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A INTERNET DAS COISAS (IDC) E A 4.ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Diário de Coimbra

2026-01-29 09:03:03

Senhor Diretor, Atualmente todos nós, em maior ou menor grau, utilizamos no dia a dia a informática associada a dispositivos físicos para executarmos tarefas quotidianas Graças à conetividade e automação avançada, a sociedade está a entrar numa nova era onde tudo está interligado e impulsionado pela recolha e análise de dados em tempo real. Ao conjunto de dispositivos ligados à internet, que recolhem e trocam informações para automatizar tarefas e melhorar processos, atribuiu-se o nome de internet das coisas (IdC). Ao longo das últimas décadas, a evolução tecnológica foi marcada por inovações que redefiniram a interação entre humanos e máquinas. A IdC representa uma nova fase dessa evolução, permitindo que objetos comuniquem e atuem de forma autónoma, sem necessidade de intervenção humana constante. são exemplos de áreas comuns da utilização da IdC em Portugal e no mundo: a) (domótica) casas inteligentes com termostatos que ajus-tam as temperaturas, luzes que se acendem sozinhas, câmaras de vigilância que onos alertam via telemóvel da aproximação de intrusos à nossa habitação; b) (saúde) relógios e pulseiras de fitness, monitorização à distância de pacientes; c) (indústria) fábricas inteligentes com manutenção preditiva de máquinas; d) (agricultura inteligente) sensores que otimizam a irrigação e a saúde das plantas; e) (cidades inteligentes) gestão do trânsito, iluminação pública e controlo da poluição, entre outras valências. A IdC transforma objetos passivos em ativos, permitindo, a automação de muitas tarefas, a otimização de recursos e a rapidez imediata da tomada de decisões. De um modo genérico a automação define-se como um sistema automático pelo qual os mecanismos verificam o seu próprio funcionamento, efetuando medições e introduzindo correções, sem a necessidade da interferência do homem. Porém, a sua utilização massiva levanta questões de segurança cibernética e privacidade de dados, uma vez que a interligação de tantos dispositivos cria pontos de vulnerabilidade para ataques informáticos. O uso crescente e cada vez mais diversificado da IdC trouxe-nos até à 4.4 Revolução Industrial, conceito criado em 2016 pelo economista alemão Klaus Schwab, fundador do Fórum Económico Mundial. Para compreendermos a Quarta Revolução Industrial devemos olhar para as três revoluções industriais anteriores, e como cada uma, na sua época, mudou a forma de ser e estar no mundo. A 1. Revolução Industrial (1784) marcou o uso da energia a vapor e a mecanização do tear. A 2.8 Revolução Industrial (1870) trouxe a utilização da eletricidade, a produção em massa e linhas de montagem. A 3.8 Revolução Industrial (1969) assenta na informática e automatização programada das máquinas. Finalmente a 4.4 Revolução Industrial (-2014) caracteriza-se pelas fábricas inteligentes, sistemas conectados, gestão online da produção e integração de tecnologias como inteligência artificial, robótica e IdC. A IdC está no centro da 4. Revolução Industrial, transformando profundamente a forma como vivemos, trabalhamos e produzimos. Esta revolução traz enormes benefícios em eficiência e inovação, mas também exige atenção aos riscos tecnológicos, à formação de novos profissionais e à proteção dos dados num mundo cada vez mais conectado. Para aproveitarmos o potencial desta tecnologia sem comprometermos o bem-estar, é essencial encontrarmos um equilíbrio entre automação e autonomia. Isto implica usar a tecnologia de forma consciente, proteger os dados pessoais, reservar momentos de desconexão e valorizar interações humanas autênticas. A responsabilidade de garantir que o avanço tecnológico respeita a individualidade, a privacidade e o bem-estar emocional cabe a cada um de nós. Joaquim José Proença Maiorca , Figueira da Foz Joaquim José Proença