REFLEXÃO NO FEMININO SOBRE O PODER DA PALAVRA NA ÁGORA DE CÁ
2026-02-25 22:06:02

Manuela Pimentel, Filipa Leal e Capicua reuniram-se ontem na ZET para reflectir sobre o poder da palavra enquanto instrumento de expressão, resistência e transformação social. O Poder da Palavra juntou, ontem, a artista Manuela Pimentel, a escritora e poetisa Filipa Leal, e a rapper Capicua naquela que foi a 17.ª sessão do programa de conversas Ágora de Cá , desenvolvido pela ZET. A conversa moderada pela curadora e directora-geral da ZET, Helena Mendes Pereira, aconteceu com sala cheia e veio discutir no feminino como podemos recorrer à palavra e ao seu imenso poder como forma de chegar e tocar o outro, como forma de expressão e de luta ou “antídoto contra discursos intolerantes”. O debate que juntou três mulheres activistas, surgiu na sequência na exposição Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem , de Manuela Pimentel. Patente na ZET até 21 de Março, a mostra reúne um vasto conjunto de obras maioritariamente inéditas que afirmam a poesia, a liberdade e o pensamento crítico como matéria central da criação artística. O evento teve início com o lançamento do catálogo da exposição Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem , de Manuela Pimentel. “Um documento que explora a linguagem da artista de uma forma mais próxima da realidade visitável, indo de encontro às opções curatoriais”. Nas palavras de Helena Mendes Pereira, o catálogo traduz-se “numa forma de fazermos memória desta exposição que a Manuela Pimentel concebeu propositadamente para este espaço, e para a qual convocou um conjunto de poetas e autores. A Manuela trouxe as palavras e o poder das palavras destes autores que dão topografia de rua à galeria. Há este exercício, no seu processo criativo, de levar a rua para o ateliê e nós trouxemos o ateliê para a galeria”. A exposição parte de um verso do poema Da calma e do silêncio , da escritora e activista brasileira Conceição Evaristo, sendo que o mesmo serviu de mote para a conversa levada a cabo na Ágora de Cá . “Qual o poder da palavra e de que forma empodera o seu emissor?”. Este foi o ponto de partida. Helena Mendes Pereira explicou que a intenção passou por “discutir no feminino de que forma é que a palavra é poder. De que forma é que o nosso lugar de visibilidade e o espaço que cada uma de nós ocupa não deve ser prescindido, mas usado para influenciar e procurar alterar aquilo que entendemos que não está bem”. A Manuela Pimentel juntaram-se Filipa Leal e Capicua, nomes escolhidos pela própria artista. Duas vozes marcantes que dão expressão às preocupações de uma geração. Sobre Filipa Leal, a directora-geral da ZET destacou a sua ligação à instituição: “Faz parte da nossa família, já foi curadora de uma exposição, já aqui expôs e integra o Conselho de Curadores do nosso museu.” Já Capicua foi apresentada como “uma das vozes da nossa geração, uma cantautora de grande relevância, já inscrita para o futuro como uma das artistas que procurou denunciar as preocupações de uma geração, em particular das mulheres”. “Três mulheres de força, um conjunto de pessoas do Norte, numa escolha que acabou por surgir de forma natural”, concluiu Helena Mendes Pereira. Libânia Pereira