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REVISÃO: PORQUE É QUE OS CARROS ELÉTRICOS JÁ NÃO SÃO TÃO BARATOS DE MANTER

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2026-01-25 22:06:02

Os automóveis foram apresentados desde sempre como uma alternativa não só mais eficiente e ecológica, mas também significativamente mais barata em termos de manutenção. A ausência de mudanças de óleo, filtros de motor, velas ou sistemas complexos de controlo de emissões parecia garantir revisões simples e custos reduzidos. No entanto, essa perceção começa a mudar. Cada vez mais proprietários de veículos elétricos estão a deparar-se com revisões anuais cujo custo se aproxima - ou até ultrapassa - o de modelos com motor de combustão. Não por haver mais avarias, mas devido ao aumento expressivo do preço da mão-de-obra especializada. Mão-de-obra em alta tensão faz disparar os custos Segundo especialistas do sector automóvel, o principal fator por detrás do encarecimento da manutenção é o custo da hora de trabalho. As intervenções em veículos elétricos exigem técnicos certificados para trabalhar com sistemas de alta tensão, cuja hora pode atingir valores muito elevados. Em alguns mercados europeus, esse custo pode chegar aos 400 euros por hora. Na prática, uma revisão anual de um carro elétrico pode variar entre os 300 e os 1.000 euros, dependendo do modelo, do concessionário e da região. Valores que já rivalizam com os de veículos a gasolina ou gasóleo. Revisões até 30% mais caras do que em carros a combustão Casos recentes vindos da Alemanha ilustram bem esta tendência. Num concessionário do Grupo Volkswagen, as tarifas horárias para veículos elétricos chegam a ser cerca de 30% superiores às aplicadas a modelos convencionais. Trabalhos de mecânica ou eletricidade podem custar mais de 210 euros por hora num elétrico, face a cerca de 160 euros num automóvel de combustão. Até serviços como pintura apresentam preços mais elevados nos elétricos. Embora os concessionários raramente expliquem oficialmente estas diferenças, muitos profissionais admitem que se trata de uma forma de compensar a perda de receitas associada à manutenção tradicional, como mudanças de óleo ou substituição de componentes mecânicos que deixaram de existir nos elétricos. Estratégia que preocupa o setor Alguns responsáveis do sector alertam para os riscos desta abordagem. O aumento artificial dos custos de manutenção pode afastar clientes e comprometer a transição para a mobilidade elétrica. Há quem considere injustificável imputar aos consumidores os custos de formação técnica ou de equipamento, uma vez que a atualização constante de conhecimentos sempre fez parte da indústria automóvel. Na realidade, os carros elétricos continuam a necessitar de pouca manutenção. Na maioria dos casos, as revisões resumem-se a inspeções visuais, verificação de sistemas eletrónicos e substituição de filtros de ar ou do habitáculo - serviços que, ainda assim, são frequentemente cobrados a preços elevados. O modelo alternativo da Tesla Neste contexto, algumas marcas adoptam uma filosofia diferente. A Tesla, por exemplo, não impõe revisões periódicas obrigatórias. A marca recomenda apenas a verificação de determinados componentes em intervalos largos e sem ligação directa ao número de quilómetros percorridos, como o líquido dos travões, o sistema de ar condicionado ou os filtros de ar. Estas operações podem ser realizadas nos centros da marca ou fora da rede oficial, sem perda de garantia. Este modelo contrasta com práticas mais tradicionais, como a obrigatoriedade de revisões a cada 15.000 ou 20.000 quilómetros, consideradas por muitos como desajustadas à realidade dos veículos elétricos. Redacao