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NOMES DOS CARROS ELÉTRICOS TÊM OS DIAS CONTADOS

Razão Automóvel Online

2026-01-25 22:06:08

As marcas criaram nomes específicos para os seus elétricos, mas essa distinção pode desaparecer quando toda a gama passar a ser elétrica. Os carros elétricos vão-se tornando o novo normal nas estradas europeias. Ao conviverem com os modelos de motor de combustão nas gamas da maioria das marcas, estas decidiram criar nomenclaturas específicas para os seus modelos limpinhos . Esse esforço roubou milhões de euros aos orçamentos de marketing para que o público percebesse a estratégia bicéfala que levou à criação de sub-marcas: o rótulo EQ significa “carro elétrico” na Mercedes-Benz, tal como e-tron na Audi, IONIQ na Hyundai, E-Tech na Renault ou ID na Volkswagen. E de forma mais imediata do que quando as marcas simplesmente acrescentaram uma letra, em prefixo ou sufixo, para designar os seus modelos elétricos, como é o caso da BMW (i) ou Opel, Citroën e Peugeot (e). Há uma diferença relevante. Nestes últimos casos, as bases técnicas (plataformas) dos elétricos são as mesmas dos modelos com motores de combustão e não elétricas dedicadas, ainda que isso seja quase sempre desconhecido do “consumidor comum”. A situação vai mudar, já no imediato, no caso da BMW, a partir do momento em que chegar às estradas o primeiro elemento da família elétrica Neue Klasse, o iX3, já no primeiro trimestre do novo ano. © BMW BMW iX3 é o primeiro da família Neue Klasse. Mas são esperados dezenas de modelos a partir desta nova plataforma. Com os anos e a disseminação dos modelos elétricos, essas designações tenderiam a entrar no quotidiano de todos se não fosse o caso de muitas delas estarem condenadas à extinção num horizonte de médio prazo. Isto porque a maior parte dos motores de combustão vão ser reformados nos próximos 10 anos - mesmo com o relativo alívio da legislação da União Europeia que decidiu aprovar uma morte mais lenta em vez do previsto extermínio tout court, a 1 de janeiro de 2035 -, e deixará de fazer sentido, por exemplo, chamar EQS a um Classe S elétrico. Quando todos forem elétricos, não vai ser preciso fazer essa distinção. Mais letra menos letra Para a BMW este processo será mais simples e quando o i5 e o Série 5 não estiverem a partilhar o mesmo teto numa concessão da BMW, não será difícil apagar a letra “i” do carro elétrico, nem serão necessários orçamentos milionários para dá-lo a conhecer ao mundo. Situação semelhante é a da Audi ou das marcas do grupo Stellantis (Peugeot, Citroën e Opel), que também deverão eliminar as siglas que identificam os seus carros a pilhas. A Renault já o fez, começando com o novo Scenic (que apenas tem versões elétricas) e chamando-lhe precisamente isso (Scenic), enquanto a Porsche batizou o seu primeiro elétrico com um novo nome - Taycan -, mas manteve o nome Macan no novo SUV elétrico, ainda que colando a palavra “electric” na lateral da sua carroçaria. A Volkswagen viu-se na contingência de decidir que caminho seguir na bifurcação onde se encontrava, com a gama elétrica a chamar-se “ID” e os modelos com propulsão total ou parcialmente de combustão a conservar os seus nomes históricos - Polo, Golf, Passat, Tiguan, etc. Mas como este plano estava a fazer com que os seus carros perdessem personalidade Volkswagen, tanto pelo design exterior como interior, e a nova nomenclatura só estava a agravar o problema, teremos agora o seu primeiro modelo que tenta juntar o melhor dos dois mundos. Brevemente será lançado o ID. Polo, a fusão entre duas eras de propulsão, porque os alemães sabem que sem passado dificilmente terão futuro. Chineses com tarefa simplificada, cliente nem tanto Já as novas marcas chinesas têm a tarefa simplificada. O Nio ET7, o Omoda 4 ou o Zeekr 9 não têm de se preocupar em se diferenciar das gamas a gasolina ou Diesel, simplesmente porque nunca existiram como tal. Claro que isso não faz desaparecer o problema da pentaplicação de designações de automóveis, que começa a tornar muito difícil a identificação do carro que temos ou queremos comprar, mais até do que da marca. Isto quando a designação não é uma amálgama de letras e números, como no caso do bZ4x (da Toyota) ou do e:Ny1 (Honda), que mais soam a nomes de robôs da saga “Guerra das Estrelas”. E “3” é um BMW, um Smart ou um Tesla? Ou as três coisas? De caminho, é provável que aumentem os conflitos entre fabricantes de automóveis por não poderem registar os nomes/números que queriam para os seus novos modelos. Como o caso de Elon Musk, diretor-executivo da Tesla, que ficou a soltar chispas (não que seja preciso muito) quando a Ford impediu-o de usar a designação “Model E”, que registara muito antes. Foi-lhe, assim, negada a intenção rebuscada e com uma pitada pueril, de soletrar a palavra “SEXY” ao unir as iniciais dos quatro modelos da gama - Model S, Model 3 (graficamente o mais parecido com “E”), Model X e Model Y. Mas ainda não estamos livres de que “S3XY” seja um Tesla no futuro, isto se prevalecer o gosto duvidoso que levou Musk a batizar um dos 14 filhos com o código alfanumérico X Æ A-XII ou outro com o “nome” Techno Mechanicus Joaquim Oliveira