UE PODE CORTAR APOIOS A ELÉTRICOS QUE NÃO TENHAM 70% DE PEÇAS EUROPEIAS
2026-02-17 22:03:59

Os construtores de carros elétricos ou híbridos, podem passar a ter de cumprir quota de peças europeias para aceder a apoios da UE Os construtores de carros com baterias, podem passar a ter de cumprir quota de peças europeias para aceder a apoios da UE. Para beneficiar de apoios estatais da União Europeia (UE), os construtores de automóveis que usufruam de apoios (elétricos, mas também híbridos e a pilha de combustível), podem vir a ter de seguir novas regras. Uma delas propõe a criação de uma quota mínima para peças europeias nestes veículos, excluindo, para já, as baterias desta equação. A medida, avançada pelo Financial Times, deverá ser integrada no Industrial Accelerator Act e visa proteger a indústria da intensa concorrência chinesa, preservando uma das bases industriais da União Europeia, avaliada em 2,6 biliões de euros. O Industrial Accelerator Act - a proposta legislativa que visa acelerar o processo de descarbonização das indústrias europeias -, será divulgado oficialmente a 25 de fevereiro pela Comissão Europeia. Inicialmente, a publicação estava prevista para 10 de dezembro, mas já sofreu dois adiamentos. © André Mendes / Razão Automóvel Pelo menos 25% do alumínio e 30% do plástico usados para janelas e portas no setor da construção também deverão ser produzidos na UE, para elegibilidade a subsídios ou contratos públicos. Se confirmada, esta regra abrangerá veículos elétricos, híbridos e automóveis a pilha de combustível. Embora a obrigatoriedade de produção de baterias na UE tenha ficado de fora, outros componentes das baterias deverão ser fabricados localmente, sendo que a quota de 70% ainda é provisória e poderá ser ajustada no documento final. Até agora, a Comissão não comentou oficialmente esta possibilidade. A posição dos construtores O novo regulamento tem gerado debates entre fornecedores e construtores. Por um lado, os fornecedores defendem regras que assegurem uma alta quota de componentes europeus, apontando falhas estruturais no modelo atual. Já entre os fabricantes as opiniões divergem. Enquanto que a Volkswagen e a Stellantis apoiam um esquema “Made in Europe” (fabricado na Europa) que incentive a compra de componentes locais, a BMW alerta para os custos e burocracia adicionais desta medida. Alguns construtores, sugerem ainda que as peças admitidas no âmbito do cumprimento desta quota possam ser adquiridas em mercados fora da UE, em países como a Turquia ou o Reino Unido. Mas também fora da Europa, no Japão, por exemplo. Uma tentativa de ampliar o número de mercados elegíveis, permitindo aos construtores manter o maior número de fornecedores possíveis em aberto, evitando a potencial inflação de produtos locais e uma consequente aceleração da queda das margens de produção. Mariana Teles