O QUE É QUE SE PASSA COM AS AÇÕES DA STELLANTIS?
2026-02-13 22:08:58

Automóvel Dona da Fiat e da Citroën anunciou imparidades de EUR22 mil milhões à boleia da revisão da estratégia, com menor foco nos elétricos. Agências cortam rating de crédito da empresa Contas da Stellantis C gripam e conduzem ações para mínimos italiano Antonio Filosa, que sucedeu a Carlos Tavares na presidência executiva do gigante automóvel Stellantis, está a atravessar uma das fases mais difíceis do seu ainda curto mandato, que assumiu em junho de 2025. A empresa admite ter um prejuízo que pode chegar aos EUR21 mil milhões, no segundo semestre do ano passado, graças às imparidades criadas para reverter parte da aposta nos veículos elétricos. A crise é transversal a todo o sector na Europa, mas os custos de reestruturação anunciados de EUR22,2 mil milhões nas contas da dona da Fiat, Citroên e Opel, espoletaram uma reação no mercado: num só dia as ações afundaram-se mais de 20% e atingiram o valor mais baixo desde 2021, quando o grupo foi criado. A maior parte destas imparidades deve-se à redução das suas ambições no mercado dos carros elétricos e há ainda um cheque para provisões. Em termos de dimensão, esta perda é superior ao valor de mercado da empresa (£18,3 mil milhões). Como se isso não bastasse, Antonio Filosa enfrentou, já esta terça-feira, um novo desaire, ao ver as agências de rating Moody s e a S&P Global baixarem a notação de crédito da Stellantis. A Moody s cortou o rating de “Baa2" para “Baa3", ficando apenas um patamar acima do nível considerado “lixo”. Na sua nota, avisa ainda que “os ratings poderão ser revistos em baixa. A avaliação poderá enfraquecer se houver uma deterioração material da qualidade dos ativos, da rentabilidade ou da liquidez, ou se o nível de alavancagem aumentar”. No caso da S&P, o corte foi de BBB para BBB-, colocando a Stellantis no mesmo patamar (os ratings mudam de denominação, consoante a agência) e uma perspetiva negativa. A Stellantis explicou que não pagará dividendos aos seus acionistas, devido aos fracos resultados de 2025, e que o seu Conselho de Administração autorizou a emissão de dívida na forma de obrigações por um máximo de EUR5 mil milhões. Em declarações à imprensa, citadas pela agência Lusa, o presidente executivo do grupo, António Filosa, atira ao seu antecessor, Carlos Tavares. Refere que os encargos agora anunciados “refletem em grande medida o custo de sobrestimar o ritmo da transição energética, o que nos distanciou das necessidades, recursos e desejos reais de muitos compradores de automóveis”, A mudança demonstra oimpacto de uma fraca execução operacional anterior, cujos efeitos estão a ser progressivamente corrigidos pela nossa nova equipa”, diz. Tavares tinha prometido vender apenas veículos elétricos na Europa e atingir 50% de elétricos nos EUA até 2030, metas que foram suspensas logo após a sua saída, no final de 2024. Agora, Filosa falou do realinhamento dos planos de produção do grupo com as preferências dos clientes e das novas regulamentações de emissões nos EUA, “O que reflete, em grande medida, expectativas significativamente reduzidas para os veículos elétricos”, Saiu de uma parceria do Canadá, com a sul-coreana LG Energy Solution, para a produção de baterias e, nos EUA, reintroduziu os motores v8 para revitalizar a venda de pickups da marca Ram. “A longa queda nos lucros, que começou no início de 2024, deverá começar a inverter-se em 2026, im-pulsionada pela limpeza do balanço e pela melhoria do posicionamento dos produtos. Assumimos que a nova administração foi incumbida de repensar a Stellantis e garantir a sustentabilidade das margens”, consideram os analistas do banco Jefferies, numa nota. Viragem de estratégia com impacto no sector A constituição de imparidades nos resultados não se cingiu apenas à Stellantis. As fabricantes automóveis têm tido dificuldades em responder à fraca procura por elétricos, numa altura em que a Administração Trump eliminou incentivos para a compra, a UE adiou as metas para vendas e as marcas chinesas ganham quota de mercado em todo omundo. Em dezembro, a norte-americana Ford anunciou imparidades no valor de 19,5 mil milhões de dólares (EUR16,44 mil milhões) devido também ao recuo na venda de elétricos e a General Motors anunciou custos extraordinários equivalentes a EUR6,4 mil milhões. Este mês, a alemã Porsche anunciou que poderia rever a sua meta de fabrico de veículos elétricos. galmeida@expresso.impresa.pt OUTRAS EMPRESAS DO SeCTOR, COMO A FORD OU A GENERAL MOTORS, ANUNCIARAM IMPARIDADES Empresa admite ter prejuízo em 2025, mas analistas preveem recuperação em 2026 Portugal está a produzir mais carros As cinco fábricas de automóveis instaladas em Portugal produziram, durante o yano passado, 341.361 veículos, uma subida de 2,7% em relação ao ano anterior, Só a Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, representou 70% da produção, seguindo-se a Stellantis, em Mangualde, com 27%. Os dados, divulgados na passada terça-feira pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), no seu relatório anual, revelam ainda que a esmagadora maioria dos veículos produzidos em Portugal (88%) são exportados para a Europa. No que diz respeito à venda de carros elétricos, atingiu-se um novo recorde, segundo a ACAP, com 52.256 veículos matriculados durante o ano passado, o que compara com os 41.757 registados em 2024. Só no mês de dezembro de 2025 matricularam-se 5590 ligeiros de passageiros novos elétricos, "o valor mais alto de sempre”, pode ler-se no relatório. No total do mercado de ligeiros de passageiros, OS elétricos representaram 23,2% das novas matrículas registadas no ano passado. A ACAP nota ainda que "o número de trabalhadores no sector passou de 167 mil, em 2024, para 176 mil, em 2025, e que O volume de negócios passou de EUR42,6 mil milhões para EUR45,8 mil milhões. Já o )número de empresas no sector cresceu de 35 mil para 37 mil”. V.A. GONÇALO ALMEIDA; VÍTOR ANDRADE