03/12 SÉRIE 4 - BATERIAS DE VEÍCULOS ELÉTRICOS: EVOLUÇÃO E REALIDADE
2026-02-28 22:08:38

A durabilidade das baterias continua a ser uma das maiores dúvidas no pós-venda de veículos elétricos. Um estudo recente da Geotab, baseado em dados reais, mostra o que realmente influencia a degradação e o que é, afinal, mito. TEXTO RODRIGO AMOÊDO PINTO (rodrigo.pinto@world-shopper.com) Asaúde da bateria é, ainda hoje, um dos temas mais sensíveis no contacto com clientes de veículos elétricos, especialmente no pós-venda e no mercado de usados. Autonomia, custo de substituição e longevidade continuam a gerar dúvidas. Um estudo recente da Geotab - empresa canadiana especializada em telemática e gestão de frotas, que analisa milhões de dados reais recolhidos de veículos conectados em todo o mundo - ajuda a trazer dados concretos para um debate muitas vezes dominado por perceções. A análise teve por base mais de 22.000 veículos elétricos, de diferentes marcas e modelos, acompanhados ao longo de vários anos. A principal conclusão é clara: a degradação média das baterias situa-seemcercade 2,3% por ano .Istosignifca que, ao fm de oito anos, a maioria dos veículos mantém mais de 80% da capacidade original, um valor alinhado - ou até superior - às garantias oferecidas pelos fabricantes. O estudo mostra também que a degradação não é linear. Os primeiros anos tendem a apresentar uma perda ligeiramente superior, estabilizando depois num ritmo mais lento. Para o pós-venda, este dado é fundamental: uma quebra inicial de autonomia não signifca um problema iminente, mas sim um comportamento normal da química das baterias. Entre os fatores que mais infuenciam a degradação, destaca-se o uso frequente de carregamento rápido em corrente contínua, sobretudo acima dos 100 kW. Veículos que recorrem intensivamente a este tipo de carregamento apresentam taxas de desgaste mais elevadas. Ainda assim, o impacto continua longe de ser dramático para a maioria dos utilizadores. A temperatura ambiente é outro fator relevante. Climas muito quentes aceleram ligeiramente a degradação, reforçando a importância de sistemas efcazes de gestão térmica - hoje comuns nos modelos mais recentes. Já a utilização intensiva do veículo tem um impacto moderado, mas previsível: mais quilómetros signifcam mais ciclos de carga, embora também maior retorno operacional, especialmente em frotas. Contrariando um mito frequente, o estudo indica que não é necessário evitar sistematicamente cargas a 100% ou descargas mais profundas. O que realmente acelera o desgaste é manter a bateria durante longos períodos constantemente muito cheia ou muito vazia. Na prática, o uso normal diário não representa um risco signifcativo. Para os profssionais de pós-venda, estas conclusões são uma ferramenta poderosa. Permitem comunicar com confança, esclarecer clientes e valorizar veículos elétricos usados com base em dados reais, e não em receios infundados. A mensagem é simples: as baterias dos veículos elétricos modernos são robustas, previsíveis e, na maioria dos casos, duram tanto ou mais do que o próprio veículo. Num setor onde a confança é decisiva, informação clara e fundamentada continua a ser um dos melhores serviços que o pós-venda pode oferecer. World-Shopper | Viver Elétrico | Viver Elétrico Pro Formação em mobilidade elétrica para profissionais e utilizadores frotistas. rodrigo.pinto@world-shopper.comwww.world-shopper.com/vivereletrico.html i/rodrigoamoedopinto www.world-shopper.com/vivereletricopro.html f /groups/vivereletrico RODRIGO AMOÊDO PINTO