OMODA 9 SHS: O LUXO HÍBRIDO ACESSÍVEL
2026-01-23 22:08:10

O OMODA 9 chega a Portugal: SUV híbrido premium, 537?cv, 145?km elétricos, desde 49.900?EUR O lançamento do OMODA 9 em Portugal, pela mão do Grupo JAP, mostra que o Grupo Chery não quer apenas “marcar presença”, mas disputar espaço no luxo sustentável com o seu Super Hybrid System (SHS). A Chery é um dos maiores fabricantes automóveis da China e tem sido o maior exportador de veículos de passageiros do país durante mais de 20 anos. A OMODA, criada em 2022 para mercados globais, assume um posicionamento premium e futurista. Em Portugal surge ao lado da JAECOO na dupla OMODA & JAECOO (O&J): a OMODA privilegia design, tecnologia e um público mais urbano, enquanto a JAECOO aposta num estilo mais robusto, de inspiração off-road e luxo tradicional. A estratégia do Omoda 9 é direta: oferecer “mais carro pelo mesmo dinheiro” num SUV do segmento D, com preço anunciado de 49.900 euros. A marca procura desafiar as referências premium com uma proposta que combina potência, eficiência e equipamento de série normalmente reservado a patamares superiores, tornando-se particularmente apelativa para particulares e, sobretudo, para frotas. Visualmente, o modelo segue um Quiet Luxury discreto: grelha sem moldura, poucos cromados, puxadores retráteis e uma assinatura luminosa com mais de 130 LEDs na frente. O conjunto mecânico também impressiona: 537 cv de potência combinada e 0-100 km/h em 4,9 s. A arquitetura do SHS é, na prática, um sistema com três unidades elétricas (dois motores de tração e um gerador) apoiadas por um motor a combustão. A energia é gerida por uma caixa 3DHT de três velocidades que, apesar do nome, consegue criar até 11 combinações de funcionamento para maximizar eficiência e desempenho conforme o cenário. A autonomia elétrica anunciada chega aos 145 km. Num exemplo de utilização real, foi possível iniciar a viagem com 428 km de autonomia a gasolina e 145 km elétrica e, após 268 km, terminar com 178 km de gasolina e 32 km elétricos, com média de 6,5 l/100 km, mantendo ainda reserva elétrica. Para um SUV desta dimensão, peso e potência, é um resultado que evidencia o mérito da gestão energética e o equilíbrio entre performance e economia, apesar da aerodinâmica típica do segmento. No interior, o ambiente é assumidamente premium: dois ecrãs curvos de 12,3”, materiais como pele Nappa, bancos com aquecimento, ventilação, massagens e extensor de pernas, e um sistema de som com colunas integradas no encosto de cabeça do condutor. Em tecnologia, destaca-se a gestão preditiva por IA, que cruza dados do GPS e hábitos do condutor para decidir quando gastar mais gasolina (por exemplo, em autoestrada) e reservar bateria para a cidade, privilegiando o modo elétrico em contexto urbano. A marca inclui ainda uma câmara de 540º com efeito de “chão transparente”, muito útil em manobras, estacionamento e em pisos irregulares, e um head-up display de 50” com realidade aumentada que melhora a leitura da informação sem desviar o olhar da estrada. A suspensão eletromagnética adaptativa privilegia conforto, ainda que com menor vocação desportiva. Em segurança, o modelo apresenta 5 estrelas Euro NCAP, já com os critérios mais exigentes de 2025, reforçando a ambição de competir em mercados maduros. A proposta ganha força no canal empresarial: com autonomia elétrica superior a 50 km, pode enquadrar-se em benefícios fiscais (como dedução de IVA e vantagens na tributação autónoma, conforme o regime aplicável). Soma-se uma garantia de 7 anos e 8 anos para a bateria, reforçando confiança numa marca ainda recente para muitos consumidores. Pontos fortes: relação preço/equipamento, conforto, consumos e autonomia elétrica, bom isolamento acústico (vidros duplos laminados e pneus com redução de ruído), carregamento rápido e perceção de qualidade. A melhorar: menus do infotainment algo confusos, alguns ruídos parasitas (sobretudo atrás) e assistentes de condução demasiado intrusivos - um “mal” frequente nos modelos atuais. No conjunto, o Omoda 9 posiciona-se como escolha racional para quem quer luxo e eficiência sem depender do emblema na grelha. O mérito está também na “orquestra” de software que harmoniza várias fontes de potência, a travagem regenerativa (exigindo adaptação inicial ao pedal) e a atuação da suspensão para manter conforto. Com atualizações over-the-air, é um produto que pode evoluir com o tempo e reduzir a sensação de envelhecimento imediato após sair do stand. Em suma, é um pacote convincente para quem quer equipamentos e eficiência real, e está disposto a trocar o prestígio do logótipo por uma proposta mais racional e bem equipada. Jorge Farromba