MAIORES EXPORTADORAS PERDEM PESO EM ANO DE OFENSIVA COMERCIAL DE TRUMP
2026-02-12 22:06:08

Dez maiores exportadoras contribuíram menos para o total das exportações portuguesas no ano passado. Do lado das importações, as 10 maiores também perderam peso. As dez maiores empresas exportadoras portuguesas perderam peso no valor de mercadorias exportado pelo país em 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) cedidos ao Negócios. O peso do top 10 das principais exportadoras nacionais diminuiu de 18,5% para 17,9% do total vendido ao exterior. A descida acontece num ano marcado pela guerra de tarifas iniciada pelos Estados Unidos. No conjunto do ano, as dez maiores exportadoras venderam 14,2 mil milhões de euros em bens ao exterior, de acordo com dados preliminares do INE em termos nominais (que não excluem o efeito da inflação). No ano anterior, as empresas do top 10 tinham exportado 14,7 mil milhões em bens, o que significa que, este ano, houve uma queda de cerca de 500 milhões entre as maiores exportadoras. Isso fez com que o seu peso nas exportações nacionais recuasse seis décimas em 2025. Apesar de a incerteza gerada pelas tarifas impostas pela Administração Trump ter levado a uma concentração maior das exportações nos três principais parceiros comerciais portugueses, tal não se verificou no que toca às empresas exportadoras. Em vez disso, as empresas que estão fora do top ganharam peso com o azedar das relações transatlânticas e as tensões na Ucrânia e Médio Oriente. O peso do top 10 de exportadoras atingiu o valor mais baixo desde 2021, um ano marcado ainda pelo abalo provocado pela pandemia da covid-19. O INE salienta, no entanto, que "os valores agregados das dez maiores empresas em cada um dos anos não são comparáveis", dadas as alterações no grupo de maiores empresas exportadoras. Ao contrário do que tem sido habitual, a lista de maiores exportadoras nacionais deste ano não é totalmente pública. O INE explica ao Negócios que, este ano, "é aplicada a confidencialidade em conformidade com o consentimento das empresas para o ano de referência". "Desta forma, apesar de terem a sua posição no ranking devidamente assinalada, há empresas não identificadas por razões de confidencialidade", refere fonte oficial da autoridade estatística. Essa alteração visa "refletir as alterações dos últimos anos ao enquadramento legal aplicável às estatísticas europeias das empresas, em particular no que se refere às regras de confidencialidade". Assim, sabe-se apenas que a Pfizer, que se estreou no top 10 em 2024, foi a segunda maior exportadora nacional no ano passado. A farmacêutica superou a papeleira Navigator, que caiu um lugar face ao ano anterior, ficando em quarto lugar. A liderança pertence a uma empresa que não permitiu a sua divulgação, tal como a exportadora que ficou em terceiro lugar. Em 2024, a Petrogal foi a empresa líder das exportações, seguida pela Volkswagen Autoeuropa. A Exolum Aviação Portugal, que armazena e distribui combustíveis nos aeroportos nacionais, subiu um lugar no ranking, tendo passado para oitava maior exportadora nacional. A fechar o top, surgiu uma nova empresa: a West Horse Powertrain. A empresa, também conhecida como Horse Aveiro, produz componentes e acessórios para veículos automóveis e foi distinguida em 2025 com o Prémio Nacional de Inovação, na categoria Robótica e Aeroespacial. Top 10 das importadoras também perde peso Por outro lado, as dez maiores empresas importadoras também perderam peso no ano passado. O INE revela que, em 2025, o top 10 de importadoras foi responsável por 14,6% do total importado pelo país. Isso significa que, do total de 111,4 mil milhões de euros em mercadorias compradas ao exterior, 16,2 mil milhões foram assegurados pelas 10 maiores compradoras. E, embora o valor absoluto seja superior ao registado em 2024, o peso do top 10 reduziu-se também em seis pontos percentuais uma vez que o total importado também caiu no conjunto do ano. À semelhança das exportadoras, a lista de maiores importadoras portuguesas não é totalmente pública. As quatro principais importadoras não deram consentimento para que os seus nomes fossem partilhados e, por isso, não são conhecidas. No ano anterior, a lista era liderada pela Petrogal, seguida pela Volkswagen Autoeuropa, a Bosch Car Multimedia e o Pingo Doce. Em 2025, sabe-se apenas que o Pingo Doce recuou uma posição no ranking, aparecendo em quinto lugar. Segue-se, em sexto lugar, a SIVA, que se dedica à importação e distribuição de veículos automóveis de marcas como a Volkswagen, Audi, Bentley e Lamborghini, e que no ano anterior estava na nona posição. A fechar a lista, mantém-se a Mercedes Benz Portugal. Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt Joana Almeida