42 MIL MILHÕES DEPOIS: UE TENTA SALVAR ELÉTRICOS COM NOVA ESTRATÉGIA
2026-02-19 22:06:08

Valor ilustra o desfasamento entre a estratégia das marcas e as preferências reais dos condutores A transição elétrica está a sair cara à indústria automóvel. Mais de 42 mil milhões de euros terão sido queimados globalmente devido a previsões demasiado otimistas sobre a velocidade com que os consumidores adotariam veículos elétricos, avança a Automotive News Europe , citada pelo Motor1 . O valor ilustra, segundo a publicação, o desfasamento entre a estratégia das marcas e as preferências reais dos condutores. Apesar do impacto financeiro, a indústria não está a recuar. A ACC - joint venture entre a Stellantis, a Mercedes e a TotalEnergies - recorda que “o planeta está constantemente a enviar sinais de alerta” e insiste que “o futuro do automóvel continua a ser elétrico”, mesmo depois de ter abandonado o projeto de uma gigafábrica de baterias em Itália. O problema é que os investimentos feitos são demasiado elevados para serem simplesmente cancelados. E, perante a concorrência da China e dos EUA sob a liderança de Donald Trump, a União Europeia prepara uma resposta em duas frentes. Segundo o Financial Times , a Comissão Europeia deverá apresentar novas regras já a 25 de fevereiro para condicionar o acesso a subsídios públicos na compra, aluguer ou leasing de veículos elétricos. A proposta prevê que apenas modelos montados na Europa e com pelo menos 70% dos componentes fabricados na UE possam beneficiar desses apoios - excluindo as baterias, cuja produção ainda depende fortemente da Ásia. Esta abordagem protecionista divide o setor. A Renault vê com bons olhos a medida, mas a BMW e a Mercedes temem retaliações da China. Ola Källenius, CEO da Mercedes e presidente da ACEA, alerta para a necessidade de cautela: é preciso usar “uma serra muito, muito fina, e não uma motosserra”, para evitar efeitos colaterais indesejados. Bruxelas quer, por um lado, proteger a indústria europeia e, por outro, atrair investimento asiático para fábricas dentro do bloco. A estratégia surge depois de a UE ter imposto tarifas adicionais sobre veículos elétricos chineses, medidas que alguns fabricantes conseguiram contornar através de triangulação comercial. A segunda via passa pelos chamados “três e s” de Bruxelas: elétricos ecológicos, económicos e europeus. Trata-se de pequenos modelos até 4,2 metros, que beneficiarão de um sistema de “supercréditos” para os construtores. Em vez de contarem como um único veículo para efeitos de metas de emissões, poderão ser contabilizados como 1,3 unidades, reforçando o contributo das marcas para a descarbonização. Além disso, a Comissão recomendará aos Estados-membros incentivos como bónus à compra, programas de abate, estacionamento favorecido, reduções de portagens e tarifas mais baixas. Para reduzir custos, estes veículos poderão prescindir de alguns equipamentos de segurança, num compromisso entre preço e proteção. O objetivo é posicioná-los entre os 15.000 e os 20.000 euros, tornando-os uma alternativa mais acessível num mercado ainda marcado por preços elevados. Paradoxalmente, estas propostas surgem num momento de recuperação das vendas. Estima-se que a União Europeia registe 1,88 milhões de novos veículos elétricos em 2025, mais 30% do que em 2024. A quota de mercado deverá subir para 17,4%, face aos 13,6% do ano anterior. A questão que permanece, sublinha o site especializado Motor1 , é se estas novas medidas irão acelerar a corrida para as emissões zero - ou se o protecionismo e as regras mais rígidas poderão gerar novas distorções num setor já sob enorme pressão. Automonitor