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FALTA 10 VEZES O QUE JÁ EXISTE DE POSTOS PARA CARROS ELÉTRICOS

Negócios Online

2026-02-20 22:09:05

Pedro Moreira da Silva está a fazer crescer o negócio para os aviões, mas também para os camiões. Mas há muito trabalho por fazer no carregamento dos carros, na Europa, mas também noutras grandes economias do mundo. É grande a aposta na América Latina. A i-charging está a ganhar asas com a Embraer, mas o negócio “core” continua em terra, nas estradas. Há uma aposta no transporte pesado, mas os veículos ligeiros, por onde começou, continuam a ser uma via de crescimento. Pedro Moreira da Silva diz que há ainda muitos postos de carregamento por instalar para se criar uma verdadeira rede que responda à crescente procura. E defende “hubs” de carregamento, em vez de postos dispersos pelas cidades. “Ainda há muito por fazer. Os estudos, por exemplo, para a Europa dizem que o que falta fazer é cerca de 10 vezes o que já existe. E não é difícil” que assim seja, diz o CEO da empresa portuense, em entrevista ao Negócios. “Em termos de parque [automóvel] a circular, mesmo Portugal, que é um país com boa adoção, são 3% do parque. Embora as vendas andem na casa dos 20%, o parque em si são 280 mil veículos. Vão existir 30 e tal vezes mais carros [elétricos]. É preciso uma rede”, alerta. “Há velocidades diferentes” de adoção da mobilidade elétrica, admite, exemplificando com a Noruega em que as são “quase 100% das vendas. Depois vem a Dinamarca, Islândia, Finlândia, Holanda, e por aí fora, já com taxas muito grandes. E depois temos países como Espanha, com 4%”. O caminho é esse, na Europa e noutras geografias. A rede pública de carregamento “vai ter que crescer imenso nos EUA, que estão pior que nós”, diz. E o “Brasil tem tudo por fazer” em termos de rede. “A América Latina, para nós, é o melhor mercado”, diz, apontando, depois, para a Ásia e África. “E África, até agora só estamos em Marrocos. Mas o resto de África, tem de ir atrás”. Agora, admite, a “transição não se faz à mesma velocidade em todo lado porque exige alguma capacidade económica”. Mais “hubs”, mais potência Há ainda muita rede para implementar. É uma oportunidade para fazer bem feito: em vez de postos espalhados por todo o lado, Pedro Moreira da Silva assume-se defensor de um modelo de “hub”, com múltiplos postos de carregamento, de preferência de elevada potência. “O que faz sentido em carga pública não é um sítio onde há um carregador. É ter um hub ”, diz, recordando a sua experiência pessoal: “precisava de carregar, fui a um centro comercial que sabia que tinha um carregador, mas chego lá e estava ocupado. Fui a outro, estava fora de serviço. Andei às voltas na cidade [para carregar]. Não faz sentido isto”. Defende “hubs” com “seis a dez carregadores”. “Isso é o que faz sentido. Não só junto aos grandes eixos das cidades, mas mesmo na periferia das cidades”, colocando à disposição dos utilizadores de veículos elétricos carregadores de elevada potência, mas potência modular. A potência “tem de ser alocada”. A empresa produz carregadores de 900 kW, mas que podem distribuir essa potência até quatro saídas. “Vamos lançar agora carregadores de 1,6 megawatts. São 1.600 kW com até oito saídas". "Conseguimos alocar a potência que é necessária em cada momento. E conseguimos uma coisa que é importante: não ter potência ociosa”, diz. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt Paulo Moutinho