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RENAULT 4 E-TECH - FUNÇÃO CERTA, EMOÇÃO DUVIDOSA

Público

2026-01-25 22:06:09

a A Renault conseguiu criar dois carros diferentes com a plataforma eléctrica estreada no ano passado com o novo R5, sendo que, ao contrário do citadino, o Renault 4 E-Tech serve um propósito mais amplo. A plasticidade da arquitectura AmpR Small é, por si só, um feito de engenharia, sendo a mesma usada no novo Nissan Micra ou no Alpine A290. A começar pelo tamanho: o R4 é maior do que o R5, e esse espaço extra torna-o mais confortável, sendo igualmente um automóvel que dá nas vistas, não sendo difícil encontrar parecenças (metafísicas) com a velhinha 4L, apesar de toda a modernidade e tecnologia. Dito isto, é menos divertido de conduzir que o R5 (ou que o Micra). Isso não é um demérito; é a opção inteligente de criar diferentes soluções para públicos diferentes. Por isso, apesar da agilidade, do novo Renault 4 não se espere o mes-mo à vontade nas curvas ou ganas por estradas secundárias de bom alcatrão. Tal como o R5 E-Tech, é um carro que se adapta bem à cidade, mas chega mais bem preparado para se fazer à estrada com gente atrás. É um pequeno SUV capaz de percorrer distâncias consideráveis (quase 400 quilómetros, diz a marca), uma viagem de Chaves a Faro com uma paragem para carregar na prática, porém, sabemos que é um desafio (muito) difícil de concretizar. A versão que testámos, a mais potente, de 110 kW (150cv), acelera dos 0 aos 100 km/h nuns simpáticos 8,2s, nada de estonteante, mas competente no segmento; enquanto os 245 Nm de binário garantem ultrapassagens seguras, mesmo com o carro carregado. A suspensão é confortável, mas para o lado do duro. Lida bem com lombas e buracos, mas não os disfarça. Neste aspecto, tem um comportamento semelhante ao R5, mas o facto de ser maior e mais volumoso faz com que seja menos divertido de conduzir numa estrada sinuosa. Por outras palavras, e sendo mais seguro do que parece, a altura e o volume sentem-se bem e geram uma certa sensação de balanço. O R4 tem três modos de condução: Eco, Comfort e Sport. Na prática, apenas os dois primeiros nos pareceram úteis: o económico para a condução em cidade, mais suave e menos gastador; e o confortável, com maior entrega de potência, adequado para os demais cenários. Já o Sport, com uma aceleração um pouco mais fulgurante (e esbanjadora), é quase dispensável aparece ali como que uma forma “obrigatória” de justificar a potência do motor dianteiro e de lhe dar o tal toque desportivo que, objectivamente, não tem. Contudo, admitimos que pode ser útil em ultrapassagens apertadas. Tal como sublinhámos no teste do Renault 5, não será difícil ao R4 atingir o consumo de 15,5 kW/h (ciclo combinado WLTP) anunciado pela marca francesa, uma demonstração da soli-dez e confiança na nova plataforma AmpR Small. Na nossa volta de 400 quilómetros, fizemos uma média de 16,7 kW/h com uma condução sem olhar a despesas. O Renault 4 E-Tech está disponível em duas versões: com bateria de 40 kW e 120cv, a partir de 29.500 euros, e com bateria de 52 kW e 150cv, desde 33 mil euros tal como acontece com o R5, a Renault deposita todo o esforço de marketing na versão com a bateria maior. Suporta carregamento rápido, até 100 kW; o carregamento doméstico pode ser realizado até 11 kW. Além disso, é bidireccional, o que o transforma num powerbank gigante. A bomba de calor ajuda a optimizar o carregamento. Mau a estacionar (sozinho) Os carros eléctricos são autênticos computadores sobre rodas, com inúmeras funções (e distracções) disponíveis, sobretudo, através do ecrã táctil. O do R4 tem 10 , é rápido, tem boa definição e está bem posicionado. Felizmente, a Renault mantém o acesso às funções de climatização por botões físicos. Os controlos no volante são de fácil memorização, mas as funções disponíveis nas quatro manetes exigem algum tempo. É através desta multitude de botões que se comanda o pacote (completo) de ajudas à condução e opções de segurança. As duas patilhas atrás do volante, além do toque desportivo (exagerado, neste modelo) permitem seleccionar quatro níveis de regeneração, sendo o mais forte o sistema de um pedal, capaz de imobilizar o carro sem recurso ao travão. Entre as múltiplas opções tecnológicas, destacamos a integração do ecossistema Google e do assistente virtual Reno, que permite comandar algumas funções apenas com a voz. Como é habitual, o sistema multimédia suporta ligação ao telemóvel com Android Auto e CarPlay, com e sem fios. Já a precisar de uma revisão de software parece estar o sistema de estacionamento mãos-livres, uma utilidade que nunca conseguimos que funcionasse do princípio ao fim. Já a melodia que se ouve fora, a baixa velocidade (para segurança dos peões), é uma pérola subtil concebida por Jean-Michel Jarre. Até apetece andar devagar. Veredicto Um automóvel que nos remete em bom para um certo saudosismo, sem sacrificar tudo o que o mundo moderno tem para oferecer, ainda que merecesse uma actualização em alguns sistemas. Espaçoso e versátil, poderá ser uma boa aposta para famílias jovens, que preferem encarar o asfalto com tranquilidade, não concorrendo com o R5. E ainda bem. Motores i Renault 4 E-Tech 150 Techno Motor: 110 kW de potência (150cv) e 245 Nm de binário Bateria: 52 kWh totais, 400 volts Carregamento: AC 11 kW (0-100% em 6h), DC até 100 kW (30 min. entre 10 e 80%) Autonomia: WLTP (combinado): 400 km Aceleração 0-100 km/h: 8,2 segundos Mala: 375 litros (expansível para 1149 litros) Preço: desde 35.000EUR Pedro Esteves