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NISSAN ARIYA E-4ORCE: ALGORITMO DO CONFORTO

Vida Económica Online

2026-02-12 22:06:08

Nissan Ariya e-4ORCE: Algoritmo do conforto No mercado dos automóveis elétricos, hoje muitas marcas seguem a mesma fórmula, mas de vez em quando surge algo diferente e o Nissan Ariya e-Force é um desses exemplos. A marca segue a tradição japonesa de criar uma "filosofia sobre rodas", uma manifestação do conceito japonês do domínio do espaço e do tempo. Como sempre, não me limitei a analisar press releases mas um ensaio por estradas portuguesas, desde as curvas da Serra da Arrábida, ao empedrado de Lisboa, autoestrada e algumas nacionais, para ter uma perspetiva do mundo real - não apenas do que os papeis nos dizem. O foco deste SUV premium é conseguir fundir um design particular com tecnologia de ponta. E, no fundo, como é que isso se transmite na condução do dia a dia? Exteriormente, a Nissan chama-lhe “futurismo japonês atemporal”. A marca quis afastar-se da tendência habitual e, em vez das linhas super agressivas e dos vincos que transmitem performance, segue uma abordagem diferente, com superfícies suaves e uma silhueta muito fluida, quase escultural, a recordar um crossover; até a grelha apresenta um padrão tradicional japonês, complexo, mas elegante. Mas ao analisar as notas, percebo que a grelha não é somente um elemento estético mas o padrão cúbico esconde e protege todos os sensores e o radar do sistema ProPilot. O Ariya cativa, por curiosidade e elegância e não por ostentação pois transmite uma confiança serena, que nos transporta para o interior: um verdadeiro lounge sobre rodas. A primeira e talvez mais impactante característica é a própria plataforma EV, que permitiu criar um piso totalmente plano, sem túnel de transmissão, que transmite uma sensação de amplitude, quase como se estivéssemos numa sala. A consola central desliza eletricamente para a frente e para trás cerca de 15 cm, permitindo ao condutor ajustar o espaço. E os botões são hápticos - não físicos, integrados numa superfície que imita madeira no tablier que , quando o Ariya está desligado, tudo é liso e minimalista. Ao ligar, os ícones iluminam-se subtilmente através da "madeira" e, ao toque, há uma vibração suave que confirma a ação - elegante, clean e luxuoso. O espaço atrás é referencial.. No entanto, nem tudo tende a ser perfeito - há um compromisso nesta versão e-Force: a bagageira, pois para acomodar o segundo motor elétrico no eixo traseiro, a Nissan sacrificou algum espaço na bagageira que se fica pelos 415 L, menos do que os 468 L da versão de tração dianteira. Quanto ao "coração" do Ariya - o sistema e-Force os números impressionam; 306 cv e 600 Nm de binário ou seja, vai para o território dos desportivos, mas curiosamente, no ensaio percebe-se que a experiência não é de desportividade desenfreada mas de linearidade quase desconcertante. E aqui a herança tecnológica da Nissan revela-se: este segue o legado do GT-R e o curioso é como é que a tecnologia de um supercarro a gasolina se transporta para um SUV elétrico familiar? O sistema do GT-R foi criado para gerir a capacidade de distribuir binário para maximizar tração e o e-4ORCE é a “evolução espiritual” dessa lógica pois não é um AWD convencional, porque a magia está na gestão independente e rápida do binário - crucial também na travagem regenerativa em cada uma das quatro rodas que se ajusta 10.000 vezes por segundo e que se sente no "terreno" com uma estabilidade e tração que parecem desafiar a física. Não foi por acaso que o afinaram em pistas de gelo e neve em Hokkaido, para garantir que o Ariya mantém a trajetória aconteça o que acontecer. Na Arrábida, por exemplo, o Ariya entra, descreve e sai da curva com uma neutralidade impressionante, com quase ausência de adornamento da carroçaria - notável num SUV com mais de duas toneladas. Mas existe uma outra característica transformadora - pois o Ariya mostra o foco no bem-estar humano, não na performance. Um exemplo: quando travamos, o peso transfere-se para a dianteira e o Ariya tende a “mergulhar” e isso pode causar enjoo e desconforto. A Nissan foi engenhosa e contraintuitiva, pois, ao invés de usar os travões ou endurecer a suspensão, o sistema usa a travagem regenerativa do motor traseiro para contrariar ativamente o movimento. No instante em que se trava e a frente quer mergulhar, o motor traseiro aplica força regenerativa que “puxa” a traseira para baixo, conseguindo assim que o habitáculo se mantém nivelado mesmo em travagens fortes. Depois o software e os algoritmos interferem no sistema de navegação para ler antecipadamente a estrada ou então na gestão de bateria com IA - resolvendo uma frustração comum nos elétricos: a inconsistência no carregamento rápido pois atua assim que selecionamo um destino com carregamento rápido, onde é analisada a rota, temperatura e estilo de condução e prepara a bateria, aquecendo ou arrefecendo, por antecipação. Assim, ao chegar ao ponto de carregamento, fá-lo na temperatura ideal para carregar ao máximo - até 130 kW - de forma consistente. O ProPilot com NaviLink também surpreende: não se limita a ler marcações da estrada, está ligado ao GPS e antecipa curvas e rotundas, ajustando a velocidade suavemente antes de o condutor o fazer. Esta “bolha de serenidade” que a Nissan quis criar, vai desde o isolamento acústico graças ao uso de vidros duplos laminados no para-brisas e nas janelas laterais dianteiras.. Em termos de estratégia, a Nissan foi inteligente ao atuar num campo diferente da concorrência, dado que a diferenciação não surje por força da aceleração mais rápida mas a sua proposta de valor está na qualidade sensorial e no conforto, porque enquanto a concorrência se foca nos números, a Nissan focou-se em remover o stress da condução. A versão ensaiada, com bateria de 87 kWh e sistema e-Force, ronda os 62.000 EUR, um valor premium, alinhado com a concorrência e 513 km em ciclo WLTP que, em uso real misto, permitem cerca de 440 km. O Ariya faz parte de uma viagem da Nissan que combina futurismo japonês, controlo AWD e um interior que é um oásis de relaxamento. 1