FIM DO DIESEL LEVA MARCAS A APOSTAR EM GPL, ELÉCTRICOS E HÍBRIDOS
2026-01-23 22:08:08

Fim do diesel leva jacinto.duro@jornaldeleiria.pt Globalmente, as marcas presentes em Portugal prevêem uma ligeira redução no número de viaturas novas comercializadas ao longo deste ano. Se, em 2025, o valor atingiu os 228 mil veículos ligeiros de passageiros, em 2026, a previsão é de 228 mil. No capítulo dos ligeiros comerciais, a cifra é de 39 mil carros. “Todas as marcas acreditam que é possível crescer acima dos dois dígitos”, revela Nuno Roldão, vice-presidente da ANECRA e administrador do Grupo Lubrigaz, de Leiria. Todas as marcas reconhecem a necessidade de redução da pegada ambiental e que o crescimento deve ser realizado através dos veículos eléctricos e híbridos. “Até porque, em cima da mesa, estão as coimas anunciadas pela União Europeia”, recorda Roldão, que exemplifca alguns dos cenários que veremos: motores de menores dimensões e de menor consumo e mais eléctricos, a circular. No caso das marcas representadas pela Lubrigaz, será feito um esforço para manter os clientes dentro do ecossistema Volkswagen, através das várias mais-valias apresentadas, como a fnanceira do grupo e uma das apostas será o Skoda Epiq, um SUV urbano 100% elétrico, compacto (4.1m). “Representa um esforço pela busca de preços mais concentrados. Teremos também novas versões dos eléctricos VW I.D 3, 4, 5 e 7, e do Polo (I.D2 com preços entre os 20 e os 25 mil euros) e híbridos como o Golf, Passat e Tiguan. A Caddy comercial, híbrida também terá versões”, exemplifca. Com o desaparecimento do motores diesel, a gasolina e os híbridos ganham força, bem como os eléctricos, que já conquistaram 25% do market share. Na Audi, a aposta passará pelos Q3 e Q6. “A Formula 1 também será uma forte catapulta para a marca Audi, ao longo deste ano”, prevê, recordando que, em 2035, 90% dos veículos novos não poderão ter motores térmicos. “No Grupo Volkswagen, o lema é democratizar o carro eléctrico ”, afrma e sublinha que 2026 será um ano importante para esse esforço. “Ninguém sabe muito bem o que se vai passar nos próximos 12 meses” Paulo Conceição, administrador da NOV Automóveis, que representa 13 marcas nos distritos de Leiria e Santarém, e se prepara para juntar mais um fabricante à lista neste último distrito, admite que ninguém, no mundo automóvel, sabe muito bem o que se vai passar nos próximos 12 ou mais meses. O número de viaturas vendidas tenderá a estabilizar, uma vez que há pouca margem para crescimento e, ao mesmo tempo, as marcas chinesas que, há cerca de um ano eram novidade, já estão consolidadas no mercado nacional. “Os fabricantes tradicionais terão de se adaptar a este novo cenário”, prevê, antecipando um mercado semelhante ao que se viveu em 2025. Antes de 2027, não deverá haver grandes lançamentos de modelos disruptivos, até porque a União Europeia recuou nas suas metas ambientais que previam o fm dos motores térmicos até 2035, o que levará a alterar alguns planos dos fabricantes. “Entre as marcas que representamos do Grupo Stellantis, teremos o lançamento na Fiat das duas versões do Topolino [uma fechada, e outra aberta, a Dolcevita]. É um conceito divertido, que pode ser conduzido com carta de motociclo”, conta Paulo Conceição. Na Volvo, que a empresa representa em Santarém, assistiremos à chegada, em 2026, do ES 90, e, no fnal do ano, do EX 70. “Na Jeep, teremos uma nova versão do Compass, com um restyling aprimorado. Na Ford, a aposta continuará a ser, maioritariamente, nos veículos comerciais. Quanto aos ligeiros de passageiros, teremos um novo Capri e Explorer eléctricos, além do Puma e do Cougar. Esta marca fez uma parceria com a Renault, que deverá trazer novidades apenas em 2027.” O administrador da NOV Automóveis acredita que, na Kia, o novo EV5, um “SUV interessante”, será uma das estrelas deste ano, no grupo de marcas representadas pela empresa. “O Peugeot 2008 continuará a ser um best seller, com actualizações de design internas e externas.” GPL é opção para fm do diesel “Segundo as marcas com quem trabalhamos, do Grupo Renault, tudo leva a crer que o mercado está em crescendo e assim deverá manter em 2026.” Paulo Carvalho, director comercial da MCoutinho Oeste, que opera nas regiões de Leiria e Caldas da Rainha está optimista. É certo que Dezembro foi um mês atípico em termos de resultados, com uma ligeira quebra nas novas matrículas , projectava-se um cenário com 24 mil veículos comercializados, porém, os valores chegaram aos 22.500 -, contudo, a tendência ao longo do ano foi de crescimento. “É essa a análise feita pelo Grupo Renault a partir da conjuntura e dos dados disponibilizados pelas marcas.” No próximo ano, a Renault e Dacia esperam um aumento de 2% no mercado nacional, apontando para um crescimento da presença no mercado de 7 para 9%. “Teremos novos modelos e uma política de mercado mais agressiva”, anuncia Paulo Carvalho. Na calha, estão o novo Clio, que se apresenta completamente renovado, com uma nova plataforma, design e motorizações eléctricas e térmicas, entre elas, uma interessante a GPL, e o novo Twingo, 100% eléctrico, que é inteiramente produzido em solo europeu, cujo preço mais acessível será de 20 mil euros. “É uma forte aposta a pensar numa larga franja do público, com um valor muito interessante para um carro eléctrico”, sublinha este responsável. Com os motores a diesel prestes a desaparecer por completo, o GPL é uma das opções em cima da mesa, razão pela qual o fabricante francês, que conta com modelos equipados de origem com propulsão bifuel, conta expandir o seu mercado, em especial nos ligeiros de mercadorias. “Temos a indicação de investir no mercado das frotas empresariais. Neste momento, só nós temos GPL e está a ser vendido para empresas. O GPL permite 50% de dedução de IVA e os eléctricos de 100%.” Novembro e Dezembro de 2025 assistiram à liderança do grupo Renault no mercado português, contudo, o fnal de ano positivo não permitiu ultrapassar a Peugeot, no ranking das marcas mais vendidas. Não obstante, o fabricante conseguiu fcar em segundo lugar em Portugal. Todas as marcas acreditam que é possível crescer acima dos dois dígitos Nuno Roldão Eléctricos têm já 25% do market share Jacinto Silva Duro