas e setores que dão melhores resultados”, conclui. Por seur lado, António Costa e Silva apela a aumamaior descentralizaçãodo poder político, quie considera ser um dos grandes entraves ao crescimento económico. RJS &. Temos, na economia, empresas que são muito bem geridas. o problema é da qualidade média. PEDRO SIZA VIEIRA Antigo ministro da Economia &C Portugal tem um problema de autoimagem. Não somos os melhores do mundo, mas podemos vir a ser. ANToNIO COSTA E SILVA Antigo ministro da Economia. &6 [Temos uma] justiça em que o tempo não é uma variável. o licenciamento e a burocracia criam impotência. ANToNIO PIRES DE LIMA Antigo ministro da Economia RJS