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ENTREVISTA MASAYUKI HAMAMATSU E MASATSUGU TANAKA - HONDA WN-7 "SÊ O VENTO

Motojornal

2026-02-26 22:07:24

A Honda deu um passo histórico ao apresentar a WN7, a sua primeira moto elétrica de dimensões e ergonomia convencional e o ponto de arranque de uma nova era no universo das duas rodas. Revelada no EICMA 2025 em Milão, a WN7 surge como o primeiro modelo da série WN, com um conceito que pretende trazer a sensação de condução fluida e envolvente típica de um motor elétrico, mas sem perder o carácter e identidade que definiram as motos Honda durante décadas. onome do modelo não foi escolhido ao acaso: o "w" vem de “Be the Wind” (sê o vento), O "N“ representa “Naked" e o "7" faz referência à classe de potência onde se insere esta moto elétrica. Para desmistificar o processo de desenvolvimento, as escolhas técnicas e as ambições da Honda neste campo, conversámos com dois dos engenheiros que lideraram o projeto, Masayuki Hamamatsu, o Diretor Geral e Vice Presidente Assistente para a Unidade de Negócio de Eletrificação de Motos e Power Products e com Masatsugu Tanaka, o Líder de Projeto da WN7. O nosso objetivo foi claro desde o início: perceber as opções de design, tecnologia e posicionamento deste ónovo modelo elétrico, que é muito mais do que um "protótipo” óno papel. A Honda não está apenas a criar apenas um novo produto, mas uma nova marca elétrica dentro da Honda. Como surgiu essa necessidade e qual foi o ponto de partida? Não queríamos apenas adaptar um produto elétrico ao nosso catálogo tradicional, queríamos criar uma identidade própria para os veículos elétricos. A marca Honda de combustão interna é muito forte e pode diluir a perceção do que significa um veículo elétrico (EV). Por isso considerámos que uma abordagem diferenciada fazia senti-do, embora, no futuro, possamos unificar as marcas se os clientes se confundirem com múltiplas identidades. Ainda é uma questão em aberto. Acho que atualmente, com as regulações globais e a evolução das expectativas dos clientes, precisamos ponderar quando e como vamos transitar do ICE (motor de combustão interna) para elétrico, num ritmo que faça sentido para os consumidores e para a tecnologia disponível. Isso sugere que a transição dos motores de combustão para elétricos não será linear, quais são os principais desafios que enfrentaram nessa transição? é uma grande diferença. O ICE tem uma cadeia de desenvolvimento de mais de 100 anos, enquanto o EV ainda está a crescer. os desafios principais são equilíbrio de peso, autonomia e integração de tecnologia, especialmente quando queremos alcançar performances comparáveis ao que os motociclistas conhecem e esperam de motos clássicas e desportivas. Por exemplo, há uma pressão enorme para que um modelo elétrico tenha desempenho semelhante ao de uma moto com motor de combustão equivalente, binário abundante e aceleração forte, mas isso implica aumentar bateria e peso. Se aumentarmos demasiado a bateria pelo simples motivo de ter mais autonomia, perdemos em agi-lidade, que é um dos fatores-chave numa moto. Ainda não existe uma resposta clara sobre quando é que baterias suficientemente leves e potentes estarão disponíveis para satisfazer tudo isso, e honestamente, também não sabemos. AWN7 é um marco, mas ela foi criada para ser “familiar” e não estranha aos olhos de quem conduz uma moto a combustão. Foi essa uma decisão consciente de design? Sim. Muitos clientes ainda se sentem mais confortáveis com o visual e a sensação de uma moto tradicional, guiador, posição de condução, equilíbrio, etc. Por isso, mesmo sendo totalmente elétrica, quisemos dar-lhe uma silhueta que as pessoas reconhecem, com certas referências mecânicas que evocam uma moto tradicional, como a estrutura de suporte e o design do quadro. A ideia era dar uma sensação de continuidade e familiaridade aos motociclistas que, de outra forma, poderiam hesitar em abraçar uma solução totalmente nova. Essa aproximação ajuda a eliminar a estranheza que muitas vezes se associa aos veículos EV, não fazer algo futurista apenas por ser tecnológico, mas que funcione e se sinta "natural" na estrada. Tecnicamente, quais foram os maiores desafios na construção desta moto elétrica? o maior desafio foi integrar a bateria e as peças elétricas de uma forma que não comprometesse o equilíbrio da moto e a dinâmica de condução. O conceito de quadro sem estrutura tradicional, onde a bateria de iões de lítio fixada centralmente forma parte da própria estrutura, é um exemplo claro disso, melhora a centralização de massa e garante uma condução mais ágil. A bateria de 9.3 kWh foi projetada para proporcionar autonomia certificada de até 140 km no ciclo WMTC, com tempos de carregamento rápido de 20 a 80% em cerca de 30 minutos usando o padrão ccs2, ou uma carga completa em menos de três horas através de uma tomada doméstica ou wallbox. Além disso, queríamos que tivesse binário forte, cerca de 100 Nm, alinhado com o binário de uma moto a combustão de topo, ao mesmo tempo que a potência máxima ronda os 50 kW (cerca de 68 cv), suficiente para uma condução urbana e em estrada sem limitações evidentes. Vocês mencionaram que a evolução da tecnologia é importante, mas ao mesmo tempo há pressão das regulações e políticas governamentais. Como equilibram isso? e um ato de equilíbrio constante. ás respostas políticas e as regulações mudam rapidamente, por exemplo, algumas cidades como Hanói implementaram restrições ao ICE sem aviso prévio, mudando instantaneamente o panorama de mobilidade urbana. Isso força os fabricantes a adaptar-se de forma ágil, mesmo que nem sempre o mercado consumidor esteja totalmente preparado ou queira a mudança. Por isso, a Honda está a trabalhar em múltiplas frentes, EV, tecnologias híbridas, ICE com combustíveis alternativos como biocombustíveis ou soluções flexíveis, pois a neutralidade de carbono não vem apenas dos veículos elétricos. e importante dialogar com governos e parceiros para que a transição seja gradual e sustentável, tanto tecnicamente quanto economicamente. Numa perspetiva mais ampla, qual é o papel da WN7 na estratégia da Honda para veículos elétricos? A WN7 é mais do que apenas um modelo, é um marco estratégico. Nós queremos ser um player relevante õno mercado EV, não apenas por causa das exigências de emissões, mas porque reconhecemos que diferentes clientes terão soluções diferentes. Algumas pessoas vão querer desempenho semelhante às motos a combustão, outras vão priorizar uso urbano ou custos operacionais baixos. Portanto, esta moto é um primeiro passo para expandir a gama elétrica, alcançar diferentes públicos e aprender com a experiência real de utilização. A gama WN representa a nova série EV da Honda que preserva as qualidades clássicas da marca: equilíbrio, estabilidade e prazer de condução, mas com o benefício adicional de um motor elétrico silencioso, suave e sem vibração. O que representa a WN7 para a Honda A Honda WN7 é muito mais do que um modelo novo: é o sinal tangível de que a marca japonesa está a repensar seriamente a mobilidade elétrica õno mundo das duas rodas. A entrevista evidencia uma flosofa de desenvolvimento que combina tradição e futuro, onde tecnologia, design e a experiência de condução são ponderadas com cuidado para manter os valores que fizeram da Honda uma referência mundial em motos. Ao mesmo tempo, a WN7 mostra que a eletrificação não é apenas sobre cortar emissões, mas também sobre criar um novo tipo de prazer ao conduzir, como "soprar com o vento” pelas estradas urbanas e suburbanas. Nos próximos meses, com os primeiros testes e entregas aos clientes europeus previstos para breve, vamos trazer um teste de condução desta inédita moto elétrica Honda já na próxima edição da Motojornal para perceber como se sente de verdade o vento õno rosto quando se anda sem motor de combustão na WN7. Não percam! RESPONSàVEIS DA PRIMEIRA MOTO ELéTRICA DE PRODUçàO DA HONDA "A GAMA WN REPRESENTA A NOVA SeRIE EV DA HONDA QUE PRESERVA AS QUALIDADES CLáSSICAS DA MARCA" HUGO RAMOS