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ACAP ALERTA: SETOR AUTOMÓVEL EM PORTUGAL ENFRENTA TEMPESTADE PERFEITA

LusoMotores Online

2026-02-12 22:03:14

A Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) realizou esta semana uma conferência de imprensa em Lisboa para apresentar um diagnóstico preocupante sobre a realidade do setor. Entre quebras de vendas, catástrofes naturais e um pulso frágil na adoção do elétrico, a ACAP deixou críticas diretas ao Governo e pediu medidas urgentes. As intempéries que têm fustigado o país nas últimas semanas, em particular as tempestades e cheias que afetaram severamente a região de Lisboa e Vale do Tejo, provocaram estragos avultados nos stands e oficinas. A ACAP revelou que dezenas de concessionários registaram danos em viaturas novas e em stock, bem como em equipamentos e infraestruturas. Os prejuízos, ainda em contabilização, ascendem já a vários milhões de euros, defendendo esta associação a necessidade de ser criada uma linha de apoio específica para fazer face a estes danos, sublinhando que muitas empresas não têm cobertura seguradora suficiente para a totalidade das perdas. Mobilidade elétrica: metas irrealistas e procura em baixa Num dos pontos mais críticos da sua intervenção, a ACAP considerou que as metas nacionais para a mobilidade elétrica estão desfasadas da realidade do mercado e do poder de compra dos portugueses. Apesar do crescimento da oferta de modelos, a procura de veículos elétricos mantém-se residual, representando ainda uma fatia muito modesta das vendas totais. A associação defende que, sem incentivos mais robustos e estáveis, Portugal dificilmente cumprirá os objetivos de descarbonização traçados para esta década. Foi deixada ainda uma palavra de apreço pela prorrogação do incentivo ao abate, mas considerou-se que o montante atual é claramente insuficiente para democratizar o acesso ao veículo elétrico. Apoios do Governo: “Paliativos não resolvem” Em relação ao papel do Executivo, a ACAP foi dura nas críticas. O setor automóvel, que representa cerca de 20 mil postos de trabalho diretos e indiretos, tem vindo a solicitar há meses um plano estratégico que vá além de medidas avulsas. A associação lamenta que o diálogo com o Governo não tenha produzido resultados concretos e acusa o Ministério da Economia de falta de visão de longo prazo. Foram pedidas medidas como a redução da carga fiscal sobre os veículos, a criação de benefícios para empresas que renovem frotas e um programa estruturado de incentivo à compra de veículos de baixas emissões. Mercado em desaceleração e incerteza internacional A estes fatores internos, a ACAP acrescentou o contexto externo adverso: a instabilidade geopolítica, a inflação e as taxas de juro elevadas estão a travar o investimento das famílias e das empresas. As perspetivas para 2024 apontam para um crescimento muito moderado do mercado automóvel, longe dos valores pré-pandemia. A associação alertou ainda para o risco de deslocalização de investimentos estrangeiros no setor, caso Portugal não apresente condições competitivas face a outros países europeus. “Não podemos continuar a remar contra a maré” No encerramento da conferência, o presidente da ACAP resumiu o sentimento do setor: “Estamos perante uma tempestade perfeita. Temos condições climatéricas adversas, um mercado em contração, consumidores com menos rendimento e um Governo que parece alheio à nossa realidade. Não pedimos favores, pedimos políticas.” A mensagem deixada ao poder político foi clara: sem medidas concretas e célere, o setor automóvel português arrisca uma travagem brusca de onde dificilmente recuperará. LusoMotores Jorge Reis