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ESPECIAL - CONSTRUÇÃO METÁLICA / MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Construir

2026-01-25 07:01:03

Num sector sob pressão, Eficiência é condição de sobrevivência e competitividade Num mercado onde os prazos são cada vez mais curtos, as penalizações por atraso pesam e as certificações ambientais (LEED, BREEAM, economia circular) tornaram-se prérequisitos em projectos de referência na Europa, a eficiência deixa de ser apenas um objectivo operacional: antes, é uma condição de sobrevivência e competitividade. Para responder às exigências futuras, o sector da construção metálica precisa de mudanças profundas e integradas, mas a indústria , da produção à execução , está atenta Fotos: DR Aconstrução metálica em Portugal vive, em 2026, um momento de profunda transformação. Pressionado pela entrada em vigor pleno do Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira (CBAM), que taxa as importações de aço e ferro com base nas emissões de carbono, pelo aumento dos custos energéticos, pela escassez persistente de mão de obra qualifica-da e pela exigência crescente de clientes por soluções sustentáveis e de baixa pegada carbónica, o sector enfrenta desafios que são, também, oportunidades de diferenciação. Empresas como a bysteel (dstgroup) e a Ferpinta destacam-se neste cenário ao apostar em integração total do processo = desde a concepção BIM até à montagem , na digitalização acelerada para reduzir erros e retrabalho, na optimização de materiais (incluindo aços de elevado desempenho ambiental e reciclados) e na for-mação contínua para combater a falta de competências técnicas. Neste especial, ouvimos as duas empresas , uma dedicada à produção de tubos e perfis de aço (Ferpinta) e outra com foco na execução de projectos complexos de estruturas metálicas e fachadas (bysteel) sobre os principais factores que condicionam a eficiência na cadeia da construção metálica, o impacto real das ferramentas digitais, a influência das exigências energéticas e ambientais nas soluções em aço, os avanços técnicos que mais elevaram a qualidade e durabilidade das estruturas, e as mudanças indispensáveis para o sector responder às exigências futuras do mercado e da regulamentação europeia. As visões complementares reve-lam um sector em transição: mais integrado, mais digital, mais verde e mais humano (na perspectiva de valorização da qualificação). EFICIéNCIA A Associação Portuguesa de Construção Metálica e Mista reuniu no final de 2025 em congresso a indústria. Os números lançados então por aquela que é uma das associações principais do sector revelam um volume de negócios que ultrapassa os 6,9 mil milhões de euros, com um peso de 3,3% das exportações nacionais e que é responsável por 41 mil empregos directos. Actualmente, a eficiência na cadeia da construção metálica é condicionada por múltiplos factores interligados, que vão desde a volatilidade da cadeia de abastecimento até à integração de processos e à escassez de mão de obra qualificada. O contexto europeu, marcado pela implementação plena do Mecanismo de Ajustamento de Carbono na Fronteira (CBAM) que arrancou em Janeiro 2026, impõe quotas, salvaguardas e taxas sobre emissões incorporadas no aço importado, exigindo controlo rigoroso dos prazos de importação, rastreabilidade da origem dos materiais e previsão de custos relacionados com o carbono , o que gera instabilidade e pressões nos preços e prazos de entrega. “Para a Ferpinta é crucial integrar logística, qualidade, ambiente e compras, numa abordagem estratégica coesa, capaz de transformar este cenário complexo em processos mais previsíveis e coordenados para superar as actuais limitações do sector”, revela fonte da empresa ao CONSTRUIR. Do lado da execução, a eficiência mede-se, entre outros factores, pela qualidade do projecto inicial (estrutural e em modelação BIM), o graul de definição técnica precoce e a coordenação entre especialidades são determinantes, pois alterações tardias ou lacunas geram impactos directos na produtividade, custos e planeamento, especialmente em mercados exigentes como França, Luxemburgo ou Mónaco onde a bysteel está presente. O planeamento antecipado, parcerias sólidas com fornecedores e uma logística altamente eficiente são, por isso, determinantes. “Este aspecto mostrou-se crítico no recente projecto do Data Center de Sines que executámos para a Start Campus, projecto este com um prazo extremamente curto”, sublinha fonte da bysteel A comunicação e integração entre equipas de projecto, fabricação, logística e montagem enfrenta desafios como dispersão de dados e incompatibilidade de formatos, resultando em decisões lentas ou necessidade de correcção de erros. A escassez persistente de mão de obra qualificada , tanto em fábrica, como em obra , agrava o problema, tornando essencial investir em formação, normalização de processos, industrialização e automação. A Escola Industrial dst (homologada pela DGEstE), criada para resgatar a tradição das antigas escolas industriais, é a este nível um exemplo. Por fim, as crescentes exigências de sustentabilidade, certificações, rastreabilidade e menor pegada carbónica valorizam soluções eficientes e parcerias sólidas com fornecedores. DIGITALIZAçAO As ferramentas digitais têm tido um impacto transformador e acelerado na construção metálica, reduzindo significativamente erroS humanos e o tempo perdido em comunicação. “Desde logo, ao nível do projecto e da engenharia, o uso de BIM e de modelação 3D detalhada permite identificar interferências, incompatibilidades e erros de concepção numa fase muito precoce. Isto traduz-se numa redução significativa de revisões em obra e de correcções de trabalho em fábrica. Na prática, muitos dos problemas que antes só eram detectados durante a montagem são hoje resolvidos em ambiente digital, com ganhos claros em prazo, custo e segurança”, refere fonte da bysteel. Adicionalmente, “na ligação entre engenharia e produção, as ferramentas digitais permitem uma transição muito mais fluida do projecto para o fabrico. A extracção automática de listas de materiais, desenhos de fabrico e informação para máquinas CNC reduz o erro humano, elimina duplicação de tarefas e aumenta a eficiência. Isto é particularmente relevante em estruturas complexas, como foi o caso da Nova Sede da Arcelor no Luxemburgo do arquitecto Jean-Michel Wilmotte, em construção pela bysteel, onde a repetição é limitada e cada elemento é praticamente uma peça única”, exemplifica. No geral, a digitalização acelera a execução, eleva a eficiência e permite focar o tempo humano em problemas que realmente exigem intervenção especializada. Da mesma forma para a Ferpinta, “a utilização de ferramentas digitais, tais como a gestão documental, a OCR e a RPA, contribui para a minimização de ertos humanos, o Business Intelligence facilita a tomada de decisões rápidas ao ligar grandes volumes de dados, enquanto a inteligência artificial analisa informações de produção e qualidade, permitindo acções preventivas e a redução de retrabalho. Esta medida reduz o número de e-mails e erros, o que permite optimizar o tempo para resolver problemas que exigem intervenção humana”, adianta. EFICIéNCIA ENERGéTICA As exigências de eficiência energética e redução de pegada carbónica intensificadas pelo CBAM e por certificações como LEED ou BREEAM , estão a remodelar profundamente as soluções construtivas em aço, passando de uma visão puramente estrutural para uma abordagem integrada de desempenho global do edifício. “DeixouI de ser apenas uma questão es-trutural para passar a ser um tema de desempenho global do edifício, onde a estrutura, a envolvente e os sistemas têm de funcionar de forma integrada com elementos de maior durabilidade, aumentando a vida útil do edifício, e até considerando soluções de fácil desmontagem potenciando a sua reutilização”. Para a bysteel a questão coloca-se “desde logo”, na forma como se concebem as ligações, apoios e atravessamentos. “A integração das estruturas metálicas com sistemas de isolamento térmico tornou-se um aspecto crítico de um projecto. "Hoje, não basta garantir resistência e estabilidade, é essencial garantir que a solução contribui activa e positivamente para o desempenho energético da envolvente”. A empresa dá como exemplo O Hotel Berkeley, em Londres, um projecto dos arquitectos Rogers Stirk, Harbour + Partners, onde a bysteel executou a estrutura metálica e as fachadas. Neste edifício as vigas dos pisos atravessam as fachadas sendo suspensas pelo exterior do edifício. “Este atravessamento obrigoul a um estudo rigoroso, no que se refere ao dimensionamento e detalhe assim como à execução de um protótipo para assegurar o isolamento térmico e acústico, bem como a compatibilidade de deformação entre os dois elementos”, explica. A pressão para reduzir a pegada carbónica dos edifícios influência também a escolha dos materiais. A produção via EAF (forno eléctrico a arco) com sucata e energia renovável reduz drasticamente as emissões incorporadas, garante-nos a Ferpinta, enquanto a optimização de secções, o uso de aços de alto limite elástico (ou com elevado teor reciclado, como Hi-Star ou Xcarb) e a minimização de desperdício contribuem para menor impacto ambiental. Hoje, cada projecto é avaliado não só por custo e prazo, mas pelo contributo real para a eficiência energética e ambiental do edifício. INOVAçáO Os avanços técnicos que mais elevaram a qualidade e durabilidade das estruturas metálicas centram-se na estabilidade, normalização e controlo rigoroso dos processos, aliados à digitalização e monitorização inteligente. “Por exemplo, os aços têm uma variabilidade reduzida, as soldaduras são mais consistentes e os controlos dimensionais são exigentes. A digitalização permite construir a estrutura virtualmente primeiro, garantindo que funcione exactamente como foi planeada e aumentando a sua vida útil”, refere especialista da Ferpinta ao CONSTRUIR. Contudo, “a melhoria mais importante foi a monitorização inteligente. Actualmente, os sensores podem detectar antecipadamente se uma estrutura está sob tensão excessiva, mesmo antes de aparecerem fissuras. A partir de agora, a nossa política de manutenção passará a ser baseada na necessidade real da estrutura, em vez de seguir um calendário rígido”, acrescenta. A durabilidade e a sustentabilidade são, sem dúvida, aspectos importantes a ter em conta. Adicionalmente, o uso de aços de alto limite elástico permite poupar recursos, produzindo estruturas mais leves e elegantes, que assim minimizam o impacte ambiental. “os actuais esquemas permitem garantir durabilidades muito superiores, mesmo em ambientes agressivos. No caso da protecção ao fogo, a maior estabilidade e resistência dos sistemas reduz danos em transporte e montagem, diminuindo significativamente as correcções em obra”, acrescenta fonte da bysteel. “A própria engenharia de detalhe deu um salto qualitativo. Hoje, com modelação 3D e BIM, é possível estudar ligações, nós estruturais, zonas críticas e pormenores construtivos com um nível de rigor que antes não existia”. A título de exemplo, “na obra Grand Central Saint-Lazare, em Paris, do arquitecto Jean Jacques Ferrier, para a Bouygues, a construção de uma segunda pele em lâminas de vidro colorido obrigou à realização de ensaios de envelhecimento durante quase um ano para garantir a estabilidade do material”, acrescenta. O FUTURO Para responder às exigências futuras = marcadas por novas directrizes ambientais, o CBAM em pleno funcionamento, transformação do mercado e escassez de mão de obra -, O sector da construção metálica precisa de mudanças profundas e integradas. é indispensável aprofundar a integração entre concepção, engenharia, fabrico e montagem desde as fases iniciais, com envolvimento precoce das empresas especializadas para soluções rápidas, técnicas e previsíveis. A digitalização e industrialização (BIM, automação de fabrico, controlo digital de produção e gestão integrada de informação) tornar-se-ão requisitos mínimos, alinhados com princípios de Design for Manufacturing and Assembly (DfMA). A qualificação e valorização dos recursos humanos são cruciais: atrair e formar novos especialistas exige tornar as profissões atractivas, investir em formação técnica e resgatar modelos como escolas industriais. A pressão regulatória pela descarbonização, economia circular e uso de energia limpa obrigará a reduzir emissões, priorizar materiais reciclados e processos eficientes. As empresas devem aumentar a eficiência face ao aumento de custos, aproveitar financiamentos europeus à inovação, mas preparar-se para desigualdades geradas por regulamentações, como o CBAM. Em síntese, o sector evoluirá para maior integração industrial, engenharia avançada, digitalização total, sustentabilidade rigorosa e qualificação contínua, só assim garantirá competitividade num mercado cada vez mais exigente e verde. C Falta de mão , de , obra assombra dinamismo crescente O sector em Portugal caminha para um modelo de “Soluções 3600” o sucesso futuro, como resume a visão colectiva destes líderes, dependerá da capacidade de investir em pessoas, adoptar tecnologias que colmatem a falta de mão de obra e garantir que a transição digital e energética seja feita com foco no retorno real para o cliente Ricardo Batista Fotos: DR Um mercado dinâmico impulsionado pelos fundos comunitários, mas com inúmeros desafios para ultrapassar no futuro mais imediato. é esta, pelo menos, a tónica manifestada por alguns dos principais players do mercado que, ao CONSTRUIR, explicam que é expectável que a lógica de crescimento se mantenha sobretudo ao nível dos investimentos públicos , mas que carece de medidas que promovam a formação de mão-de-obra mais qualificada. MERCADO GLOBALMENTE DINaMICO Os diversos testemunhos conver-gem numa leitura comum de um mercado nacional de máquinas e equipamentos para a construção globalmente dinâmico e resiliente impulsionado sobretudo pelo investimento público pelos fundos comunitários nomeadamente o PRR, pela reabilitação urbana e por projectos de infraestruturas embora marcado por alguma irregularidade conjuntural e por uma forte dependência de decisões de investimento muitas vezes adiadas. O sector revela crescimento sustentado, maior profissionalização dos clientes e uma clara orientação para soluções integradas onde o custo total de operação a disponibilidade dos equipamentos e a eficiência ao longo do seu ciclo de vida assumem um peso determinante. Em paralelo, persistem fragilidades estruturais, como a escasse7 de mão de obra qualificada, a pressão sobre custos e margens, a volatilidade dos preços dos equipamentos e a exigência crescente ao nível do serviço e do suporte técnico. PERiODO TRANSFORMADOR O sector de máquinas e equipamentos para a construção e indústria em Portugal atravessa um dos períodos mais dinâmicos e transformadores da sua história recente, um cenário que exige uma análise profunda sobre o equilíbrio entre o crescimento económico e a disrupção tecnológica. De acordo com Rui Faustino, COO da Moviter, O mercado nacional tem demonstrado um dinamismo significativo, impulsionado sobretudo pelos programas públicos, pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelo Portugal 2030 e por um pipeline de obras estruturantes que alimentam a procura de forma consistente. Esta visão de crescimento é corroborada por Paulo Ribeiro, director de Máquinas da STET, que estima uma trajectória ascendente de cerca de 10% face ao ano anterior, reflectindo a materialização de decisões de investimento que haviam sido anteriormente adiadas devido a contextos de incerteza. Hugo Bexiga, director da Divisão de Máquinas Industriais do Entreposto Máquinas, reforça este optimismo ao apontar um aumento de 15% até Novembro de 2025 em comparação com o período homólogo, sublinhando que não existem indícios de inversão desta tendência para o início de 2026. Este vigor é particularmente visível em segmentos como as obras públicas, infraestruturas, reciclagem e projectos ligados à sustentabilidade, transformando a construção num dos sectores mais activos da economia portuguesa. No entanto, este crescimento não é uniforme nem isento de desafios estruturais que moldam a estratégia das empresas. Katia Gonçalves, directora Comercial da Almovi, nota que, embora o mercado apresente um dinamismo crescente, a nova construção continua condicionada pelo aumento dos custos dos materiais e pela escassez de mão de obra qualificada. Esta visão é partiIhada por Teresa Monte, directora de Marketing da Going Up, que, apesar de reconhecer os sinais positivos da economia, mantém uma postura de cautela e prudência, alertando para o impacto negativo que a instabilidade mundial provocada pelas grandes potências pode gerar na segurança do mercado. O sector enfrenta hoje o que João Hébil, Managing Director da Manitou, classifica como um dinamismo resiliente, onde a maturidade na profissionalização das frotas obriga as empresas a procurar equipamentos mais versáteis e eficientes para sobreviver à volatilidade dos custos operacionais e à morosidade dos licenciamentos. CAPITAL HUMANO O maior obstáculo à plena ex-pansão do sector parece ser, consensualmente, a crise do capital humano. Hugo Bexiga alerta que a escassez de recursos técnicos qualificados é um entrave ao investimento e limita o ritmo de crescimento ambicionado, uma situação agravada pelo atual contexto de pleno emprego em Portugal. Paulo Ribeiro reforça esta preocupação ao sublinhar que a falta de operadores de máquinas e técnicos de manutenção condiciona não apenas a capacidade de resposta à procura, mas também a própria qualidade do serviço prestado. Esta carência obriga as empresas a um esforço permanente de actualização e qualificação das equipas, pois, como refere Rui Faustino, a adopção de tecnologias que permitiriam ganhos de produtividade ainda é lenta, convivendo com fragilidades estruturais que exigem novos ganhos de eficiência. Na Moviter, a resposta tem passado por acelerar a digitalização interna e reforçar o suporte técnico às obras públicas para garantir que os clientes acompanham o ritmo do crescimento. Paralelamente à gestão de recursos humanos, a transição energética apresenta-se como um tema central, embora abordado com um pragmatismo técnico que difere da velocidade observada no sector automóvel. Rui Faustino esclarece que o ciclo tecnológico nos equipamentos de construção é mais longo e complexo, prevendo-se que os motores de combustão continuem a ter um papel relevante durante a próxima década, especialmente após a revisão das metas europeias de redução de emissões. A transição será gradual e composta por um mix energético diversificado, onde a electrificação terá maior expressão em equipamentos de menor porte ou operações específicas. Paulo Ribeiro e Hugo Bexiga concordam que a necessidade de elevada autonomia e capacidade produtiva inviabiliza uma electrificação imediata e transversal em equipamentos de grande porte. No entanto, João Hébil destaca que a Manitou já percorre este caminho de forma irreversível com a sua gama Oxygen, impulsionada pela implementação de Zonas de Baixas Emissões em cidades como Lisboa e Porto. A utilização de máquinas eléctricas ou híbridas torna-se fundamental em contextos onde a redução da poluição sonora é crítica, como em obras junto a escolas ou hospitais. Por outro lado, Teresa Monte observa que este ainda não é um tema prioritário para muitas empresas de aluguer em Portugal, contrastando com a realidade de países do norte da Europa. IA TRANSFORMADORA DA INDúSTRIA Neste contexto de mudança, a Inteligência Artificial (IA) surge como o maior factor de transformação da indústria. Deixando de ser uma promessa futurista, a IA já é uma ferramenta de eficiência presente no quotidiano. Katia Gonçalves explica que na Almovi a IA é utilizada diariamente para analisar dados, monitorizar equipamentos à distância e assegurar a manutenção preventiva, reduzindo falhas e custos operacionais. João Hébil reforça que a IA é vital para a segurança em obra, utilizando visão computacional para detectar objetos e pessoas, prevenindo acidentes. Além disso, a IA será a ferramenta chave para colmatar a falta de operadores, permitindo que trabalhadores menos experientes operem máquinas complexas com maior segurança e precisão. Rui Faustino aponta para o desenvolvimento de soluções que transformam dados de telemetria em valor real, permitindo a gestão preditiva de manutenção e a optimização de frotas. Hugo Bexiga vê a IA como uma evolução natural dos sistemas digitais já existentes, funcionando como uma ferramenta silenciosa que melhora a rentabilidade e a disponibilidade dos equipamentos. o futuro do sector em Portugal dependerá, portanto, da capacidade das empresas em integrar estas inovações tecnológicas sem perder de vista a proximidade com o cliente. Paulo Ribeiro sublinha que o mercado se tornou mais racional e menos impulsivo, valorizando soluções integradas que vão para além da venda do equipamento, incluindo financiamento e suporte contínuo. Hugo Bexiga conclui que o sucesso futuro exigirá um investimento contínuo em pessoas, na protecção de margens e na adopção de modelos de negócio sustentáveis. Para Katia Gonçalves, o desafio é manter um serviço distintivo capaz. de responder às exigências técnicas cada Vez maiores das obras, como a construção modular ou projectos de elevada sofisticação técnica. Rui Faustino resume o sentimento do sector ao afirmar que a preparação para esta transição obriga a uma abordagem pragmática e focada no cliente, garantindo que a tecnologia certa seja aplicada no momento certo. Em suma, o mercado português de máquinas vive uma fase de maturidade, onde a agilidade e a capacidade de antecipar tendências , seja na digitalização, na IA ou na sustentabilidade , definem a linha entre a estagnação e a competitividade global. C Nesta edição com dois dossiers temáticos, a tónica comum reside na transformação profunda por que estes segmentos estão a passar ? mercado nacional de máquinas e equipamentos para a construção apresenta actualmente um dinamismo significativo, impulsionado por factores estruturantes como o investimento público, os fundos comunitários do PRR e Portugal 2030, a reabilitação urbana e os projectos de infraestruturas, destacandose, em particular, o segmento de obras públicas que se mantém como um dos sectores mais activos da economia portuguesa Manuela Sousa Guerreiro