COMO CARREGAR O CARRO EM CASA: OITO PERGUNTAS E RESPOSTAS
2026-01-23 22:08:09

A melhor opção, e mais barata a longo prazo, é ter um carregador na garagem, mas num prédio nem sempre é a solução mais fácil Se para quem vive numa moradia pode ser bastante fácil tomar a decisão de comprar uma carro elétrico e instalar a respetiva infraestrutura de carregamento em casa, para maior comodidade e preços de energia mais baixos, o mesmo não acontece para quem habita num prédio. Além de ter de pedir autorização à administração do condomínio, ainda pode ter de enfrentar a oposição dos vizinhos Como ter um carregador elétrico em casa? Se viver numa moradia, basta ter dinheiro para investir na compra do carregador e respetiva instalação. Em prédios, o processo é mais complicado. Os edifícios construídos após 2010 são obrigados a ter pré-instalação elétrica de ligação entre cada fração e o respetivo lugar de garagem ou parqueamento, o que facilita a instalação de um carregador sem interferir com zonas comuns do condomínio. Se o prédio for mais antigo há várias opções, conforme o caso: garagem fechada (box) com uma tomada ligada ao quadro elétrico de casa; lugar de parqueamento ligado por cabo ao apartamento, desde que seja tecnicamente viável; ou carregar o carro através do contador comum do prédio, separando os consumos e pagando ao condomínio. Todas as instalações para mobilidade elétrica devem ser executadas por técnicos credenciados. O que diz a lei? De acordo com o novo regime jurídico da mobilidade elétrica (em vigor desde agosto de 2025), qualquer condómino pode, pagando do seu bolso, instalar um ponto de carregamento no seu lugar de garagem ou parqueamento, desde que cumpra os requisitos técnicos. A instalação deve ser comunicada por escrito à administração do condomínio com 30 dias de antecedência. Esta só pode opor-se caso fique provado, com base em parecer técnico, que está em risco a segurança de pessoas e bens ou se a instalação do carregador dificultar a circulação nas vias de acesso. A instalação do prédio não aguenta vários carregadores. Como fazer? É possível que as instalações das áreas comuns apenas tenham potência suficiente para alimentar a iluminação, elevadores e um ou dois carregadores. Se a estrutura elétrica do prédio não tiver capacidade, a solução é aumentar a potência instalada, o que só pode ser feito pela administração do condomínio. Por implicar custos, esta mudança nem sempre é fácil de aprovar em assembleia, por uma maioria de dois terços. Existe a possibilidade de aumentar a potência máxima admissível do edifício, mas para isso é preciso pedir autorização à E-Redes e certificar a nova instalação elétrica. Com vários carregadores ligados ao contador do prédio, como se divide a fatura? A Deco Proteste diz que há várias possibilidades, como por exemplo ter um contador secundário (anexo ou incluído na wallbox), para apurar o consumo individual e depois pagar ao condomínio. Ou então, na mesma fatura, autonomizar as contagens de cada pessoa, mas isso nem sempre é possível e deve ser estudado com o fornecedor de energia. É aconselhável instalar um sistema balanceador de carga, com gestão inteligente da potência entre os vários carregadores. É possível carregar o carro com cabos pendurados pela janela? A Deco diz que esta é uma prática cada vez mais utilizada, mas não é permitida. Fazer passar uma extensão de carregamento pela fachada do prédio, até à via pública, é uma prática ilegal. Os cabos pendurados podem pôr em risco a segurança de pessoas e bens. Numa moradia, é possível, mas desaconselhado, já que a corrente das tomadas domésticas pode não ter potência para carregar veículos elétricos. Sou obrigado a ligar o meu carregador à rede da Mobi.E? A ligação é opcional, mas traz vantagens. Ao aderir, o proprietário torna-se detentor de um ponto de carregamento e a energia consumida é cobrada diretamente, evitando conflitos com outros condóminos, pois o consumo do veículo é automaticamente separado. Para isso, deve ficar garantida a comunicação de dados entre o carregador e a Mobi.E (através de cartão SIM ou Wi-Fi). Qual é a potência adequada para um carregador em casa? Os postos de carregamentos domésticos (wallboxes), podem carregar com potências de 3,7 kW, 7,4 kW (contador monofásico), 11 kW ou 22 kW (contador trifásico). Quanto mais potente o carregador, menos horas serão necessárias para fazer uma carga completa do veículo elétrico (carregar 60 kWh levará 16 horas num carregador de 3,7 kW ou um pouco mais de cinco horas num carregador de 11 kW). No entanto, importa lembrar que a potência contratada para a habitação deve ser superior à da wallbox e acautelar os restantes consumos elétricos, e quanto maior for a potência contratada para a habitação, maior será o valor da componente fixa da fatura de eletricidade. Bárbara Silva Jornalista Bárbara Silva