PORTUGAL BRILHA NAS VENDAS DE ELÉTRICOS, MAS COMEÇA A SER GRAVE A REDE PARA OS CARREGAR
2026-02-10 22:10:32

Presidente da ACAP alerta que “começa a ser grave” a parca infraestrutura de carregamento de veículos elétricos “dado o crescimento de vendas de carros eletrificados” no país. Portugal está entre os países onde as vendas de veículos 100% elétricos mais crescem, comparando-se aos nórdicos. A estes juntam-se os eletrificados, que também estão a ganhar tração no mercado, mas há um problema de infraestruturas. O presidente da ACAP diz que “estamos bem abaixo” no rácio de postos de carregamento comparativamente à media da União Europeia. “Começa a ser grave”, atira. Num ano em que as vendas de automóveis ligeiros de passageiros cresceram, somando mais de 225 mil unidades, destacaram-se as vendas de automóveis que utilizam combustíveis alternativos, nomeadamente os 100% elétricos. “Tem havido um crescimento enorme, com ênfase a partir de 2023. Em 2025 passámos as 50 mil unidades”, notou Sérgio Ribeiro. As vendas dos 100% elétricos registaram um “crescimento acentuado, o que nos coloca no sexto lugar na Europa. Estamos muito acima da União Europeia, e também de Espanha”, disse o responsável, colocando o país em níveis próximos dos países nórdicos. O esforço para a criação de infraestruturas [de carregamento de elétricos] está bem abaixo da UE. Sérgio Ribeiro Presidente da ACAP Este forte apetite por carros elétricos, mas também pelos eletrificados (híbridos ou híbridos plug-in), “contrasta com a infraestrutura”, diz Sérgio Ribeiro. Na comparação de “postos por mil habitantes, estamos bem abaixo”, apresentando um gráfico em que Portugal aparece com 1,1 posto por cada mil habitantes, abaixo dos dois postos na UE. “O esforço para a criação de infraestruturas está bem abaixo” dos restantes países europeus, diz, acrescentando que este cenário “começa a ser grave dado o crescimento de vendas de carros eletrificados”. “Continua a não haver uma politica clara do Governo para resolver este problema. Correndo o risco de ser provocador, diria que a indústria automóvel tem feito o seu trabalho, mas está limitada na prossecução dos objetivos políticos pelas burocracias”, rematou. Pedro Lazarino, vice-presidente da ACAP, aproveitou a oportunidade para salientar a necessidade de uma rede maior, que poderá ser conseguida com a liberalização anunciada, mas também para alertar para a necessidade de haver um equilíbrio na rede entre o litoral e o interior. “Não há incentivos ao poder local para eletrificar. Propomos que a distribuição da receita fiscal [do IUC, que é centralizada antes de ser distribuída] só seja feita se estiver a ser feito esse trabalho”, atirou o responsável. E Helder Pedro, o secretário-geral da ACAP, defendeu, neste sentido, o papel que os concessionários podem ter no crescimento da rede em todo o país. O Fundo Ambiental, diz, deveria “criar apoios para os concessionários na implementação de postos de carregamento”, tendo em conta a capilaridade destes. Paulo Moutinho paulomoutinho@negocios.pt Paulo Moutinho